Pedagogia do teatro de animação no processo ensino-aprendizagem

(Foto divulgação) Oficina de Bonecos
(Foto divulgação) Oficina de Bonecos

Educação e Pedagogia

29/11/2011

PEDAGOGIA DO TEATRO DE ANIMAÇÃO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA

Autores: Desiree Silveira e Daniel Reis
Trabalho realizado para: Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI

RESUMO
São muitas as discussões referentes à como desenvolver propostas pedagógicas para alcançar o aluno na contemporaneidade, época em que o educador necessita cada vez mais se apropriar de novas ferramentas e possibilidades na busca de ser não somente um bom mediador de conhecimento, mas também um profissional ativo, criativo, participativo e acima de tudo sensível. 

A proposta deste estudo é analisar o teatro de animação como estratégia pedagógica no processo de ensino-aprendizagem na escola contemporânea tendo como espinha dorsal o processo de autoconhecimento do educador enquanto ser expressivo e criativo, que através do teatro de animação poderá descobrir um leque de propostas interdisciplinares através da Arte.

1 INTRODUÇÃO
Refletir sobre o trabalho do educador através de propostas de ensino aprendizagem na escola contemporânea[1] que incluem o teatro de animação vai além de pensar somente na utilização de bonecos ou outras formas animadas como uma ferramenta pedagógica. O teatro de animação contempla um conjunto de técnicas e processos com grande caráter expressivo diretamente ligado ao exercício criativo.

Na escola, o teatro de animação é pouco referenciado, talvez porque esta linguagem tem sido mais estudada e desenvolvida nos últimos 15 anos, diferentemente do teatro e bonecos no qual temos registros desde a antiguidade. Na escola encontramos mais referências de atividades voltadas ao teatro de bonecos, teatro de sombras ou fantoches.

Na realidade, quando falamos em teatro de bonecos, fantoches ou sombras, estamos falando de uma única linguagem teatral: o teatro de animação. Segundo Ana Maria Amaral (1996) “O teatro de formas animadas, ou teatro de animação, é um gênero teatral que inclui bonecos, máscaras, objetos, formas ou sombras, representando o homem, o animal ou idéias abstratas”.

O teatro de animação vem para englobar uma infinidade de técnicas nos quais recursos visuais inanimados ganham vida através da intervenção de uma ou mais pessoas que cumprem o papel de atores-manipuladores. AMARAL (1996) explica que “o teatro de formas animadas pode ser considerado uma evolução do teatro de bonecos. Mas é uma forma teatral mais ampla, na qual o boneco é apenas uma, entre outras, de suas formas”. Este estudo busca analisar o teatro de animação como estratégia pedagógica no processo de ensino-aprendizagem na escola contemporânea.

Ao vivenciar exercícios de teatro de animação (manipulação, confecção, animação) o educador percebe como há entrega e expressão do que somos nesse tipo de atividade, proporcionando que a grande mágica torne-se concreta, objeto de trabalho e reflexão, podendo se tornar uma ferramenta pedagógica em que a arte cumpre seu papel de ter funcionalidade e de exercitar a mente humana. 2 TEATRO ANIMAÇÃO COMO EXERCÍCIO DE ARTE CONTEMPORÂNEA

Ao pensarmos na arte contemporânea automaticamente pensamos em uma arte conceitual e cada vez mais focada no processo de produção, na interação e na constante experimentação. Segundo AMARAL (1996) “o teatro de formas animadas é experimental por excelência, a experimentação é o dominador comum a todos os grupos que o professam”.  

O teatro de animação tem ligação direta com o público visto que a imagem é muito forte neste recurso teatral. A imagem, com sua forte característica semiótica, antecipa qualquer outra forma de comunicação e é de uma carga sensível inesgotável e segundo BALARDIM (2004): “O teatro de animação é, por excelência, simbólico. O objeto manipulado torna-se símbolo, pois a manipulação visa imbuir o objeto de propriedades que ele não possui”.

Também pelo aspecto semiótico, metafórico do teatro de animação podemos inseri-lo diretamente na arte contemporânea, porém no teatro de formas animadas diferentemente de outras linguagens artísticas de cunho imagético, nesta linguagem é o movimento que constrói sua essência, e não a imagem em si, e é no movimento que entra o papel do educador enquanto ferramenta do processo.

Na escola, o uso qualitativo das atividades de teatro de formas animadas está diretamente ligado ao trabalho do educador, enquanto mediador desta forma de expressão baseada em uma atmosfera criada para comunicar idéias ou sensações em tempo real, ao vivo, porém totalmente imerso na ilusão. 3 O TRABALHO DO EDUCADOR COM AS FORMAS ANIMADAS

Aprimorar a forma de comunicar conteúdos, ou de estimular atividades artísticas através do teatro animação vem a se tornar um diferencial enquanto recurso pedagógico.  Porém, esta atividade reflete em um processo em que o educador irá transpor sua carga interpretativa e comunicativa a um corpo alheio ao seu, corpo através do qual irá simular a vida.  Este processo é um diferencial na busca para o autoconhecimento e para o desenvolvimento criativo.

