A formação professor crítico e reflexivo

A formação professor crítico e reflexivo
A formação professor crítico e reflexivo

Educação e Pedagogia

21/12/2011

RESUMO
O artigo apresentará características para a formação do professor crítico e reflexivo através da análise dos conteúdos estudados durante todo o curso de Licenciatura em Geografia na modalidade de Educação a Distância.

1.   INTRODUÇÃO
A educação é um setor que exige responsabilidade técnica, política e social. Sendo assim a formação do professor precisa de compromisso e competência.

A ação de ensinar passa todos os dias por grandes desafios, exigindo dos seus profissionais um aperfeiçoamento constante. Observando esta realidade o professor, em sua formação, deve ser preparado para lidar com relações que envolvem temas educacionais, sociais, culturais, políticos e econômicos.

Por sua vez, a formação do docente de Geografia também deve estar baseada nos itens anteriormente citados. Além de tudo este professor deve ser capaz de interpretar o espaço geográfico na relação local / global / local. Sem esquecer-se de contextualizar sempre os conteúdos.

Desta maneira o professor de Geografia será mais que um transmissor de conhecimentos. Será um profissional que observa, reflete e critica o seu entorno e a sua própria prática. Tornando-se um profissional capaz de transformar realidade e assumir um compromisso com a sociedade.

Diante desta realidade é necessário pensar como deve ser a formação do professor de Geografia. É possível formar um professor de Geografia crítico e reflexivo?

O presente artigo tem como objetivo responder a questão acima através da análise de um curso de Licenciatura em Geografia.

Primeiramente serão colocadas as características de um curso nos moldes da Educação a Distância (EAD). Desta forma o leitor entenderá a filosofia e a metodologia que serão relatadas. Em seguida, será analisada a importância da saída de Campo para a formação do professor de Geografia. E da transversalidade para a formação do professor crítico e reflexivo. 2.   DESENVOLVIMENTO
2.1 O CURSO DE LICENCIATURA EM GEOGRAFIA ATRAVÉS DA EAD

Antes de tudo é importante informar que o curso a ser relatado foi realizado no formato de Educação à Distância (EAD). Desta forma, se faz necessário explicar o formato da graduação nesta modalidade.

O curso de Licenciatura em Geografia tem a duração de seis períodos, tendo uma aula semanal e variadas atividades a serem realizadas individualmente ou em grupo. Grande parte da teoria, que seria dado em aulas durante uma graduação presencial, deve ser pesquisada pelo discente em suas horas destinadas ao estudo.

Ao final de cada período existe a disciplina de Pesquisa e Prática Pedagógica que visa unir teorias educacionais, as teoria da geografia e a prática da docência. Assim como os cursos presenciais de licenciatura é obrigatória a realização de dois estágios supervisionados, o primeiro no ensino fundamental e o segundo no ensino médio.

Com relação àqueles que optam por este sistema de ensino a responsabilidade de educar-se é transformada em um grande desafio. O formato do curso em EAD, ao contrário do que muitas pessoas pensam, exige do estudante uma forte disciplina. É necessário desenvolver competências e habilidades, ser reflexivo quanto às teorias estudas e as práticas.  Neste modelo o aluno se torna, ainda mais, o autor de sua formação, o personagem principal de suas práticas educativas na busca incessante pelo conhecimento.

Para realizar um curso no formato de Educação a Distância, são necessárias as seguintes características:
- Disciplina nos estudos;
- Organização, para que os conteúdos não se acumulem;
- A mesma atenção e envolvimento dispensados ao curso presencial;
- Participação e integração com colegas, professores e instituição; 2.2. AS TEORIAS ESTUDADAS

2.2.1. Primeiro Período
O período inicial proporciona os contatos com o processo de aprendizagem. É conhecida a longa evolução da educação, sua importância e o seu objetivo na sociedade. Ciências como Psicologia e Filosofia são estudadas para que sejam percebidas as contribuições que deram para o enriquecimento dos conhecimentos em educação.  Temas históricos, sociais e políticos também são abordados, pois contribuem para complementar a formação de um profissional consciente de sua responsabilidade e do papel da educação.

