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sexta-feira, 9 de novembro de 2012 - 15:05

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Educação de Surdos: Quais Abordagens foram as mais Relevantes Para o Século XXI?

por: Camila Gois Silva de Lima

Os surdos eram amarrados nas carteiras para que não pudessem gesticular
Os surdos eram amarrados nas carteiras para que não pudessem gesticular
Desde a Grécia Antiga falava-se na questão dos Surdos, se não sabia falar era incapaz de pensar sendo rejeitado na sociedade da época devido a tal pensamento.

Na Idade Média o surdo era considerado treinável, deveria ser oralizado e foi alvo de inúmeras experiências macabras para se saber qual era a causa da surdez, experiências estas que não chegaram a ter sucesso, fazendo com que os médicos e cientistas se “dobrassem” à Língua de Sinais como método e meio de comunicação eficaz, já tardiamente no momento da própria morte.

As abordagens que permearam a educação de surdos foram /são:
Oralismo
Teve seu apogeu após o Congresso de Milão que propôs banir a língua de sinais a todo custo, foram mais de cem anos de opressão que não conseguiram apagar os sinais feitos as escondidas nos mais diferentes recantos de instituições que os recriminavam. Os surdos eram amarrados nas carteiras para que não pudessem gesticular, não esquecendo dos experimentos macabros para tentar banir a surdez do meio social.

Comunicação Total
Esta abordagem dava o direito de utilizar qualquer meio de comunicação como desenho, gestos, mímicas, oralização e a Língua de Sinais, o propósito era fortalecer o Oralismo, contudo os surdos fortaleceram a Língua de Sinais, natural e própria da cultura surda.

Bilinguismo
Abordagem que mais se apropria a cultura surda, pois não recrimina a surdez ao ponto de querer bani-la, reconhece a Língua de Sinais como língua natural dos surdos e propõe o ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa como segunda língua na modalidade escrita.

Dentro das Escolas ditas Inclusivas utilizamos o Intérprete, mas longe de abordar o Bilinguismo, pois ainda falta profissionais para amadurecer a ideia, tal proposta, atinge os ideais surdos, contudo é mais fácil manter um intérprete em sala que formar pessoas para trabalhar com o Bilinguismo visto que na Escola que desejar ser Bilíngue todos os profissionais deverão saber Libras independente da função, ficando assim para o Século XXI apenas a questão da Inclusão (onde os alunos surdos, estão entregues à própria sorte devido a preparação que ainda não há dos professores e mesmo da comunidade escolar para trabalhar com as peculiaridades de cada um) infelizmente em detrimento da Abordagem Bilíngue.

Referência Bibliográfica
HONORA, Márcia, FRIZANCO, Mary Lopes Esteves, Livro Ilustrado de Língua Brasileira de Sinais: desvendando a comunicação usada pelas pessoas com surdez. II Título, São Paulo, Ciranda Cultural, 2009.
Lei Nº 10.436 de 22 de Abril de 2002
CreativeCommons

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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colunista

Camila Gois Silva de Lima

Intérprete de Libras na Rede Estadual de Ensino de Pernambuco, Concluíndo o Curso de Pedagogia pela Universidade de Pernambuco - UPE

Educação e Pedagogia