Dificuldades de leitura e produção textual: Um fato real


Falta de produção textual nas séries iniciais
Falta de produção textual nas séries iniciais
INTRODUÇÃO

Nas ultimas décadas vem se percebendo uma grande deficiência no processo de leitura-compreensão e produção de textos por partes de nossos jovens que estão integrando-se nas universidades brasileiras e concorrendo em exames classificatórios.

Uma grande parcela de nossos jovens não conseguem produzir ou até mesmo interpretar alguns textos de caráter acadêmicos. Isso por que até ha algumas décadas, a leitura consistia no simples reconhecimento de letras, sílabas e palavras.

As pessoas se preocupavam com uma boa pronúncia ao ler, bloqueando, muitas vezes, seu entendimento sobre o conteúdo adquirido, ou seja, não saindo da primeira etapa do processo de leitura, não iam muito além do domínio de pronúncia. Com relação a esta temática Lajolo (1991, p.59) argumenta que ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto.

É, a partir de um texto, ser capaz de atribuir-lhe significação, conseguir relacioná-lo a todos os outros textos significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entregar-se a esta leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo outra não prevista.

Portanto faz-se necessário que professores e educadores proponham aos seus discentes atividades que provoquem reflexão sobre os textos lidos; que se discutam temáticas transversais, que se explorem os diferentes níveis linguagens e tipos de textos, para que possamos preparar nossos jovens para uma futura vida acadêmica.

A escola é sem dúvida uma das maiores responsáveis hoje pela inserção da linguagem denominada culta na sociedade, através de seus métodos e meios de ensino. Mas o que ocorre muitas das vezes é que uma grande parcela dos professores, ainda estão alienados a um vocabulário arcaico, vivenciado por eles em seu processo de formação, e isto por certo implicará na formação linguística de seus futuros alunos.

Segundo Scoz (1994, p. 151) isto evidencia-se a necessidade de capacitar esses profissionais para que compreendam com mais clareza o processo de aprendizagem dos alunos e possam caracterizar o que de fato se configura como problema de aprendizagem. Além disso, outro fator leva os alunos a sentirem dificuldades na compreensão e produção de texto nas universidades, é a falta de base no que diz respeito à produção textual nas escolas, lê-se pouco, e produz-se muito menos ainda.

Segundo Cagliari (1993, p.148), "a grande maioria dos problemas que os alunos encontram ao longo dos anos de estudo, chegando até a pós-graduação, é decorrente de problemas de leitura." Daí os PCN's defenderem a ideia de que além da escuta, leitura e produção de textos, parece ser necessária a realização tanto de atividades epilinguísticas, que envolvam manifestações de um trabalho sobre a língua e suas propriedades, como de atividades metalinguísticas, que envolvam trabalho de observação, descrição e categorização, por meio do qual se constroem explicações para os fenômenos linguísticos característicos das práticas discursivas.

[...] Por outro lado, não se podem desprezar as possibilidades que a reflexão linguística apresenta para o desenvolvimento dos processos mentais do sujeito, por meio da capacidade de formular explicações para explicitar as regularidades dos dados que se observam a partir do conhecimento gramatical implícito. (1998:78).

Neste contexto, após uma pesquisa com professores que estão cursando o PARFOR (Programa de Formação de Professores), pôde-se constatar através da pesquisa que a maioria dos acadêmicos ainda sentem dificuldades no que diz respeito ao processo de produção e compreensão dos textos com linguagem acadêmica (culta).

Diante da análise, urge a necessidade de responder as seguintes problemáticas: Por que a maioria dos acadêmicos ainda sentem dificuldades em produzir e compreender alguns textos? Que relevância tem o domínio da linguagem culta no processo de produção e interpretação de textos? Que estratégias devem ser tomadas para que possamos amenizar esta situação?

Analisando a problemática tem-se como hipótese que, a falta de base, é o maior problema da não compreensão de alguns textos nas universidades, se produz muito pouco no ensino médio e se exige uma compreensão de textos muito menos ainda, faz-se necessário hoje que se proponha aos alunos que se faça uma leitura crítica dos textos, que se produzam resumos, que se parafraseiem entrevistas, outra hipótese considera que a compreensão leitora varia dependendo de vários fatores, dentre eles o conhecimento linguístico, o conhecimento textual e, por fim, o conhecimento de mundo.

Isto é, se o texto apresenta um vocabulário desconhecido, ou faz uso de uma temática considerada hermética sobre a qual o leitor não possa fazer inferências, sua compreensão será afetada. Quanto menos inferências o leitor for capaz de realizar, menos conhecimento prévio ele denotará possuir. Como consequência, menor será seu nível de compreensão.

Artigo por Jididias Rodrigues da Silva - domingo, 27 de janeiro de 2013.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


colunista

Jididias Rodrigues da Silva

Jididias Rodrigues da Silva

Graduando em Letras - Português e Inglês pela Universidade Federal do Oeste do Pará, curso de extensão pelo Uniseb em Inglês Básico e Fundamentos do ensino de língua estrangeira. Professor de Língua estrangeira na rede municipal de ensino.


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