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terça-feira, 1 de janeiro de 2008 - 00:00

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A proposta de ensino da filosofia no ensino fundamental e médio.

por: Colunista Portal - Educação

   
Vanja Ferreira

A questão é: como desenvolver um cidadão crítico e autônomo sem desenvolver o pensar reflexivo?

Normalmente, as pessoas crescem aceitando os papéis sociais que lhes são atribuídos, sem jamais questionarem seu valor e seu por quê; como se tudo fosse parte da ordem natural e inevitável das coisas.

Segundo os PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais, o que se espera da escola é que esse paradigma seja quebrado, ou seja, que a escola desenvolva cidadãos críticos e autônomos, e não seres passivos.

Mas o que se vê geralmente é uma escola com explicações prontas, onde as normas são aceitas sem discussão, o que pode levar à estagnação. Disciplinas estanques, engessadas, desarticuladas e desconectadas, com conteúdos distantes da realidade do aluno fazem parte do cotidiano; levando-o a deixar de espantar-se diante das coisas, de interrogá-las e o que é pior, tornando-o uma pessoa pouco exigente, conformada, que aceita explicações prontas.

A escola não está ensinando a pensar, a questionar e a refletir – habilidades que são princípios para a transformação e a permanente possibilidade de mudanças.

As capacidades de analisar, discutir, interpretar, esclarecer e questionar são comportamentos que desenvolvem o “pensar reflexivo”, sem o qual não pode existir um cidadão crítico e autônomo.

Baseado nestas idéias, o pensador norte-americano Matthew Lipman propõe o ensino da Filosofia desde o ensino básico porque acredita que ela oferece um espaço onde os valores podem ser submetidos à crítica. Para ele, tal ensino propicia o desenvolvimento do “pensar bem”, que é o pensar sistemático, metódico, profundo, autônomo, criativo, abrangente ou contextualizado, além de iniciar a criança e o jovem à investigação reflexiva e dialógica.

Lipman defende ainda a necessidade de manter vivo em crianças e jovens o interesse pelas temáticas filosóficas, a criação de referências e de valores humanos importantes, como a verdade, o significado e a comunidade; valores que, articulados e expressivos, podem desenvolver o pensar reflexivo.

A Filosofia na escola desde os anos iniciais desperta a admiração, capta a nossa atenção e interroga-nos insistentemente, exigindo uma explicação sobre todos os temas estudados, seja em qual disciplina for.

Segundo o educador Josué Candido da Silva, a função educativa da Filosofia é desenvolver no jovem uma atitude investigativa, ou seja, fazer uma profunda análise do mundo, de si próprio e do ser humano em geral e ainda desenvolver a razoabilidade (capacidade de produzir acordos, consensos sobre uma verdade, mesmo que provisórios, apesar de termos interesses e condições socioculturais diversas), mantendo, assim, uma situação de diálogo, livre de coerção e apesar da diversidade.

O que se propõe é uma educação para a convivência democrática; para a criação de pessoas com atitudes sociais, que respeitem o outro e que estejam preparadas para considerarem seus pontos de vista e sentimentos a ponto de alterarem suas próprias opiniões a respeito de assuntos de significância e de permitirem conscientemente que suas próprias perspectivas sejam alteradas por terceiros.

Neste sentido, o papel dessa disciplina é o de preencher a lacuna entre o “pensar e o agir”, formando cidadãos que saibam ouvir, dialogar ativamente e, acima de tudo, que tomem decisões e realizem julgamentos, os quais estejam preparados para colocarem em prática.

Josué Candido defende a Filosofia que está preocupada com a produção de mudanças no próprio sujeito; é a Filosofia do “conhece-te a si mesmo” de Sócrates e que tem como função maior oferecer às crianças e jovens a possibilidade de refletir sobre suas formas de pensar, sentir e agir e de submetê-los ao crivo da argumentação dos colegas, como exercício de convivência realmente democrática.

O ensino da filosofia no ensino fundamental e médio tem o papel portanto, de desenvolver no aluno uma “atitude filosófica”, ou seja, uma atitude investigativa, interrogativa, que pergunte o que, como e por que a coisa, a idéia ou o valor é. Contudo, se esta coisa, idéia ou valor existe e como é que é, então, é preciso questionar o que é pensar, como é pensar e porque há o pensar – interrogando sempre a si mesmo, o mundo e as verdades.
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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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