Pneumonia associada à ventilação mecânica em pacientes internados

Os pacientes intubados perdem a barreira natural
Os pacientes intubados perdem a barreira natural

Fisioterapia

21/06/2012

1. INTRODUÇÃO
A Pneumonia Associada a Ventilação Mecânica (PAVM) é a mais importante e comum infecção que acomete os pacientes críticos ventilados mecanicamente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI). A PAVM é a infecção que ocorre após 48 horas a partir da intubação orotraqueal (IOT), que não estava incubada no período da admissão do paciente, e 72 horas após a extubação (FERRER, R., 2001).

Os pacientes intubados perdem a barreira natural entre a orofaringe e a traqueia, eliminando o reflexo da tosse e promovendo o acúmulo de secreções contaminadas acima do cuff podendo levar a colonização da árvore traqueobrônquica e a aspiração de secreções contaminadas para vias aéreas (VA’s) inferiores (LIMA; PACE; MEDEIROS; VIRGÍNIO, 2007).

O diagnóstico de PAVM é baseado em critérios clínicos e radiológicos, como a presença de infiltrados novos e persistentes, temperatura > 38,3°c, leucocitose ou leucopenia e secreção traqueobrônquica purulenta ou um destes (COLLARD; SAINT;MATTHAY, 2003). Ainda há muita divergência quanto aos critérios mais adequados para o diagnóstico da PAVM, dificultando a prevenção desse evento.

Assim, o presente estudo objetivou de forma geral pesquisar referências a cerca da temática Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM), e teve como específicos comparar o tempo de intubação com a incidência de pneumonia associada e verificar a intervenção fisioterapêutica respiratória no paciente com PAVM.

2. MATERIAL/MÉTODOS
Foram pesquisados estudos sobre a temática nas bases de dados informatizadas disponíveis na internet acessadas nas bases dedados da Literatura Latino Americana em Ciência da Saúde (LILACS) e Scientific Eletronic Library Online (SciELO). Para busca de informações sobre a temática foram utilizados os descritores ventilação mecânica e pneumonia associada à ventilação mecânica, fisioterapia e pneumonia. O recorte temporal incluiu trabalhos publicados a partir do ano de 2000.

Os critérios de inclusão foram artigos que versam sobre a temática PAVM e artigos científicos que relatam a intervenção fisioterapêutica nesse tipo de patologia. Dessa forma, foram incluídos trabalhos com abordagem direta e indireta do tema, em sua totalidade na língua portuguesa, incluindo artigos originais e artigos de revisão. E os critérios de exclusão foram artigos em inglês e artigos publicados antes do ano 2000.

Nesse estudo foi realizado um levantamento bibliográfico sobre o assunto em questão, que posteriormente, foi analisado e sintetizado com a finalidade de fazer uma relação entre pensamentos de diferentes autores. 3. DISCUSSÃO
Em relação ao tempo de intubação e a incidência de PAVM, Rocco e Guimarães (2006) constataram que, de um total de duzentos e setenta e oito pacientes, cento e seis desenvolveram PAV com apenas quatro dias de VM. Silva e col. concluíram em seus estudos que o tempo médio para o aparecimento de PAVM foi de 5,4 dias após a intubação.

Carmo e Azevedo, baseado em um estudo realizado em Boston, apontaram que a extubação precoce com necessidade de reintubação também está relacionada ao aumento de incidência de PAVM e mortalidade, devendo ser evitada sempre que possível. Para Ferrer, a PAVM ocorre entre 48 horas a partir da intubação e 72 horas após a extubação. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (2007), a PAVM ocorre 48 a 72 horas após a IOT e é considerada precoce quando ocorre até o quarto dia de IOT e ventilação e tardia quando ocorre após o quinto dia, sendo que o risco é maior na primeira semana de ventilação mecânica.

