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Filhos desajustados são reflexos de pais perturbados?


1 de janeiro de 2008


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*Silvana Martani


Nas últimas semanas, um fato monstruoso chocou a população brasileira: um grupo de jovens bem-nascidos, de classe média, estudando em boas escolas, voltando da “balada” resolveram se divertir espancando uma moça que estava no ponto de ônibus em uma via principal do Rio de Janeiro.

Estes jovens não são diferentes daqueles que atearam fogo nos indigentes que estavam dormindo na rua, dos que arrastaram um menino pequeno, depois de roubarem o carro em que estava a criança por sete quilômetros, e tantos outros que, entre “amigos’, somam uma força devastadora que é capaz de tudo. Agora que força é essa?

Falta de limites, pouca orientação e atenção dos pais, famílias desajustadas, maus exemplos, ignorância dos problemas emocionais dos filhos, uso de drogas aliada a idéia de que todos problemas dos jovens são provocados pela adolescência, somam as condições ideais para que problemas graves se manifestem em ações violentas.

Muitos pais têm dificuldade de dar limites a seus filhos, de dizer não, de fazê-lo ouvir, de agüentar suas reações, de suportar suas impertinências, de se impor, de assumir que precisam de ajuda e acabam delegando essa função para a escola ou mesmo deixam o jovem caminhar sozinho.

Na adolescência, os jovens devem exercitar os seus conceitos, suas perspectivas de mundo, suas idéias, suas dimensões de limite, convivências, atitudes, sua força física e emocional, seus sentimentos, inteligência e seus papéis na sociedade.
Nessa fase todas as descobertas são guiadas pelas bases construídas desde a infância que partem da família, escola e amigos.

A personalidade de uma pessoa é a soma de vários sistemas: físicos, fisiológicos, morais e psíquicos que interagem determinando a forma como o indivíduo se adequa ao meio em que vive.  A personalidade é resultado de um processo gradual que vai da infância até a vida adulta, sendo que seu exercício pode-se modificar de acordo com o autoconhecimento.

Os transtornos de personalidade se subdividem em várias classificações tais são as suas variações, mas é sabido que esse tipo de patologia afeta o modo como indivíduo vê o mundo, o comportamento social e a maneira como expressa as emoções, ou seja, caracteriza um estilo mal adaptado, prejudicial, inflexível que é capaz de comprometer toda uma existência.

Os jovens, na adolescência, priorizam a inclusão nos grupos e é sabido que esses refletem e representam escolhas ideológicas e afetivas.
Um jovem desajustado, com uma personalidade comprometida não acorda de manhã dessa maneira, ele mostra que não esta bem a seus pais durante toda a vida, com uma série de atitudes que o denunciam. E porque os pais não enxergam?

É muito difícil para os pais admitirem que seu filho tem problemas, pois estes problemas de alguma maneira, refletem os conflitos emocionais e estruturais dos pais, mas os adultos não são capazes de reconhecer seus problemas os dos filhos...

Os pais são responsáveis pela omissão de cuidados a um filho comprometido psicologicamente, mas isso não acontece de propósito. É resultado de uma conduta de desvalorização dos problemas, ignorância, despreparo, além da possibilidade dos pais serem desajustados.

A adolescência é um período mágico, de descobertas importantes para a formação da personalidade e a doença emocional pode fazer parte desse quadro dificultando ou inviabilizando as experiências positivas desta fase. Os pais devem estar atentos a seus filhos e precisam se certificar que eles estão bem, na dúvida, existem profissionais habilitados a cooperarem e contribuirem nessa tarefa tão difícil que é educar.



*É psicóloga da Clínica de Endocrinologia da
Beneficência Portuguesa de São Paulo.
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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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