Nos dias atuais se discute a importância da mudança de percepção e o real aperfeiçoamento dos profissionais de ensino. Então, no primeiro período, foi trabalhado o tema Currículo Oculto e Currículo Oficial. O primeiro deve estar interligado ao segundo, para que aja em sala de aula, uma conexão entre a realidade do mundo e os conteúdos estudados.

O currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que, sem fazer parte do currículo oficial, explícito, contribuem, de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes (...) o que se aprende no currículo oculto são fundamentalmente atitudes, comportamento, valores e orientações. (SILVA, 2001)

Este currículo oculto nada mais é do que trazer para a sala de aula assuntos e temas atuais. Ele busca constantemente o interesse pela aula trazendo métodos dinâmicos para ajudar o discente a construir seu próprio aprendizado e formar a visão do mundo. Ao professor não cabe mais a função de oráculo da sabedoria e nem a postura de entrar, fechar a porta da sala de aula e derramar seus conhecimentos. Os alunos precisam de algo melhor, de algo diferente. O professor de Geografia precisa discutir o mundo com seus discentes.

Todas as disciplinas deste período serviram para fornecer as bases teóricas da educação. A disciplina Pesquisa e Prática Pedagógica I (PPP I) consolida o aprendizado e coloca o dever de pesquisar e refletir para elaborar um seminário com o tema: O Papel da Educação. Para realizar a atividade foram estudados os quatro pilares da educação.
Esses pilares foram elaborados por uma comissão de quinze pessoas, coordenada pelo Sr. Jacques Delors e fez parte do Relatório da Comissão Internacional sobre a Educação no Século XXI para a Organização das Nações Unidas. Neste conceito a educação seria a construção, de competências e habilidades utilizando quatro princípios estratégicos.

São eles:
Aprender a Ser – A busca pela formação integral do ser humano.
Aprender a Conviver – Aprender a viver com o outro.
Aprender a Fazer – Por em prática os conhecimentos adquiridos
Aprender a Conhecer – Aprender a observar o mundo. Aprender a aprender.

Os quatro pilares demonstra que a educação atual está preocupada em formar o homem integral. O ser humano capaz de conectar o técnico, o cultural, o científico e o social.

Para tanto se faz necessário a formação de um educador que se atualiza, que quer conhecer, que elabora e reelabora suas teorias e suas práticas. 2.2.2 Segundo Período
Este período aborda os conhecimentos teóricos da Didática e o seu objetivo de ensinar a ensinar. Ou seja, fornecer os princípios que fundamentam a ação de ensino-aprendizagem. Nesta disciplina foi desenvolvido um trabalho teórico sobre as tendências pedagógicas.

Através da pesquisa se entende como essas tendências influenciam o processo de ensino-aprendizagem, como elas norteiam a ação do professor em sala de aula e por fim, como elas são influenciadas pelas mudanças sociais e políticas.

A todo professor cabe o dever de conhecer as teorias e tendências pedagógicas. Utilizá-las para visualizar suas questões cotidianas e refletir sobre sua prática. Porém não precisa estar preso a uma delas. Muitas vezes é possível buscar aplicar o melhor de cada uma.

De acordo com Ângela Mendonça as Tendências Pedagógicas se caracterizam da seguinte forma:
Tendência Liberal Tradicional: Cultiva o intelecto desconectado da realidade social, dá ênfase nos estudos clássicos e dos grandes mestres. O ensino é feito pela transmissão dos conteúdos acumulados ao longo da história.
Tendência Liberal Renovada: tendência que revolucionou o tradicionalismo da educação brasileira. Para ela o educando é o centro e o responsável pelo conhecimento. O seu objetivo é atender as diferenças individuais enfatizando os processos mentais e habilidades cognitivas.
Tendência Tecnicista: é inspirada nas teorias behavioristas e traz como verdade absoluta a neutralidade científica e a transposição dos acontecimentos naturais da sociedade. Ela nega os fatores determinantes sociais e tem como principio a racionalidade e a eficiência. Acredita no aprender fazendo.
Tendência Progressista Libertadora: sustenta os objetivos sociopolíticos da educação e propõe uma análise crítica da realidade social.
Tendência Progressista Libertária: tem início a partir dos anos de 1980 com a volta dos exilados políticos. Ela busca formar uma escola realmente democrática e inclusiva. Apresenta a ideia do projeto político-pedagógico como forma de identificação política que atenda aos interesses locais e regionais

