Complicações no Pós-operatório Imediato

A hipotensão pode ser devida a disfunção cardíaca
A hipotensão pode ser devida a disfunção cardíaca

Enfermagem

05/12/2012

O enfermeiro circulante ou o anestesiologista notificam informações referentes à cirurgia, incluindo qualquer complicação que o paciente possa apresentar. O aspecto mais importante da intervenção de enfermagem é a observação e a monitorização rigorosas do paciente durante a fase da emergência anestésica. Após uma cirurgia é comum o paciente passar por vários desconfortos, dentre eles os mais comumente encontrados nas cirurgias de médio e grande porte são:

Respiratória

A prioridade nos cuidados ao paciente pós-anestesia é estabelecer a perviedade das vias aéreas. Uma causa muito comum de obstrução das vias aéreas é a língua, que se relaxa devido ao agente anestésico e aos relaxantes musculares usados durante a cirurgia. O paciente pode apresentar roncos, retração dos músculos intercostais, movimentos assincrônicos do tórax e abdômen e uma redução do nível de saturação de oxigênio. A ação que a enfermagem toma pode ser tão simples quanto à estimulação para que o paciente respire profundamente. Se o paciente não estiver responsivo pode precisar abrir a via aérea pela inclinação do queixo ou pela abertura da boca. A inclinação do queixo é realizada pela suspensão deste com uma das mãos, enquanto inclina-se a fronte para trás com a outra. A abertura da boca pela mandíbula é obtida pelo deslocamento da articulação temporomandibular na direção bilateral.

Se estas ações não abrem a via aérea, uma via aérea artificial pode precisar ser inserida. Tanto a via aérea oral como a nasal podem ser usadas. Uma via aérea oral está indicada para uso em pacientes que não respondem; uma via aérea nasal está indicada para pacientes que estão despertos porque é mais bem tolerada por um paciente consciente.

Em certas situações como a apnéia, intubação com ventilação pode ser requerida. Se a intubação é impossível, o paciente pode precisar de um traqueostomia, embora isto seja raro.

Uma complicação muito séria que pode ocorrer na URPA é o laringoespasmo. Os músculos da laringe contraem-se e obstruem a via aérea parcialmente ou completamente. O laringoespasmo geralmente se deve a uma via aérea irritável. As ações de enfermagem incluem e redução de estímulos irritantes, a hiperextensão da cabeça do paciente, a oxigenação é possivelmente a administração de um aerosol com adrenalina racêmica. Em muitos casos, a ventilação por pressão positiva deve ser administrada por máscara e ambu. Se os sintomas permanecerem por mais de um minuto e não forem aliviados pela pressão positiva, a administração de um relaxante muscular é necessária. A intubação é indesejável e é usada somente como último recurso.

O broncoespasmo é uma obstrução da via aérea baixa causada pelos espasmos dos tubos bronqueais. Os broncodilatadores inalados são a terapia de primeira escolha para estes pacientes, seguidos pela aminofilina EV. A adrenalina e a metilprednisolina também podem ser administradas em alguns casos.

Cardiovascular
A instabilidade do sistema cardiovascular é um achado frequente depois da cirurgia. Problemas comuns incluem hipotensão, hipertensão e disritmias.

A hipotensão é experimentada por cerca de 3% dos pacientes no pós-operatório. A hipotensão tem sido definida com uma pressão arterial menor que 20% do nível basal ou que a pressão do pré-operatório. Muitas vezes os sinais clínicos de hipotensão são mais confiáveis como um indicador, especialmente no paciente com apenas um registro de pressão no pré-operatório. Os sinais clínicos podem incluir pulso rápido e filiforme, desorientação, sonolência, oligúria, pele fria e pálida.

