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2 de outubro de 2008
Só neste mês de setembro, cerca de 60 professores da rede pública estadual de Campo Mourão se licenciaram para tratamento de saúde. Levantamento do Núcleo Regional de Educação (NRE) feito a pedido da reportagem da TRIBUNA, mostra que de janeiro a julho desde ano 266 professores se afastaram das salas de aula, a maioria vítimas de doenças psicossomáticas, ligadas ao estresse.
Salas lotadas, número excessivo de aulas por professor e principalmente a indisciplina dos alunos são as principais causas atribuídas aos problemas de saúde. “Infelizmente tem aumentado a indisciplina dos alunos e isso contribui para aumentar os problemas de saúde do professor. Aquele que enfrenta muitos problemas de indisciplina em determinada turma já sai de casa com uma carga de estresse muito grande”, comenta o chefe do NRE, João Luis Conrado.
Para ele, a indisciplina na escola é resultado da falta de maior comprometimento da família. “Tem pai que vai na escola matricular o filho e só volta no fim do ano para reclamar porque o filho não passou. Ou então quando o filho sofre algum tipo de punição aí ele vai na escola e sabe muito bem reclamar seus direitos”, acrescenta Conrado.
Ele ressalta ainda que é preciso separar indisciplina de criminalidade. “Tem coisas que tem que ser encaminhada diretamente para a delegacia de Polícia. Outras a própria escola pode resolver”, afirma, ao insistir na responsabilidade da família do aluno. “A participação da família é muito importante para acompanhar o que se passa na escola porque a escola existe em função do aluno e não do professor”, observa.
Afastamento de professor por licença médica, segundo Conrado, gera uma série de transtornos no andamento das aulas. “A reposição de outro professor tem que respeitar a classificação no concurso e às vezes isso demora um pouco até entrar em contato e o profissional aceitar assumir as aulas”, pondera, ao afirmar que quando um professor de licencia o aluno perde aulas por dois ou três dias.
Abusos - Se não bastassem os problemas reais de saúde para desfalcar o quadro de professores, Conrado revela ainda que também há casos de abusos, facilitado pela negligência de médicos. “No ano passado tivemos dois casos de licença médica de professores nossos que também davam aula em escola particular. Descobrimos que eles se licenciaram na rede pública mas continuaram dando aulas na rede privada. Estavam doentes para dar aula no Estado mas sadios para dar aula particular”, revelou, ao acrescentar que determinou o retorno dos professores sob pena de abrir um processo administrativo. “Um voltou e o outro pediu demissão”, sintetizou.
Conrado afirma, porém, que casos como esses são isolados e que a maioria dos professores é responsável. “Assim como tem um ou outro que poderia estar trabalhando e pede licença, temos professores tão dedicados que estão trabalhando doentes”, frisa. Ele destaca que alguns estão afastados por doenças crônicas.
Para tentar conter o alto índice de licenças médicas, Conrado diz que a Secretaria Estadual de Educação estuda premiar o professor por assiduidade. Outra medida mais drástica seria fazer com que o tempo de afastamento por licença seja cumprido no fim da carreira do professor. “Sabemos que ele tem direito a licença médica, mas não podemos esquecer do direito do aluno, que não pode ser prejudicado”, comenta o chefe do Núcleo.
Além das licenças médicas e aposentadorias, o quadro de professores também é constantemente alterado pela licença-prêmio, que só este ano foram concedidas a 115 profissionais. Nesse caso, porém, há maior tempo para a organização do calendário nas escolas porque é solicitada no ano anterior. Nas escolas da área de abrangência do NRE de Campo Mourão trabalham cerca de 1.600 professores.
BATE-REBATE
TRIBUNA – Além de licenças médicas, o senhor acredita que tem professor que se candidata a vereador, mesmo sabendo que não tem chances de se eleger, apenas para ficar afastado por três meses da sala de aula sem prejuízo de remuneração?
CONRADO - Se eu acreditar numa coisa dessas estaria admitindo que nosso professor está usando de má fé. Não creio que isso aconteça. O que acontece é que muitas vezes o professor é muito querido em sala de aula e na comunidade onde mora e isso acaba incentivando a se candidatar.
TRIBUNA – Qual a atitude do Núcleo em relação ao caso do Colégio Estadual onde o diretor foi ameaçado de morte e o prédio da escola depredado?
CONRADO – Como já disse, é preciso separar criminalidade de indisciplina. Quando tomamos conhecimento visitei a escola, verifiquei a situação e tivemos audiência ampla com o Ministério Público, delegado, Corpo de Bombeiros, Conselho Tutelar, Comando da Patrulha Escolar. Não acredito que a atitude seja contra a pessoa do diretor, mas tomamos todas as providências.
Valdir Bonete
Fonte: Tribuna do Interior
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