Sabemos que o ator-manipulador que trabalha com as formas animadas adquire bons resultados através de uma prática exaustiva, aqui o foco não é pensar ou tornar o professor um ator-manipulador de bonecos, mas sim, estimulá-lo a exercícios sensoriais com bonecos e a participar de um desafio perceptivo. O processo do educador no trabalho com o teatro de animação está baseado na percepção e passa pelo conhecimento sensível.

A origem da expressão conhecimento sensível está relacionada à estética, cuja termologia se origina, por sua vez, na concepção grega que evoca aisthetic, do verbo aisthesis que significa o conhecimento sensível, a possibilidade de conhecer mediante as sensações e os sentidos. (PILLOTTO p. 39, 2004)

É necessário que o educador entenda o processo de produzir ânima[2], de simular um complexo autônomo. Ao vivenciar exercícios de animação de formas o educador percebe como há entrega e expressão do que somos neste tipo de atividade, e a partir daí, a grande mágica torna-se concreta, objeto de trabalho e reflexão, podendo se tornar uma ferramenta pedagógica. Nos exercícios de manipulação de formas animadas fica evidenciado que o participante primeiro conhece através da sensibilidade.

Ao desenvolver atividades de teatro de animação, além de auto-avaliação o educador poderá visualizar inúmeras possibilidades de aplicação desta linguagem visando à expressão, a arte enquanto produção e canal comunicativo e interdisciplinar. Neste aspecto então, é quando o teatro de animação cumpre sua função enquanto ‘Arte para a Educação’, seu papel de ter funcionalidade e de exercitar a mente humana também nas salas de aula e nas escolas contemporâneas. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O exercício de sensibilização às formas animadas, parte da idéia de que o educador ao conhecer e experimentar técnicas de teatro de animação terá ferramentas para enriquecer sua metodologia de ensino através de uma expressão artística que envolve diversos campos da arte, como a sonoplastia, a plástica e a dramatização. Mas para que o teatro de animação se torne parte de uma metodologia eficaz, é preciso que o educador explore suas ferramentas, através de práticas que exercitem o seu poder criador, que agucem sua percepção e sensibilidade.

Ainda são poucas as referências de estudo sobre a pedagogia do teatro de animação, até mesmo referente ao teatro de bonecos. As publicações focadas na educação são escassas no Brasil e referências voltadas ao processo do educador ao utilizar-se desta ferramenta como recurso pedagógico não se encontra nenhuma publicação relevante. Existem alguns educadores trabalhando os bonecos nas aulas de Arte e na Educação Infantil em trabalhos realizados diretamente com o aluno, porém não se encontram referências sobre este objeto de estudo aqui analisado, que propõem a idéia de que educadores de todas as áreas podem utilizar o teatro de animação em sua proposta pedagógica.

Acreditar que o teatro de animação pode atingir o aluno sensibilizando em primeiro lugar o educador é possível, pois desenvolve um método que retoma ao processo educativo contemporâneo um mundo de possibilidades por nós talvez já esquecidos em nosso passado infantil e naturalmente animista; Um mundo no qual criamos situações inusitadas, onde tudo é possível e lúdico, onde o trabalho é resultado de um grande jogo no qual somos participantes diretos e construtores de toda linguagem, onde o cognitivo se desenvolve através da percepção e sensibilização.

Quando o educador se permite esta viagem ao autoconhecimento e ao entendimento do processo do teatro de animação como ferramenta pedagógica vê que tem aplicação não só para a criança, mas também para jovens e adultos, e que suas possibilidades interdisciplinares são inesgotáveis, além de potencializar a atuação do educador no processo de ensino-aprendizagem.

 
REFERÊNCIAS
AMARAL, Ana Maria. Teatro de formas animadas. 3. Ed. São Paulo: Edusp, 1996.
AMARAL, Ana Maria. O ator e seus duplos. Máscaras, bonecos objetos. São Paulo: SENAC, 2002.
BALARDIM, Paulo. Relações de vida e morte no teatro de animação. Porto Alegre: Edição do autor, 2004.
PILLOTTO, Sílvia, S.D. Conhecimento Sensível: uma contribuição para o aprendizado humano. In:  SCHRAMM, M. L. K, CABRAL, PILOTTO. S.D (Org.) Arte e o ensino da arte Teatro, música e Artes Visuais. 1ª Ed. Blumenau: Nova Letra, 2004.
[1] Entende-se por escola contemporânea aquela em que as propostas educacionais acompanham as constantes mudanças sociais e culturais da atualidade.
[2] Palavra originada do latim que significa: alma, vida.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Desirée Leslie Silveira

por Desirée Leslie Silveira

Arte -educadora e Artista Plástica, trabalha no ensino Fundamental e na Formação de Professores com pesquisa na área de Pedagogia e Teatro de Animação.

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