O débito cardíaco e a resistência vascular determinam a pressão arterial. A hipotensão pode ser devida a disfunção cardíaca como infarto do miocárdio, tamponamento, embolia ou medicações, incluindo agentes anestésicos. Neste caso, o coração não está bombeando muito eficazmente. O oxigênio e estimulantes cardíacos serão usados quando necessário, também com monitoração hemodinâmica.

A hipovolemia reduz o débito cardíaco e pode ser causada pela hemorragia, desidratação, ou aumento da pressão positiva expiratória final. A reposição de líquidos e/ou sangue é usada para tratar a hipovolemia. Se o paciente está com hemorragia no local da cirurgia, está indicado o retorno à sala de cirurgia.

A resistência vascular reduzida pode estar relacionada com as medicações, anestesia geral e local, ou anafilaxia. A vasodilatação pode ser tratada com líquidos vasopressores ou elevação das pernas do paciente. As reações anafiláticas são tratadas com adrenalina, anti-histaminas e líquidos adicionais.

A hipertensão arterial sistêmica é geralmente definida como uma pressão arterial maior que 20% do nível basal do paciente ou do pré-operatório. Se novo, os sinais clínicos são os mais importantes indicadores da gravidade da hipertensão. A cefaléia, alterações do estado mental e dor subesternal são todos indicadores de danos a um órgão fim.

A hipertensão assinstomática é uma ocorrência comum na URPA e geralmente é considerada como inofensiva. A solução é determinada, geralmente, pela causa. A pressão arterial elevada faz causar aumento da tensão na parede ventricular, pós-carga e trabalho miocárdio. O paciente com uma história de doença cardíaca corre risco de resultados adversos.

A hipertensão pode ser devida ao volume pré-carga ou edema pulmonar, que causa um aumento do débito cardíaco. Neste caso, dá-se diurético ao paciente, faz-se restrição de líquidos e o paciente é monitorizado hemodinamicamente.

Outras causas de hipertensão são a dor e a ansiedade, hipotermia, hipoxemia, hipercardia e distensão vesical, todos os quais causam aumento na resistência vascular. Os pacientes com dor são medicados e os pacientes com hipotermia são aquecidos. Os pacientes são bem oxigenados e ventilados, se necessário, para melhorar a hipoxemia ou hipercarpnia. Os pacientes são estimulados a urinar ou são cateterizados para esvaziar toda a bexiga.

Drogas anti-hipertensivas são usadas, quando necessárias, para controlar a pressão arterial, os pacientes devem retomar os medicamentos anti-hipertensivos prescritos no pré-operatório tão logo quanto possível após a cirurgia. Aos pacientes de cirurgia ambulatorial, bem como aqueles internados, deve ser permitido tomar seus anti-hipertensivos prescritos no dia da cirurgia.

Uma causa comum de disritmia
Uma causa comum de disritmia posterior à cirurgia é a sinus taquicardia (uma frequência maior que 100 no adulto). Causas frequentes incluem dor, hipoxemia, hipovolemia, aumento da temperatura e ansiedade. A causa subjacente é tratada. Propranolol, mesoprolol, ou esmolol podem ser dados. A sinus bradicardia (frequência cardíaca menor que 60 no adulto) também é uma causa comum de disritmia na URPA. A causa inclui hipoxemia, hipotermia, anestesia espinhal alta, estimulação vagal e algumas medicações que são dadas comumente durante a cirurgia. A causa subjacente é tratada. Atropina é a droga de escolha para aumentar a frequência cardíaca, e geralmente nenhum outro tratamento é requerido. Marcapasso temporário ou permanente pode algumas vezes ser requerido.

As contrações vasculares prematuras (CVPs) são representadas pela visualização de um complexo QRS largo e bizarro. As causas mais comuns no período pós-operatório são hipoxemia e hipocalemia. Aquelas condições subjacentes são tratadas. Muitas vezes, se a doença cardíaca ou hipotensão não está presente, as CVPs não requerem medicação. Se a intervenção é requerida, a lidocaína mantém-se como a droga de escolha.

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