Separação conjugal e filhos pequenos

O impacto da separação conjugal atinge toda a família
O impacto da separação conjugal atinge toda a família

Psicologia

18/12/2011

O impacto da separação conjugal, atinge toda a família, em especial os filhos, quando ainda são crianças. Apesar deste processo, ser uma situação de crise, caracterizada por perdas, mudanças e sofrimento, a criança tem mais chances de desenvolver um psiquismo saudável, em um ambiente seguro, livre de tensões, discussões, desentendimentos e desavenças. É de extrema importância que os pais, mesmo separados, possam auxiliar seus filhos neste processo de separação tão ameaçador para uma criança.

São diferentes as dificuldades pelas quais os filhos passam, tais como: lidar com a saída do pai ou da mãe, adaptações necessárias em virtude das mudanças (residência, rotina, padrão de vida, etc.) e ainda a percepção em relação à luta dos pais contra sentimentos de culpa, raiva, frustração, fracasso e ansiedade. Esta luta entre o casal dificulta a disponibilidade afetiva aos filhos, impedindo ainda a existência de um ambiente estabilizador e continente. A criança acaba desenvolvendo sintomas de desamparo, culpa, confusão, raiva, entre outros.

Sem dúvida é um processo que não é superado da noite para o dia, nem por nenhuma das partes, porém, através de alguns ajustes necessários e manejos, é possível o enfrentamento para a superação progressiva, com menos prejuízos e danos. O processo inicial é o mais delicado e certamente exige mais de cada um dos membros, mesmo quando parece ser algo impossível de ajuste e manejo. Em virtude da fragilidade emocional é comum o sofrimento em ambos os cônjuges sofram.

Geralmente aquele que fica com a guarda das crianças, sente-se sobrecarregado e com muitas responsabilidades para administrar e dar conta em um só momento. É importante que a rede de apoio possa ser ampliada, através da família, amigos e outras pessoas que possam ajudar no cuidado com os filhos. Para o cônjuge que sai de casa, as dificuldades podem estar relacionadas a sentimentos de perda, falta de continuidade, culpa, confusão, distanciamento dos filhos e nova moradia.

No caso de filhos ainda bebês, é importante atentar ao fato da necessidade da continuidade na relação, para que o vínculo possa ser estabelecido. O vínculo se desenvolve na medida em que o progenitor participa e compartilha da rotina diária e dos cuidados da criança. Muitos homens consideram-se inadequados para o papel de cuidador, principalmente quando deixaram para a mãe esta tarefa da criação dos filhos e desta forma, se distanciam do relacionamento. 

O perigo desta fase corresponde à possibilidade do pai perder o contato com os filhos e a mãe desenvolver uma relação de intenso apego com estes, não permitindo espaço ao mesmo. A psicoterapia pode auxiliar os cônjuges na redefinição dos vínculos que devem ser transformados, possibilitando aos mesmos o reconhecimento de que um relacionamento de copaternidade beneficiará a eles e aos filhos, bem como na superação da crise provocada pela separação conjugal. É importante ressaltar que os filhos sofrem, independente da idade e do estágio que se encontram. Quando maiores, ou seja, na idade pré-escolar, já são suficientemente crescidos para perceberem o que está acontecendo, porém, ainda inexiste a adequada capacidade emocional para lidarem com o rompimento. São crianças que desenvolvem sentimentos de pesar, abandono, tristeza, saudade e culpa, porém ao mesmo tempo, conservam fantasias de reconciliação.

Cabe salientar a importância dos ajustes e manejos estabilizadores, para que a criança possa se sentir amada e segura, portanto, ficam as seguintes dicas:
- Os pais devem conversar com seus filhos sobre a separação conjugal, procurando transparecer certa naturalidade, para que a situação não seja entendida pela criança como algo ameaçador e catastrófico;

- Visando uma melhor adaptação à situação, é importante que os pais possam preparar seus filhos para todas as mudanças decorrente do processo;

- Possibilitar que os filhos possam de alguma forma manifestar suas emoções, seja através de reviver a situação por meio de histórias, desenho, jogos ou brincadeiras. Isso é importante para o processo de elaboração e aceitação.

 - É importante que os filhos possam ter um plano bem definido de visitação e contato com o pai ou a mãe que saiu de casa. Esta definição estabiliza e organiza as fantasias da criança de abandono e desamparo, proporcionando condições favoráveis a percepção de que ainda é amada e protegida.

- É importante que os pais possam separar os sentimentos do casal e ter em mente que independente da fragilidade e da culpa, os limites e regras na educação dos filhos são essenciais para um ambiente organizador e seguro. Em virtude da limitação da disponibilidade afetiva em momentos de crise, os pais acabam compensando a relação com os filhos, através do “afrouxamento” das regras e limites.

- Evitar situações de conflito e discórdia na frente das crianças. Discussões favorecem a desorganização emocional contribuindo para que a criança seja ainda mais reativa perante a situação.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Vanessa Ebeling

por Vanessa Ebeling

Psicóloga Clinica - Especialização em Psicoterapia de Técnicas Integradas pelo Instituto Fernando Pessoa ( em curso ) . Experiência na área hospitalar com pacientes oncológicos e pediátricos. Experiência clinica com dependentes químicos e pacientes em situação de crise. Atuação clinica em consultório particular: atendimento individual, familiar e casal. Grupos educativos e terapêuticos.

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