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quarta-feira, 22 de setembro de 2010 - 15:39

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Complexo de Édipo

por: Colunista Portal - Educação

 

               O Complexo de Édipo é de extrema importância para a formação da personalidade da criança. De acordo com Gomes (1998) Freud foi a primeira pessoa a dar importância ao mito do Édipo, que havia sido descoberto há 2400 anos atrás pelos gregos. A primeira definição feita por Freud era o fato de o filho apaixonar-se pela mãe e ter ciúmes do pai, conferindo ao Complexo de Édipo um caráter de universalidade. Assim para Freud (1924, apud GOMES, 1998 p.43):

Deve haver algo que torna uma vez dentro de nós pronta a reconhecer a força compulsiva do destino no Édipo. É o destino de todos nós, talvez dirigir nosso primeiro impulso sexual no sentido de nossa mãe e o nosso primeiro ódio e o nosso primeiro desejo assassino contra nosso pai. Nossos sonhos nos convencem que isto é o que se verifica. Mostra a realização dos nossos próprios desejos de infância.

É durante a fase fálica, no período da vida de cerca de dois anos e meio a seis anos, que segundo Brenner (1987) se constitui a fase edipiana. As relações de objeto que abrangem o complexo edipiano são de grande importância tanto para o desenvolvimento mental normal quanto para o patológico. Freud em seus estudos clínicos descobriu que no inconsciente dos pacientes neuróticos se manifestavam fantasias de incesto com o genitor do sexo oposto, ligadas ao ciúme e à raiva homicida contra o genitor do mesmo sexo. Ele fez então uma analogia com a lenda grega de Édipo, denominando assim esta constelação também em pessoas normais.

Fiori (1981) afirma que:

Se a libido se organiza em torno dos genitais; se há busca de satisfação por meio de uma relação homem-mulher; se essa ligação é desejada e sentida como prazerosa; se a mãe foi o suporte afetivo inicial, é a mulher mais próxima e de quem o garoto mais gosta – a atraco que o menino sentirá pela mãe, com características agora sexuais, será conseqüência natural do processo.

Segundo Fenichel (2000) tem uma grande importância para a formação do Complexo de Édipo tudo o que a criança aprende ou pensa sobre a vida sexual dos pais. Fiori (1981) destaca que os carinhos trocados entre o pai e a mãe são diferentes dos carinhos que a mãe troca com o filho. É com o pai que a mãe se fecha no quarto, enquanto sua mente ainda muito infantil fica fantasiando sobre o que acontece. A criança pode não conhecer o relacionamento sexual, mas em sua fantasia acredita que alguma coisa boa acontece com a mãe, que lhe é proibido, e está sendo realizada pelo pai. Para Brenner (1987) no início do período edipiano a criança, menino ou menina, mantém com a mãe sua relação mais forte de objeto. Ao mesmo tempo, desenvolve-se o desejo de ter com exclusividade seu amor e admiração, o que se relaciona ao desejo de ser como o pai. Esta fase é igual para ambos os sexos. Paralelamente aos anelos sexuais pela mãe e ao desejo de ser o único objeto de seu amor, surgem os desejos de aniquilação ou desaparecimento de quaisquer rivais, ou seja, o pai e os irmãos, pois desejam a posse exclusiva do genitor. A partir daí começa então a se diferenciar o complexo edipiano no menino e na menina.

Aqui discutiremos o que acontece com os meninos. O menino teme que em conseqüência de seus desejos pela mãe, perca seu pênis. O que segundo Brenner (1987) de acordo com os psicanalistas é chamado de castração. A criança passa a observar pessoas reais que não possuem pênis, isto é, meninas e mulheres, e acaba convencendo-se de que a castração é a verdadeira possibilidade. Esses conflitos farão com que a criança reprima seus desejos edipianos no inconsciente. O menino passa a ter uma raiva ciumenta contra a mãe, por ter se sentido rejeitado por ela, assim desperta um desejo de livrar-se dela e de ser amado pelo pai, em seu lugar. Provocando assim, o medo da castração, depois que descobre que ser mulher é não ter pênis, reprimindo então seus desejos.

Segundo Jeammet (2000, p.119):

Permitindo a triangulação, a criança sai de sua relação dual com sua mãe, relação da qual nós temos visto que a criança devia livrar-se progressivamente sob pena de permanecer numa relação em espelho de parasitismo e captação mútua. Designando o pai como objeto de seu amor e de seu interesse, a mãe oferece a possibilidade de um outro modelo diferente dela mesma que seja ao mesmo tempo para a criança, já que amado pela mãe, e assim não a afastando excessivamente dela.

