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A língua brasileira de sinais segue os parâmetros da língua portuguesa?

Artigo por Camila Gois Silva de Lima - sexta-feira, 9 de novembro de 2012

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Libras
Libras
Inicialmente os ouvintes tendem a acreditar que a Língua de Sinais é uma adaptação da Língua Portuguesa, porém estudos comprovam que a Libras teve forte influência da Língua Francesa de Sinais.

No século XIX, com o advento da Família Real Portuguesa no Brasil fundou-se o primeiro Instituto dos Surdos-Mudos no Rio de Janeiro a pedido do então Imperador Dom Pedro II, não que ele estivesse interessado unicamente pela bondade e razão, mas porque sua filha Princesa Isabel concebera uma criança surda.

O primeiro surdo alfabetizado e professor que se tem história no Brasil foi Huet, ex-aluno do Instituto de Paris, a partir dele a Língua Francesa de Sinais chegou ao Brasil e começou a dar forma à Língua Brasileira de Sinais, assim a Libras não teve influência direta de uma língua com modalidade Oral-auditiva, mas sim espaço-visual, concluindo que cada língua tem origens baseadas em outras línguas de mesma modalidade.

A Língua de Sinais Brasileira mais conhecida como Libras, assim como nas línguas orais possui gramática bem como parâmetros que são:

• Configuração de mãos: são formas das mãos que podem fazer parte da datilologia ou não, na maioria das vezes (pelos destros) utiliza-se a mão direita, quando canhoto, a mão esquerda e dependendo do sinal poderá utilizar as duas mãos;

• Ponto de articulação: é o lugar onde a mão configurada é posicionada, podendo ser o espaço neutro, ou alguma parte do corpo;

• Expressão facial e/ou corporal: as expressões faciais e corporais são de fundamental importância para o entendimento do sinal correspondente na língua oral a entonação de voz;

• Orientação/direção: os sinais têm uma direção com relação aos parâmetros já mencionados. Os mesmos estão relacionados à palma da mão.

• Movimento: o sinal pode ou não apresentar movimento.

Os cinco parâmetros podem ser apresentados também por siglas:

CM: configuração de mãos;

PA: ponto de articulação;

M: movimento;

EF/C: expressão facial e corporal;

O: orientação.

O alfabeto datilológico não constitui sinais, mas faz parte das configurações de mãos, assim é errôneo utilizar empréstimos linguísticos a todo o momento e afirmar que está utilizando Libras.

Percebemos então que a Libras não compartilha dos mesmos parâmetros da Língua Portuguesa, ambas são independentes e tiveram suas raízes linguísticas bem diferentes, o que acontece na maioria das vezes são comparações por parte dos ouvintes para melhor entendimento da Libras, daí a concepção que uma é a versão da outra em sinais ou oralidade.

Referências Bibliográfica

HONORA, Márcia, FRIZANCO, Mary Lopes Esteves, Livro Ilustrado de Língua Brasileira de Sinais: desvendando a comunicação usada pelas pessoas com surdez. II Título, São Paulo, Ciranda Cultural, 2009.
CAPOVILLA, F. C.; RAPHAEL, W. D.; MAURICIO, A. C. L. Novo Deit-LIBRAS: Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngue da Língua de Sinais Brasileira (LIBRAS) baseado em Linguística e Neurociências cognitivas.-vol. 1 e 2 São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Inep: CNPq: Capes, 2009. NEPES/SC. Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Surdos.




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colunista

Camila Gois Silva de Lima

Intérprete de Libras na Rede Estadual de Ensino de Pernambuco, Concluíndo o Curso de Pedagogia pela Universidade de Pernambuco - UPE