Dentre as tendências citadas acima, se destaca a Progressista Libertadora. Também conhecida como pedagogia de Paulo Freire, ela vincula a educação à luta e organização de classes. Segundo Gadotti, para Paulo Freire era importante que a classe dos oprimidos pudesse adquirir uma nova estrutura do conhecimento que permitissem a eles reelaborar e reordenar seus próprios conhecimentos e buscar novos. Desta forma, Paulo Freire pretendia a elaboração de uma consciência crítica para libertar os oprimidos da exploração econômica e social. Esta tendência se sobressai, pois ultrapassa os limites da pedagogia e atinge o âmbito político e econômico da sociedade.

Através da educação à distância, o curso de Licenciatura conduz à reflexão sobre a utilização da prática docente no ensino das teorias geográficas. Além de proporcionar ideais de atividades que mais tarde poderão ser utilizadas nas práticas de estágio e até mesmo na vida profissional. No final desta etapa a instituição de ensino busca promover um contato maior entre os estudantes de licenciatura e as escolas. Através de uma pesquisa de campo, a disciplina Pesquisa e Prática Pedagógica II trabalha o tema “A formação crítica e reflexiva do educador”.

Segundo Nóvoa (1995), a formação do professor não se constrói por acumulação de conhecimentos e cursos, mas através do trabalho de reflexão crítica sobre suas práticas. Para Dewey (1993), este profissional deve ser intelectual, reflexivo e crítico.  O mesmo afirma que o professor deve definir sua ação reflexiva como “sendo uma ação que implica uma consideração ativa, persistente e cuidadosa daquilo em que se acredita ou que se pratica à luz dos motivos que justificam e das consequências a que conduz”.

Em suma o professor deve ser constituído por diversos componentes. O ato de ensinar deve ser conduzido por uma capacidade de análise que vai articular o conteúdo científico, o conteúdo pedagógico e outros saberes. Para tanto o profissional da educação deve buscar expandir sua capacidade de análise para aperfeiçoar e qualificar sua ação em sala de aula.

2.2.3. Terceiro Período
No terceiro período houve uma interação constante entre a teoria da Geografia e a prática docente. Os conceitos geográficos são apresentados durante as aulas e nos módulos. Em seguida as atividades solicitam reflexão e pesquisa para que se possa entender como o conceito estudado poderá ser transposto em sala de aula.

Este período é de dedicação aos conhecimentos geográficos. Através da Cartografia se entende a necessidade e a importância da representação do espaço geográfico. Aprende-se a ler e interpretar mapas. Na disciplina Geografia Política são estudadas as organizações dos territórios ao longo da história; são compreendidas as relações entre território e poder e seus importantes conflitos. Voltando à Geografia Física as últimas disciplinas do terceiro período são Geologia e Hidrografia. A primeira pesquisa a evolução e a dinâmica dos aspectos físicos do planeta. A segunda estuda as bacias hidrográficas e a utilização dos recursos hídricos.

As tarefas desenvolvidas nesse período foram práticas e envolveu a construção de maquetes, pesquisa sobre estrutura política do Brasil, sem falar no enriquecedor debate sobre a transposição do rio São Francisco. Esta última possibilitou a busca por informações e o estudo sobre o tema polêmico, tão falado, mas pouco explicado no cotidiano, além de ouvir outros pontos de vista e opiniões.