Outro aspecto importante nesta fase que precisa ser mencionado é a questão da masturbação genital, que constitui a atividade sexual da criança. Segundo Brenner (1987 p.124) “tanto a atividade masturbatória quanto as fantasias que a acompanham substituem em grande parte a expressão direta dos impulsos sexuais e agressivos em relação aos pais.” Ao terminar a fase edipiana a masturbação é abandonada, ou bastante diminuída, e só volta a aparecer na puberdade. As fantasias edipianas são reprimidas, mas alguns aspectos disfarçados da mesma subsistem na consciência, como os devaneios familiares da infância, e passam a exercem uma influencia em quase todos os aspectos da vida mental: sobre a atividade criadora, artística, vocacional, entre outras que são sublimadas; sobre a formação do caráter e sobre quaisquer sintomas neuróticos que se possam manifestar no indivíduo.

Além de todas estas influências que o Complexo de Édipo exerce sobre a vida futura do individuo, Brenner (1987) fala sobre a formação superego, a terceira do grupo de funções mentais que Freud denominou como hipótese estrutural do aparelho psíquico. O superego é responsável pelas funções morais da personalidade, ou seja, a consciência incluindo a aprovação e desaprovação de ações e desejos baseados na retidão, auto-observação crítica, a autopunição, exigência de reparação e arrependimento por haver agido mal, auto-elogio como recompensa por ações virtuosas. O núcleo verdadeiro das proibições do superego é constituído pela exigência de que a criança repudie os desejos e sentimentos incestuosos que acompanharam o Complexo de Édipo. Surgem a partir daí as identificações com os pais onde os desejos e os medos da punição são transformados quando a criança percebe que para ser amada precisa ser igual a eles.

  Para Jeammet (2000) a resolução do Complexo Edipiano abre caminho às identificações, em particular com o genitor do mesmo sexo, mas passa pela renúncia da satisfação sexual com o genitor do sexo oposto.

Segundo Fiori (1981) a identificação não é o suficiente para resolver o conflito e afastar o temor da castração. Mesmo identificando-se com o pai, se o desejo pela mãe permanece o conflito continua me aberto. Essa identificação tão útil para um desenvolvimento adequado só resolve um primeiro momento da angústia. Torna-se indispensável renunciar o elemento motor do conflito, a atração pela mãe. Reprimir o amor pela mãe significa reprimir a sexualidade. A energia presente na atração sexual pela mãe fica com a repressão, fica sem forças para se realizar. Assim o amor sexual pela mãe é sublimado para outros tipos de atividades. Essa repressão possui duas conseqüências evolutivas: propicia a sublimação e a entrada no período de latência e cristaliza a constituição do superego.

Costa (2000, p.137) afirma que “apesar de sua retirada da lembrança, estas e outras fantasias infantis, assim como todos os sentimentos amorosos e agressivos com ela relacionados, mantêm-se ativos no inconsciente, presentificando-se na conduta e nas escolhas do adulto”. A qualidade dos vínculos criados no convívio familiar na infância estabelece um padrão de relacionamento na mente do indivíduo proporcionando-o a repetir e recriar, ao longo de sua vida, em diversas circunstâncias. Este modelo infantil de relação culmina por ocasião do casamento quando melhor do que em qualquer outro momento, a pessoa, tem a oportunidade de se tornar protagonista da admirada, invejada e excluente relação dos pais. Portanto, a boa resolução da situação edípica é de extrema importância para que os relacionamentos da infância sejam substituídos por escolhas adequadas na vida adulta.

Autora: Denise Marcon

Psicóloga

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BRENNER, Charles. Noções Básicas de Psicanálise: Introdução à psicologia Piscanalítica. São Paulo: Imago, 1987.

COSTA, Gley, P. A Cena Conjugal. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

___________FIORI, Wagner. R. Capítulo 1: Desenvolvimento Emocional in RAPPAPORT, Clara Regina. Fiori, W.R. Psicologia do Desenvolvimento: A Idade Pré-Escolar. São Paulo: E.P.U, 1981.

GOMES. Cristina, I. O sintoma da Criança e a Dinâmica do casal. São Paulo: Escuta, 1998.

JEAMMET, Philippe. Reynaud, M. Consoli, S. Psicologia Médica. Rio de Janeiro: Medsi, 2000.

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