Educação Permanente em Saúde: um aliado na consolidação do SUS

Artigo por João Alves Pereira - sábado, 16 de março de 2013

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A EPS é uma estratégia de reorganização do SUS
A EPS é uma estratégia de reorganização do SUS
A Prática Educativa em Saúde, devido ao seu potencial transformador faz parte do projeto político que visa intervir na realidade e, consequentemente, contribuir para a transformação social, política e econômica do país através da atuação na saúde.


Inserida em um contexto de transformação das práticas assistenciais em saúde no Brasil, a Educação Permanente em Saúde (EPS) é defendida como uma das estratégias de reorganização do Sistema Único de Saúde (SUS), e como estratégia com capacidade para contribuir para a formação e o desenvolvimento de profissionais de saúde através de abordagens metodológicas dialógicas e democráticas.


A EPS, de acordo com o conceito defendido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), pode ser definida como “a educação pelo trabalho, no trabalho e com o trabalho”, ou seja, é qualquer procedimento que envolva a reflexão sobre o processo de trabalho ou fazer cotidiano, do profissional ou da equipe, e que gere a busca de conhecimento para solução de problemas concretos, em uma prática concreta ou real.


Assim, a inserção da EPS na cultura institucional, com vistas a uma contribuição efetiva para a transformação do modelo assistencial, requer o desenvolvimento de práticas educativas que visem à resolução de problemas concretos, em um processo de autoavaliação da equipe, com o objetivo de alcançar alternativas para transformação do processo de trabalho e, com isso, atingir resultados mais efetivos e eficazes. Contudo, a EPS não exclui a participação do usuário, considerado o foco de todas as ações, e preconiza que o profissional tenha o domínio sobre os seus saberes profissionais específicos para uma prática responsável.


A EPS pressupõe o processo de trabalho como o lócus gerador de aprendizado. Assim, a busca do conhecimento pelos profissionais ocorre a partir da identificação e da necessidade de resolver os problemas vivenciados no cotidiano do trabalho. Também preconiza a avaliação dos resultados alcançados.


A proposta da EPS parte do pressuposto de que é no trabalho que o sujeito coloca em prática a capacidade de autoavaliação, de investigação, de trabalho em equipe, de identificação da necessidade de novos conhecimentos. Considera que é no cotidiano que o trabalhador identifica os temas para os quais precisa de aperfeiçoamento ou atualização, em uma perspectiva de transformação do seu saber e do seu fazer.


A EPS se diferencia da Educação Continuada (EC), por apresentar conceitos e fazeres novos, que se distanciam dos processos educacionais tradicionais caracterizados por uma educação autoritária e que formam profissionais que estabelecem relações profissional-usuário-comunidade autoritárias e diretivas.


Nesse sentido, devido às suas potencialidades, a EPS poderia se tornar um instrumento efetivo para a transformação das práticas profissionais na Atenção Básica em Saúde da Família. Sobretudo práticas educacionais entre profissionais de saúde e entre estes e a comunidade. A EPS assume dimensões metodológicas, organizacionais e estratégicas com potencial para impactar no propósito de consolidação do SUS.

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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

colunista

João Alves Pereira

Enfermeiro. Graduado pela Unimontes (2009). Especialista em Atenção Básica em Saúde da Família pela UFMG (2014).

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