Metodologias educacionais trabalhadas com as pessoas surdas

Na Antiguidade os sujeitos surdos eram rejeitados pela sociedade
Na Antiguidade os sujeitos surdos eram rejeitados pela sociedade

Educação e Pedagogia

30/11/2011

APRESENTAÇÃO
 
Na Antiguidade os sujeitos surdos eram rejeitados pela sociedade, eram isolados nos asilos para que pudessem ser protegidos, pois eram vistos como “anormais” e não podiam ser educados. Ou seja, esta época foi marcada pela intolerância obscura na visão negativa sobre os surdos, eram vistos como “doentes” e “incapazes”. 
 
Apenas, anos mais tarde as pessoas surdas passam a ser vistas como cidadãs com direitos e deveres de participação na sociedade, porém, ainda, sob uma visão assistencialista e excluída.
 
É pela história que surgem as informações, trazendo as discussões educacionais das diferentes metodologias. Nesta questão é possível observar que o centro das disputas está ligado à língua, ou seja, se os surdos deveriam desenvolver a aprendizagem através da língua de sinais ou da língua oral.
 
Desta forma, neste trabalho serão apresentadas duas metodologias utilizadas na educação da pessoa surda: Oralismo e Bilinguismo. Definição, aspecto histórico - educacional e características serão levantados para que ao final se conclua qual a mais adequada para realidade da educação de surdos no Brasil.
 
ORALISMO
Esta metodologia acredita que a maneira mais eficaz de ensinar o surdo é através da língua oral, ou falada. Os surdos que utilizam este método de ensino são considerados surdos oralizados.

“... é uma abordagem que visa a integração da criança surda na comunidade ouvinte, enfatizando a língua oral do país.” (GOLDFELD, 1997) O oralismo surgiu na Alemanha durante o século XVIII e é caracterizado pela ideia de que a pessoa surda necessita aprender a falar a língua do seu país para se integrar à comunidade. O objetivo principal é minimizar a surdez “normalizando” as consequências da deficiência auditiva. Esta metodologia não aceita a língua dos sinais ou qualquer outro código gestual, pois acredita que com a utilização delas o surdo irá se acomodar e não despenderá esforço na aprendizagem da língua oral, pois esta sim seria a mais difícil. A educação dos surdos através do ensino da língua oral era defendida por grandes nomes como, por exemplo, Vygotsky.

Segundo ele a rotina de uma criança surda deveria ser organizada de modo que a fala seja necessária e interessante, enquanto a língua de sinais seja esquecida e desnecessária.

No ano de 1880, um Congresso Internacional realizado em Milão, discutiu e avaliou a importância dos métodos utilizados para ensino dos surdos. Como a maioria dos participantes eram educadores ouvintes, ficou decidido, a partir dali, a utilização apenas do método oralista. Este evento marcou a história e um período onde se acreditou que havia uma superioridade da língua oral sobre a língua de sinais.

Após este ano muitas escolas na maioria dos países, adotaram o método oral para os surdos e proibiu oficialmente o uso da língua de sinais. As escolas de surdos passaram a ser um espaço de reabilitação da fala e treinamento auditivo e não um espaço para a educação.

As técnicas utilizadas no método oralista eram:
•         O treinamento auditivo - consiste em estimular, através de aparelhos, a audição para o reconhecimento e discriminação de ruídos ambientais e sons da fala.
•         O desenvolvimento da fala - prática de exercícios para a mobilidade e tonicidade dos órgãos como lábios, mandíbulas, língua, etc. E exercícios de respiração e relaxamento.
•            A leitura labial - treinamento para identificar palavra falada através da decodificação dos movimentos orais do emissor.
  O uso desta técnica possibilitou aos surdos perceberem os aspectos articulatórios dos lábios e da língua. Mas, outros aspectos sonoros como a diferença entre fonemas, a monitoração da própria fala, a percepção da entonação, não foram alcançados por ela. A leitura labial não conseguia ser muito eficiente, pois até para aqueles que a dominavam só era possível perceber apenas 30% do que era falado, o restante era preenchido por intuições.
 
BILINGUISMO

Na década de 1960, William Stokoe faz um estudo linguístico e demonstra que a língua de sinais é equivalentes as que usam a modalidade oral. Este estudo muda a história dos surdos, pois a partir daí eles começam a reivindicar a aceitação da língua dos sinais. Nesta mesma década começa a ser utilizado o modelo conhecido como Comunicação Total, por mesclar a utilização da língua dos sinais à oralização. Ele trouxe o reconhecimento da língua dos sinais que foi desvalorizada e oprimida por quase 100 anos.

Já na década de 1980 é criada no Brasil a Comissão de Luta pelos Direitos dos Surdos e em Pernambuco o centro SUGAV, opta pelo Bilinguismo como metodologia. No final desta década é criada a FENEIS (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos), e é através deste órgão que em 2002 ocorre a oficialização de Libras (Língua de Sinais Brasileira) em todo território nacional.

