Brincando no Ambiente Hospitalar: A Leitura como Momento de Recreação

A leitura e a escrita aparecem como objetivos prioritários da Educação Fundamental
A leitura e a escrita aparecem como objetivos prioritários da Educação Fundamental

Educação e Pedagogia

05/03/2013

Começo introduzindo que a leitura é uma prática sociocultural. Já para Solé (1987, p. 22) “a leitura é um processo de interação entre o leitor e o texto; neste processo tenta-se satisfazer [obter uma informação pertinente para] os objetivos que guiam sua leitura”, as finalidades da leitura para quem lê são várias: “devanear, preencher um momento de lazer e desfrutar; procurar informações concretas [...]”.

O resultado da interpretação da leitura de um texto será sempre diferente para duas pessoas ou mais pessoas, mesmo que essas pessoas leiam o mesmo texto, isso ocorre por que é o leitor que constrói o significado do texto, (SOLÉ, 1998).

Todos nós pensamos diferente uns dos outros, mesmo lendo o mesmo texto, sempre teremos uma visão diferente. Isso ocorre principalmente nas leituras coletivas de livros, nas rodas de contações de histórias, na leitura de conto, de fábula, etc... Quando lemos ou ouvimos, trazemos interpretações próprias, pessoais e distintas. Temos conclusões, visões diferentes por que cada ser humano é único e essas inúmeras interpretações surgirão a partir das histórias, experiências e vivências de cada um de nós.

Sendo assim, isso deve ser levando em conta quando se trata de ensinar as crianças a ler e compreender. Para que a leitura seja efetivada é necessário que ocorra a compreensão do texto escrito, (SOLÉ, 1998). Para a autora um dos múltiplos desafios a ser enfrentado pela escola é o de fazer com que os alunos aprendam a ler corretamente. Isto é lógico, pois a aquisição da leitura é imprescindível para agir com autonomia nas sociedades letradas, e ela provoca uma desvantagem profunda nas pessoas que não conseguirem realizar essa aprendizagem. (SOLÉ, 1998, p. 32).

“Um dos objetivos importantes nesse período de escolaridade é que as crianças aprendam progressivamente a utilizar a leitura com fins de informação e aprendizagem” (SOLÉ, 1998, p. 34). Para que esse objetivo realmente seja atingido

a nova LDB nº 9394/96 recoloca a educação na perspectiva da formação e do desenvolvimento humano: o direito a educação entendido como direito a formação e ao desenvolvimento humano pleno e reconhece que cada criança, adolescente, jovem ou adulto tem o direito a formação plena como ser humano e reafirma que essa é uma tarefa da gestão da escola, da docência e do currículo”. (GONZÁLES ARROYO, 2008, p. 41).

Na formação humana plena a que se refere Gonzáles Arroyo, está o acesso a educação integral e a cultura, podendo incluir também os conhecimentos lógicos matemáticos, a escrita, leitura, e aos bens culturais que foram sendo produzido ao longo da história da humanidade. O instrumento que vai garantir as condições para que esse tipo de formação seja efetivada é a elaboração de um currículo para o desenvolvimento social e cultural que deve contemplar e garantir, além de bom domínio de linguagem oral e escrita, o desenvolvimento de competências e habilidades para o uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC) e respeitar a diversidade como constituinte das relações sociais e humanas que foram se consolidando ao longo da nossa história econômica, política e cultural (GONZÁLES ARROYO, 2008, apud OLIVEIRA; MELLO, 2010, p. 6).

Nesse sentido Sole (1998), vem complementado a importância da leitura e da escrita num sentido mais amplo da educação, quando escreve que: a leitura e a escrita aparecem como objetivos prioritários da Educação Fundamental. Espera-se que, no final dessa etapa, os alunos possam ler textos adequados para sua idade de forma autônoma e utilizar os recursos ao seu alcance para referir as dificuldades dessa área – estabelecer inferências, conjeturas; reler o texto; perguntar ao professor ou a outra pessoa mais capacitada, fundamentalmente -; também se espera que tenham preferências na leitura e que possam exprimir opiniões próprias sobre o que leram. (SOLÉ, 1998, p. 32).
Por esse motivo a concepção que o professor tem sobre a leitura, fará com que ele projete determinadas experiências educativas as crianças, (SOLÉ, 1998), então em qualquer contexto “a leitura não deve ser considerada uma atividade competitiva, através da qual se ganham prêmios ou se sofrem sansões. Assim com os bons leitores nos refugiamos na leitura como forma de evasão e encontramos prazer e bem-estar nela, os maus leitores fogem dela e tendem a evitá-la. Compartilho com Winograd e Smith (1989) a convicção de que a transformação da leitura em uma competição – aberta ou encoberta – entre as crianças tende a prejudicar os sentimentos de competência das que encontram maiores problemas, o que contribui para o seu fracasso.” (SOLÉ, 1998, p. 90).

A partir da exposição e do reconhecimento da importância social da leitura, a relevância nesse momento passa a ser dada a leitura como forma de prazer, como forma de recreação, como forma de interpretação e também de contação, já afirmava Strôngoli (1990) que ‘o professor que usa a lembrança de suas experiências infantis ou juvenis penetra, rapidamente e com prazer, em texto escrito para a infância ou a juventude e, identificando-se com sua temática e forma de expressão, chega facilmente ao trajeto do aluno’.. (ABÍLIO e MATTOS, 2006, p. 85).

Verdi, (2009, p. 162) diz que “escutar histórias é o início da aprendizagem pra ser um leitor, e ser leitor é ter todo um caminho de descobertas e de compreensão do mundo, absolutamente infinito”.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Colunista Portal - Educação

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