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Aprender a filosofar ou aprender a filosofia: Kant ou Hegel?


30 de maio de 2009


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Aprender a filosofar ou aprender a filosofia? Esta é uma questão que se põe de forma incontornável sobre as possibilidades do ensino da filosofia. Se essa tarefa é desejável, de imediato uma outra pergunta decorre: de que forma e mediante quais métodos ou instrumentos é possível aprender a filosofar ou aprender a filosofia? Estas questões não traduzem apenas uma preocupação pedagógica do ensino da filosofia, mas envolvem, também, uma forma de se pensar e de realizar a própria filosofia.

Afinal, o que é propriamente filosofia? Esta é, para o desconsolo de muitos, uma das questões mais emaranhadas e que acompanha o próprio pensamento filosófico durante o longo trajeto histórico da sua constituição. Não pretendo aqui abordar esse assunto, não só porque não é o objetivo deste texto, como também não me sinto autorizado a fazê-lo de forma satisfatória. Apenas quero ressaltar que, no caleidoscópio conceitual da filosofia, um sentido fortemente consensual parece impregnar o conhecimento filosófico: é desejável que ele seja crítico, pois, assim, não se deixa dormitar na senda das verdades dogmáticas, como também se afasta da vala comum das visões de mundo simplistas e ingênuas. Ao mesmo tempo, é bom que a filosofia se apresente como um conjunto sistemático de idéias com rigor conceitual e especificidade terminológica.

O presente artigo pretende mostrar uma dupla perspectiva do ensino da filosofia proposto de forma disjuntiva: aprender a filosofar ou aprender a filosofia, representada, respectivamente, por Kant e por Hegel. A análise dessa questão será desenvolvida dentro do contexto da filosofia kantiana, nela destacando três aspectos: a) o ideal de perfectibilidade do gênero humano; b) o preceito da Aufklärung do pensar por si mesmo e o exercício crítico da razão, e c) a necessidade da coação como instrumento para o cumprimento do caráter normativo da conduta humana. Estes aspectos serão, também, abordados na filosofia de Hegel, bem como as suas conseqüências para o ensino da filosofia, e da possibilidade de uma escolha não disjuntiva de uma ou de outra perspectiva.



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