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Abordagens: Ativa, Passiva e Construtiva

Artigo por Dorgival Pereira da Silva Netto - sábado, 24 de agosto de 2013

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Animação é uma estratégia para aperfeiçoar os métodos didáticos
Animação é uma estratégia para aperfeiçoar os métodos didáticos
Segundo Piaget (1973, p. 69), os métodos didáticos utilizados pelo professor ao ministrar os conteúdos é de fundamental importância para despertar o interesse e desenvolver o aprendizado dos seus alunos, pois os alunos precisam sentir-se motivados a aprender. É necessário que o professor facilite o aprendizado do aluno, de tal modo que, os alunos reconstruam seus esquemas de comportamento e interiorizem os assuntos mediados pelo professor e, consequentemente, construam o conhecimento.


Utilizar-se de animações é uma estratégia para aperfeiçoar os métodos didáticos e, consequentemente, o aprendizado dos estudantes.


De acordo com Simões: considerando o processo de ensino-aprendizagem, é pressuposto que não se pode aprender a programar apenas lendo um livro, sendo a programação uma habilidade que deve ser desenvolvida com muita prática e observação, pois até mesmo os melhores programadores estudam outros trabalhos, e acabam incorporando essas observações ao seu dia-a-dia. (2000).


Segundo Garcia, De Rezende e Calheiros: os livros-texto e aulas convencionais que abordam as estruturas de dados utilizam-se de mecanismos que vão além da descrição em (pseudo) linguagem de programação, como ilustrações”. Entretanto, o excesso dessas ilustrações, quando vistas estaticamente, contribui muito pouco para aumentar a compreensão dos algoritmos, dado que além das informações que estão sendo descritas, há uma grande quantidade de comunicação implícita na ligação entre as imagens. (1997, p. 71-80).


Esta ligação pode ser mostrada através da animação gráfica de tais imagens, melhorando a comunicação da informação ao aluno ao deixar as relações entre as imagens explícitas.


Como afirma Garcia, De Rezende e Calheiros (1997, p. 71-80), “uma forma de animação de algoritmos é dada quando se assiste a um filme” ou segundo Brown (1987), “à execução de uma sequência pré-programada de eventos”. Segundo Garcia, De Rezende e Calheiros, essa abordagem é denominada passiva: pois o usuário se comporta como mero espectador e ela é útil para a complementação de livros-texto e aulas. Uma limitação clara, no entanto, está no fato de o usuário não poder testar novos conjuntos de dados e ter que ficar limitado aos conjuntos a ele fornecido. (1997, p. 71-80).


Para suprir esta restrição (Brown, 1991; Stasko, 1990; Amorim e De Rezende, 1993), introduziram facilidades para que seus usuários pudessem fazer as suas próprias experiências, direcionando o andamento do algoritmo. Segundo Garcia, De Rezende e Calheiros (1997, p. 71-80), tal abordagem é denominada ativa. Lawrence, Badre e Stasko (1994) relataram resultados positivos para o uso desta abordagem em uma experiência realizada com o ambiente Polka[1]. Estes resultados confirmam que “a abordagem ativa é mais poderosa, pois se tem uma participação maior por parte do usuário”.


Segundo Rezende e Garcia (1996, p.291-299), “na abordagem passiva, o aluno apenas usa as animações, já na abordagem ativa, o aluno cria suas animações”.


Garcia, De Rezende e Calheiros (1997, p. 71-80), acrescentou um nível adicional de participação do aprendiz no processo de animação, onde na fase de implementação são realizadas algumas chamadas a rotinas gráficas de alto nível para visualização tanto das estruturas de dados quanto das atuações dos algoritmos implementados para manipulação delas. Esta nova abordagem foi denominada construtiva.


Essa abordagem é muito superior as abordagens citadas anteriormente. Na abordagem construtivista, existem mecanismos para facilitar os processos de compreensão, autocorreção e abstração. Já que nesse ambiente o usuário pode visualizar animações de algoritmos que ele mesmo constrói o que torna mais fácil a identificação de erros.

[1] Polka: http://www.cs.sunysb.edu/~algorith/implement/xtango/implement.shtml

REFERÊNCIAS:
AMORIM, R. V.; DE REZENDE, P. J. Compreensão de Algoritmos através de Ambientes Dedicados a Animação. XX Semish, 1993.

BROWN, M. H. Algorithm Animation. The MIT Press, 1987.

BROWN, M. H. Zeus: A System for Algorithm Animation and Multi-View Editing. Proc. IEEE Workshop on Visual Languages, 1991.

GARCIA, I. C.; DE REZENDE, P. J.; CALHEIROS, F. C. (1997). Astral: Um Ambiente para Ensino de Estruturas de Dados através de Animações de Algoritmos. In Revista Brasileira de Informática na Educação. Florianópolis: SC, Volume. 1, p. 71-80.

LAWRENCE, A. W.; BADRE, A. N; STASKO, J. T. Empirically Evaluating the Use of Animations to Teach Algorithms. Technical Report GIT-GVU-94-07, Computer Science Department, 1994.

PIAGET, J. 1973. Estudos sociológicos. Rio de Janeiro, Forense. p. 69.

REZENDE, Pedro J. de; GARCIA, Islene Calciolari. Ensino de Estruturas de Dados e seus Algoritmos Através de Implementação com Animações. In: Congreso Iberoamericano de Educacion Superior en Computación, 1996, México. Memoria V Congreso Iberoamericano de Educacion Superior en Computación. México: Universidad Nacional Autónoma de México, 1996. p. 291-299.

SIMÕES, Priscyla Waleska Targino de Azevedo. et al. Desenvolvimento de um Aplicativo para Apoio ao Ensino de Listas em Disciplinas de Estruturas de Dados. In: Seminário de Informática. Torres, 2007. Disponível em: <http://www.seminfo.com.br/anais/2007/pdfs/6-35260.pdf>

STASKO, J. T.; Xtango: A Framework and System for Algorithm Animation. Computer, 23(9): 14-36, sep 1990.
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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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colunista

Dorgival Pereira da Silva Netto

Mestrando em Informática pelo Programa de Pós-Graduação em Informática da Universidade Federal da Paraíba (PPGI). Graduado em Licenciatura em Ciência da Computação pela UFPB (2012). Desenvolve atividades na área de Informática na Educação e Engenharia de Software.