Como um avanço da Comunicação Total surge a metodologia Bilíngue, que aceita a convivência entre a língua de sinais e a língua falada. O bilinguismo tem como objetivo levar o surdo a desenvolver habilidades primeiramente em sua língua de sinais natural, e depois na língua oral e/ou escrita do seu país.

O Bilinguismo tem como pressuposto básico que o surdo deve ser Bilíngue, ou seja, deve adquirir como língua materna a língua de sinais, que é considerada a língua natural dos surdos e, como Segunda língua, a língua oficial de seu país (...) os autores ligados ao Bilinguismo percebem o surdo de forma bastante diferente dos autores oralistas e da Comunicação Total. Para os bilinguistas, o surdo não precisa almejar uma vida semelhante ao ouvinte, podendo assumir sua surdez. (GOLDFELD, 1997) A filosofia bilíngue acredita que o desenvolvimento cognitivo, afetivo, sociocultural e acadêmico das crianças surdas não depende da audição, mas sim do desenvolvimento de sua língua. Desta forma a língua dos sinais vai propiciar este desenvolvimento linguístico e cognitivo, facilitando o processo de ensino aprendizagem e de leitura e compreensão do mundo em que vive.

Os surdos aspiram pela valorização da língua dos sinais como a primeira língua. Desta forma, acredita-se que o bilinguismo conduza o surdo a um modelo cultural realmente venturoso, havendo a integração plena e o respeito à condição de surdo.

ORALISMO x BILINGUISMO
Durante as pesquisas foram lidos textos informativo sobre cada metodologia e também alguns depoimentos sobre o oralismo, desta forma chegamos à conclusão de que o bilinguismo seja a melhor opção na atualidade.

A oralidade foi muito valorizada durante um longo tempo, porém a busca deste método não era educar e sim “curar” a pessoa surda e fazer com que ele vivesse como um ouvinte. Não havia respeito à diferença, havia o objetivo de tornar todos iguais. De acordo com alguns depoimentos, este método, limita as possibilidades de expressão e compreensão da linguagem. Os surdos oralistas falavam mal e eram pouco compreendidos, principalmente fora do seu círculo familiar. Mesmo com uma fala conquistada com bastante esforço, eles não alcançavam a “normalização” e continuavam sendo marcados pela deficiência. Isso de certa forma, provoca uma discriminação e uma exclusão do convívio social. Muitas vezes ao insistir na oralização, deixa de se aproveitar a riqueza comunicativa expressa pelos sinais e gestos, induzindo a pessoa surda a se fechar, se calar. Para o método bilíngue os surdos formam uma comunidade, com cultura e língua próprias, tendo assim, uma forma peculiar de pensar e agir que devem ser respeitadas. Sendo assim ele respeita a autonomia das línguas de sinais, a experiência psicossocial e linguística do surdo.

Durante a pesquisa tivemos acesso ao seguinte depoimento:
“Aos sete anos, eu falava, mas sem saber o que dizia. Com os sinais (...) tive acesso a informações importantes: os conceitos, a reflexão; a escrita tornou-se mais simples, e a leitura também. (...) Posso reconhecer a cara de uma palavra! E desenhá-la no espaço! E escrevê-la! E pronunciá-la! E ser bilíngue!” (Emanuelle Laborit, 1994)
 
Depois desta leitura é possível perceber que através da aproximação com outros surdos e da aprendizagem da língua de sinais a pessoa surda pode conquistar sua identidade como pessoa não ouvinte e passar a adotar um pensamento positivo frente a sua condição de surdo. A partir daí fazer escolhas para sua vida afetiva, profissional, social e expandir suas relações para a convivência com ouvintes e surdos, sem dependências e de acordo com suas próprias opções.

REFERÊNCIAS:
MÓDULO DA DISCIPLINA LIBRAS. Disponível em: www.ead.ftc.br. Acessado em 24/10/2011.
GOLDFELD, M. A criança surda. São Paulo: Pexus, 1997.
www.slideshare.net. Acessado em 24/10/2011.
www.avozdosurdo.com.br. Acessado em 25/10/2011.
POKER, R. Abordagens de Ensino na Educação da Pessoa com Surdez. Disponível em: http://ava.ead.ftc.br. Acessado em 23/10/2011.
INÁCIO, W. A Inclusão Escolar do Deficiente Auditivo: Contribuições para o Debate Educacional. Disponível em: http://ava.ead.ftc.br. Acessado em 23/10/2011.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Taisa Fonseca Novaes Santana

por Taisa Fonseca Novaes Santana

- Mestranda em Educação pela Universidad del Salvador ; Licenciada em Geografia pela FTC EAD; Especialista em Docência do Ensino Superior pela Fundação Visconde de Cairu e Bacharel em Turismo pela Faculdade Turismo da Bahia .

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