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Planejamento, planejar e planos

Artigo por Colunista Portal - Educação - segunda-feira, 23 de junho de 2008

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Comumente, no cotidiano da escola, planejamento, planejar e planos são traduzidos como sinônimos. No entanto, é relevante repensar os conceitos porque são eles que determinam a nossa opinião, a postura que temos frente aos acontecimentos, pois são concepções, argumentações para justificar as escolhas que realizamos.

Ao falar em educação escolar essa questão se torna praticamente decisiva, pois caso não tenhamos um planejamento, ou seja, se não planejarmos seremos inevitavelmente planejados por alguém. Esse alguém poderá ser o livro didático, outro colega do campo do conhecimento no qual atuamos, colegas que nos antecederam e que muitas vezes criticávamos exaustivamente. O processo de construção da escola se diferencia neste aspecto, ou seja, pela forma de como se pensa, isto porque “pensar é transgredir”. Tenho assistido muitos relatos de estagiários de cursos de licenciatura, bem como de alunos estagiários do Curso Normal, testemunhando a importância do planejamento bem elaborado, discutido, reavaliado. As verbalizações mais freqüentes são de que “o que favoreceu, o que me ajudou muito na minha primeira experiência como professora, foi o planejamento. Me senti mais segura.”

Mas, o que entendemos por planejamento?

O planejamento é o pensamento. Quando ainda estamos definindo nossas compreensões, quando estamos a pensar no que realizar para construir uma prática que responde as intencionalidades pretendidas, é apenas pensamento. Não optamos ainda, calculamos a diferença entre uma e outra proposta de ação, trocamos idéias e estamos na fase que, no meu entender, define a prática de sala de aula. Esse momento é inevitável, pois não dá para fugir desse processo, no entanto, a centralidade desse momento está em ter, e quando necessário buscar subsídios teóricos e práticos para que o pensamento possa de modo amplo e restrito, dar importância ao que vamos realizar. Essa a razão básica, pela qual os professores que encaminham estagiários, solicitam que realizem observações das turmas dos alunos, antes de planejar suas intervenções.

As escolas de modo geral, organizam no início do ano letivo a Semana de Planejamento, ou as reuniões de planejamento, o que é muito coerente porque “o planejamento parte de uma leitura de nosso mundo no qual é fundamental a idéia de que nossa realidade é injusta e de que essa injustiça se deve à falta de participação em todos os níveis e aspectos da atividade humana. (GANDIN, 1995, p.28) A discussão do referencial a ser assumido pelo coletivo, ou seja, pelo grupo é imprescindível quando desejamos um processo educativo que contribua para significação de práticas mais conseqüentes e solidários. Isto porque, o exemplo ensina. Trabalhar coletivamente na escola é também conteúdo, é uma forma de ensinar o respeito às idéias dos outros, a convivência, a solidariedade e a socialização.


O que sabemos sobre planejar?

Objetivamente planejar significa tomar decisões. Que decisões? Que escolhas? O que privilegiar e por quê? Essas questões fundamentam as práticas que realizamos, porque escolhemos aquilo que sabemos, acreditamos, apostamos. É um momento extremamente rico. Importa, porém, destacar que essas escolhas não são definitivas. Elas poderão ser ampliadas, mudadas, recontextualizadas com leituras, estudos e experiências outras. Larrosa (2002, p.21) propõe que sejamos capazes de efetivamente vivenciar a experiência. “Experiência é o que nos acontece, nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. Cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece.” É necessário reconhecer que juntos podemos explorar melhor esta possibilidade.

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