Em relação à atuação fisioterapêutica no paciente com PAVM, Jerre, Beraldo e Silva (2007) afirmam que a fisioterapia respiratória atua na prevenção da PAVM. Essa prevenção é feita quando se realiza técnicas que objetivam a remoção de secreções combinando as técnicas de vibrocompressão e aspiração endotraqueal no paciente em VMI.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do estudo pudemos observar que os autores concordam que a relação intubação e PAVM está intimamente associada, uma vez que pacientes internados na UTI e que têm a necessidade intubação apresentam a infecção entre os 5 primeiros dias do uso de VM. Afirmam que ela ainda é responsável pelo alto índice de morbimortalidade de pacientes críticos. Em relação a intervenção fisioterapêutica no paciente com PAVM, pudemos observar que a fisioterapia respiratória atua de forma satisfatória, tanto no que se refere a prevenção, como no reestabelecimento desse paciente no pós alta.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CARVALHO, Carlos Roberto Ribeiro de; TOUFEN JUNIOR, Carlos; FRANCA Suelene Aires. Ventilação mecânica: princípios, análise gráfica e modalidades ventilatórias. III Consenso de Ventilação Mecânica. Jornal Brasileiro de Pneumologia.;N.33(Supl 2):p.:S 54-S 70.2007. Disponível em:< http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S180637132007000800002&script=sci_arttext> Acesso: 10/04/2012
FERRER, R. Artigas A. Clinical review: non-antibiotic strategies for prevention ventilator- associated pneumonia. CritCare, 2001;cap. 6 p.45-51.
Disponível.em:<http://rd.springer.com/staticontent/0.3993/pdf/863/art%253A10.1186%252Fcc1452.pdf?token=133544553897597b7dbd2948d968a2e36b24ac01bc3d63c27b39b812b8e8b4328f5f201e258b0e987243a47752cce9ff7ff5fd3fd041f4e46e00c322d58feb750df9ceba58c9a&doi=10.1186/cc1452&contentType=article > Acesso em:10/04/2012
GUIMARÃES, Márcio Martins De Queiroz; ROCCO, José Rodolfo. Prevalência e prognóstico dos pacientes com pneumonia associada à ventilação mecânica em um hospital universitário. Jornal Brasileiro de Pneumologia.N.32p.339.346.,2006..Disponívelem:<http://www.jornaldepneumologia.com.br/PDF/2006_32_4_13_portugues.pdf> Acesso: 10/04/2012
JERRE, George Marcelo, ET al.. Fisioterapia no Paciente sob Ventilação Mecânica. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. (III Consenso Brasileiro de Ventilação Mecânica) Vol. 19 N.3, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0103507x2007000300023&script=sci_arttext>Acesso: 09/04/2012
LIMA, Fabíola Mariana Rolim de, et al. Pneumonia associada a ventilação mecânica: prevenção e fatores de risco gerais. Disponível em: <http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/respiratoria/pneumonia_fabiola.htm> Acesso: 02/04/2012
LORENZI FILHO, G. et al. . Mecanismo de defesa pulmonar. In: Auler Júnior JOC, Amaral RVG, organizadores. Assistência ventilatória mecânica. São Paulo: Atheneu; 2008 p. 63-73. Primeiro artigo.
MARTINO, M.D.V. Infecções do trato respiratório inferior. In: Levi CE, organizador. Manual de microbiologia clínica aplicada ao controle de infecção hospitalar. São Paulo: APECIH; 1998. p. 3-10).Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/microbiologia/introducao.pdf Acesso: 10/04/2012.
MOREIRA, Michele Ferreira. Incidência de falha e sucesso no processo de desmame da ventilação mecânica invasiva na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Revista Científica Indexada Linkania Júnior. N.1. p 1-26, set.2011.Disponível,em:<http://www.linkania.com.br/index.php/junior/article/view/9> Acesso: 27/03/2012
National Nosocomial Infections Surveillance (NNIS) System Report, data summary from January 1992 through June 2004, issued October 2004. Division of Healthcare Quality Promotion, National Center for Infectious Diseases, Centers for Disease Control and Prevention, Public Health Service, US Department of Health and Human Services .Atlanta, Georgia. Vol.32, N.8.2004 Disponível em: <http://www.cdc.gov/nhsn/PDFs/dataStat/NNIS_2004.pdf> Acesso: 10/04/2012
OLIVEIRA, Mariana Machado de, et al. Análise comparativa do tempo de internação e do tempo de uso da ventilação mecânica entre idosos e adultos jovens. Revista Movimenta ISSN: 1984-4298 Vol 3 N 4 2010 Disponível;em:<http://www.nee.ueg.br/seer/index.php/movimenta/article/viewDownloadInterstitial/491/354> Acesso em: 27/03/2012
POMBO, Carla Mônica Nunes et al. Conhecimento dos profissionais de saúde na Unidade de Terapia Intensiva sobre prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica. Revista Ciência & Saúde Coletiva, N.15(Supl.1):.p.10611072,.2010.;Disponível.em:<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141381232010000700013&script=sci_abstract&tlng=pt>Acesso:10/04/2012
RICCI, Mirian. Incidência de pneumonia nosocomial em uma Unidade de Terapia Intensiva Geral de Cascavel Paraná. 94f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em fisioterapia) - UNIOESTE, Cascavel, 2005. Disponível em:<http://www.unioeste.br/projetos/elrf/monografias/2005/pdf/mirian.pdf>Acesso: 10/04/2012.
ROES E, Cláudia Adegas. Comportamento da Mecânica Pulmonar após a Aplicação de Protocolo de Fisioterapia Respiratória e Aspiração Traqueal em Pacientes com Ventilação Mecânica Invasiva. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. N.19. p.170-175, abr. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103507X2007000200005&script=sci_arttext> Acesso: 10/04/2012
SILVA, Rosemeri Maurici da; SILVESTRE, Mariana de Oliveira; ZOCCHE, Tamara Liana; SAKAE, Thiago Mamôru. Pneumonia associada à ventilação mecânica: fatores de risco. Revista Brasileira de Clínica Médica. São Paulo, N.9p.5-10.2011. Disponível em:<http://files.bvs.br/upload/S/1679-1010/2011/v9n1/a1714.pdf > Acesso: 10/04/2011

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Sana Caroline Rios da Silva

por Sana Caroline Rios da Silva

-Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Maranhão - UEMA (2010); - Está cursando Fisioterapia na Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão - FACEMA referente ao 8º semestre no turno Noturno (2012); - Atuou como estagiária voluntária na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Caxias - APAE/CAXIAS no setor de Fisioterapia na reabilitação neurológica infantill (2011/2012) -

Portal Educação

PORTAL DA EDUCAÇÃO S/A - CNPJ: 04.670.765/0001-90 - Inscrição Estadual: 283.797.118 - Rua Sete de Setembro, 1.686 - Campo Grande - MS - CEP 79002-130