A atividade de Cartografia, organização de dados e representação dos mesmos em gráficos e mapas temáticos, não foi bem explorada. Porém, esta deficiência foi minimizada na atividade orientada de Geologia e de PPP III. Pois, os conhecimentos de Cartografia foram utilizados em Geologia para a confecção da maquete e em PPP III para elaboração de um projeto de intervenção escolar. A etapa da disciplina de Pesquisa e Prática Pedagógica III se destacou, pois novamente leva os discentes de licenciatura a pesquisar e buscar interagir com a realidade escolar. A atividade propôs uma reflexão e discussão sobre o ensino da Geografia nos anos finais do Ensino Fundamental. Para finalização foi elaborado um projeto de intervenção, com o tema: Cartografia.

Para iniciar esta tarefa foi necessário consultar os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental. Com essa pesquisa foi compreendido que o objetivo do ensino fundamental é possibilitar ao aluno a leitura e a compreensão do mundo. Para tanto a Cartografia vem ensinar a linguagem gráfica, as formas de representar e interpretar o espaço. Essas informações somadas à observação da realidade da escola e as informações dadas pela professora da instituição foi suficiente para dar início à atividade.

O projeto de intervenção sugeriu uma atividade na qual os alunos da escola visitada, pudessem compreender, de forma prática, a importância da Cartografia na vida da sociedade. Também desenvolver competências no cálculo de escalas cartográficas e habilidades na confecção de mapas. E, além de tudo, utilizar uma proposta que desmistificasse a crença de que entender e se localizar através do mapa é difícil e complicado.

A conclusão deste período formou sólidos conhecimentos teóricos, e algumas inquietações sobre a necessidade e a complexidade de fazer com que aja, realmente, o aprendizado. O período seguinte traz no seu planejamento a preparação para a primeira experiência de estágio.

2.2.4 Quarto Período
Para um profissional que deseja estar preparado para enfrentar os desafios da carreira, o estágio é uma oportunidade de aprendizagem indispensável. Ele proporciona a assimilação entre teoria e prática, o acadêmico conhece a realidade do dia a dia da atividade profissional que escolheu.

Pensar sobre a formação do professor supõe analisar um processo longo e complexo, ainda mais quando se discute a aplicação da teoria na prática.  Certamente a melhor maneira de vivenciar esse processo durante a licenciatura, seja ela presencial ou à distância, é com a realização do estágio.

O papel da teoria é oferecer aos professores perspectivas de análise para compreender os contextos históricos, sociais, culturais, organizacionais e de si mesmo como profissionais, nos quais se dá sua atividade docente, para neles intervir, transformando-os. Daí é fundamental o permanente exercício da critica as condições materiais nas quais o ensino ocorre (PIMENTA; LIMA, 2004).

Na docência, o estágio deve servir para instigar o espírito crítico e conscientizar o professor sobre o seu papel de transformador social. Desta forma: “a prática de estágio na Geografia não pode ser entendida apenas como um cumprimento da grade curricular, mas sim contextualizado e comprometido com a transformação social, unindo formação profissional e pessoal, responsabilidade individual e social” (SAIKI E GODOI, 2007). O projeto de intervenção, anteriormente citado, se transforma em um projeto de estágio. Este material foi preparado para atender a disciplina de Estágio Supervisionado I (ESP I), com o foco nas atividades e conteúdos aplicáveis nas séries do terceiro ciclo do ensino fundamental.

O projeto de estágio é uma ferramenta de planejamento e elaboração de todas as ações que serão executadas pelo estagiário durante a sua prática. O objetivo desta ferramenta é trazer segurança ao estudante e proporcionar uma ação educativa eficaz.

A tarefa de Pesquisa e Prática Pedagógica IV (PPP IV) consistia no planejamento e na aplicação de oficinas em uma instituição ensino. O tema principal foi: Geografia e Cidadania. Os subtemas foram: As desigualdades socioeconômicas no Brasil; Desigualdades sociais e raciais no Brasil; A biodiversidade do Cerrado e A distribuição regional da indústria no Brasil. Com estes trabalhos foram discutidos itens como ética, respeito mútuo, justiça e solidariedade.

A atividade, citada no parágrafo anterior, encerra o período com o objetivo de expor as nuances entre Geografia e a formação do cidadão. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Geografia autorizam a abordagem de temas transversais visando uma educação para a cidadania.

Nesta atividade os futuros professores puderam aperfeiçoaram sua formação. Pois foi possível aliar o conteúdo de disciplina Geografia a valores democráticos e sociais.

2.2.5 Momentos Finais
No quinto período foram preparadas as oficinas para o projeto de estágio II. O segundo estágio deveria ser realizado no ensino médio.  Este novo público permitiu um aprofundamento maior sobre as características de aprendizagem do adolescente.

Com estas considerações e observando que os educandos já possuem características que norteiam suas opiniões e personalidade, o material destinado a esse estágio teve como tema a Crescimento Populacional no Mundo e no Brasil.

No último período uma disciplina, contribuiu para uma formação mais completa do futuro docente.  Com o decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005 ficou instituído que:

Art. 3o A Libras deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de ensino, públicas e privadas, do sistema federal de ensino e dos sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Desta forma a instituição de Educação a Distância inclui no seu currículo a disciplina LIBRAS. Afinal, o conteúdo sobre a educação das pessoas surdas e sua forma de se comunicar trouxe uma reflexão maior sobre a necessidade da educação inclusiva.

A realidade de uma educação para todos ainda é um desafio em nosso país. Pois a realidade aponta para um grande número de excluídos do sistema educacional. O direito à educação é garantido pela constituição e independe de gênero, etnia, classe social ou apresentação de alguma deficiência. Esforços devem ser feitos para garantir a universalização do ensino.

O subtítulo “Momentos Finais” refere - se apenas aos momentos que antecedem o recebimento do diploma de Licenciado. Pois para o professor de Geografia os estudos, o aperfeiçoamento e a aprendizagem nunca chegam ao final.

2.2.6. Aprendizado através das Saídas de Campo
A saída de campo é muito importante para a formação do Professor de Geografia. Elas são atividades acadêmicas externas à sala de aula e proporcionam aos estudantes a visualização da teoria e o desenvolvimento de habilidades como: a observação, a interpretação e análise do espaço.

No decorrer do curso de licenciatura em questão, foram realizadas várias saídas de campo. Algumas tinham com objetivo apenas a observação e análise, outras pediam a coleta de material para elaboração de algum trabalho disciplinar.

A realização destas atividades requeria a seguinte organização:
- Planejamento: escolha do local, levantamento de bibliografia, organização do roteiro, distribuição de tarefa para os grupos.
- Saída de Campo: os grupos equipados de seus instrumentos para observação e coleta de dados (Exemplo: roteiro de entrevistas, máquina fotográfica, filmadora, roteiro de observações, planilha para desenho etc.) cumprem o roteiro de trabalho pré-estabelecido.
- Sistematização: a organização das informações e registros realizados deve ser realizada em sala de aula, com a coordenação dos professores das disciplinas envolvidas. 2.3. DIALOGANDO SOBRE OS TEMAS TRANSVERSAIS
Os temas transversais, de acordo com o Ministério da Educação (MEC) são: “temas que estão voltados para a compreensão e para a construção da realidade social e dos direitos e responsabilidades relacionados com a vida pessoal e coletiva e com a afirmação do princípio da participação política. Isso significa que devem ser trabalhados, de forma transversal, nas áreas e/ou disciplinas já existentes”.

Desta forma, é possível entender que os temas transversais são assuntos, temas que não pertencem especificamente a nenhuma disciplina. Mas, por sua abrangência atravessam todas elas como se a todas pertencessem. Como objetivo principal a transversalidade pretende usar temas integrantes de áreas convencionais, para relacioná-las às questões atuais orientando, desta forma o aprendizado e a formação cidadã.

A formação do professor de Geografia utilizou durante todo seu percurso, a inserção e o trabalho com temas transversais.

Para a execução das propostas transversais foram elaborados projetos e trabalhos didáticos que integraram as disciplinas curriculares. Entre os temas utilizados no curso podem ser citados:
- Geografia e Cidadania – Este tema foi trabalhado durante o quarto período, e possibilitou a integração de disciplinas como: Geografia da Indústria, Geografia da População, Biogeografia e - Geografia Econômica. Sendo assim o estudante pode refletir sobre os conhecimentos da geografia que afetam de forma positiva ou negativa as ações de cidadania.
- Globalização e Espaço – nas disciplinas do quinto período foi dado uma atenção para discutir as diversas formas que a globalização pode afetar a produção do espaço geográfico. O discente pôde construir estratégias pedagógicas para a discussão desse tema durante a realização do estágio supervisionado.
- Consciência Ambiental – Consolidou as teorias estudadas durante o período e também durante o curso. E levou a reflexão sobre a importância do conhecimento e do ensino da geografia para construção de uma consciência verde e de um equilíbrio ambiental.

Existem vários temas e diversas possibilidades de trabalhar temas que envolvam muitos aspectos da vida em sociedade. A forma de trabalhar a transversalidade possibilita ao estudante perceber que o conhecimento é único, que os assuntos e as disciplinas conversam entre si. Essas ações no âmbito da educação podem promover resultados positivos com a mudança de atitudes e práticas pessoais e profissionais. 3.   CONCLUSÃO
Enfim, é possível formar um professor de Geografia crítico e reflexivo?

Durante todos os períodos conceitos da ciência geográfica e da educação foram interligados. A teoria e a prática andaram lado a lado buscando formar um docente capaz de refletir e analisar suas próprias ações.

O ensino a distância exige do discente uma postura diferenciada. Neste contexto ao estudante de licenciatura foi solicitado atitude, pesquisa e reflexão.

Então, para a formação de um professor de Geografia crítico e reflexivo é preciso ter uma estrutura institucional, ter mestres capacitados. Mas acima de tudo é preciso ter licenciandos comprometidos com sua formação.

Analisando esta experiência é possível dizer que sim. Através deste curso foi possível formar um professor crítico e reflexivo.

Contudo o futuro professor de Geografia deve saber que a prática de ações reflexivas irá determinar sua identidade profissional, desenvolver suas habilidades conectivas e reforçar seu papel social como educador.

4.   REFERÊNCIAS

ALVES, L; NOVA, C. Educação a Distância: Uma Nova Concepção de Aprendizagem e Interatividade. São Paulo, Futura, 2003.
CHAVES, E. Educação a Distância: Conceitos Básicos. Disponível em: www.engenheiro2001.org.br. Acessado em: 15/11/2011.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996.
SILVA, T. Quem Escondeu meu Currículo Oculto. In: Documento de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte, Autêntica, 1999.
GADOTTI, M. Pensamentos Pedagógicos Brasileiros. São Paulo: Ática, 1998.
PIMENTA, S. LIMA, M. Estágios e Docência. São Paulo: Cortez, 2004.
NÓVOA, A. Os Professores e a sua Formação. 2 ed. Lisboa, Don Quixote, 1995.
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Geografia. Brasília: MEC/SEE, 1997.
BRASIL. Decreto n º5626/05, de 20 de dezembro de 2005.
MENDONÇA, A. Análise das Tendências Pedagógicas na Educação. Disponível em: < www.mp.go.gov.br > Acessado em: 27/11/2011

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Taisa Fonseca Novaes Santana

por Taisa Fonseca Novaes Santana

- Mestranda em Educação pela Universidad del Salvador ; Licenciada em Geografia pela FTC EAD; Especialista em Docência do Ensino Superior pela Fundação Visconde de Cairu e Bacharel em Turismo pela Faculdade Turismo da Bahia .

Portal Educação

PORTAL DA EDUCAÇÃO S/A - CNPJ: 04.670.765/0001-90 - Inscrição Estadual: 283.797.118 - Rua Sete de Setembro, 1.686 - Campo Grande - MS - CEP 79002-130