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quarta-feira, 26 de junho de 2013 - 17:34

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A plasticidade cerebral: conceitos e generalidades

por: Andréa Bogatti Guimarães Tomazela

A plasticidade cerebral determina a nossa existência e desenvolvimento
A plasticidade cerebral determina a nossa existência e desenvolvimento
RESUMO

O presente trabalho teve como objetivo discutir sobre a temática plasticidade cerebral destacando processos biológicos e comportamento humano, contextualizando com algumas anomalias genéticas e transtornos mentais. O psicólogo ao compreender fenômenos que regem a plasticidade cerebral, estimulando-a principalmente em indivíduos portadores de transtornos mentais ou síndromes, busca em processo terapêutico alternativa eficaz para minimização de sintomas antagônicos a qualidade de vida do paciente.


1- INTRODUÇÃO SOBRE CONCEITO E PROCESSOS BIOLÓGICOS ENVOLVIDOS NA PLASTICIDADE CEREBRAL

A plasticidade cerebral, definida como a capacidade do estabelecimento de novas conexões neurais ou sinapses (VILANOVA, 1998), é um tema muito estudado e difundido nas ciências biológicas e humanas por influenciar diretamente às modalidades sensoriais: sensibilidade (voltada ao efeito psicológico) e codificação sensorial (associada ao efeito biológico).

Especificamente, no processo de codificação sensorial, a transdução feita pelos neurônios é estabelecida por meio de sinapses, até que a informação traduzida em potencial de ação atinja região específica do córtex cerebral, perfazendo a retroprojeção: rota desde a captação do estímulo até sua interpretação e resposta (ATINKSON et al. 2002).

Experiências diversas resultantes de processo de aprendizagem e convívio social garantem novas conexões neurais ou sinapses e assim, maior plasticidade cerebral.

Esta profusão de conexões dá ao cérebro crescimento, elasticidade e flexibilidade excepcionais. Considera-se que o número de sinapses em uma camada do córtex visual cresce de 2.500 neurônios no nascimento para 18.000 seis meses depois, alcançando maiores intensidades por volta dos dois anos de idade, permanecendo neste patamar até 10 ou 11 anos (HUTTENLOCHER, 1996 apud PRESTES, 1998).

Dentro deste contexto fica evidente a importância do estudo das modalidades sensoriais pelos profissionais das áreas das ciências humanas, da saúde ou biológicas caracterizando a área da psicobiologia como uma abordagem oferecida para compreensão de fenômenos psicológicos.

Estabelecendo-se a integração entre a abordagem biológica e sociocultural na psicologia, três pontos fundamentais são destacados: fatores determinantes das causas próximas e finais do comportamento, influência de fatores biológicos e ambientais sobre o comportamento (debate nature-nurture) e dicotomia ciência básica/ ciência aplicada (YAMAMOTO, 2003)

Focando o âmbito de promoção e reabilitação da saúde humana em estudos psicológicos, a visão holística humana abrange não somente a formação de equipes multidisciplinares, mas uma formação centrada em conhecimentos da neurociência e fisiologia humana que exercerão influência direta no comportamento humano, contribuindo para o desenvolvimento de instrumentos e metodologias de intervenção na psicologia.


2- PLASTICIDADE CEREBRAL COMO BASE DE COMPORTAMENTO E DESENVOLVIMENTO HUMANO


A plasticidade cerebral determina características das diferenças de comportamento entre os sexos, pois, a própria experiência modifica a estrutura e funcionamento cerebral. De acordo com VILANOVA (1998) desenvolvem-se atos práxicos dos mais elementares (praxia motora) aos mais complexos (praxias ideomotoras e ideatórias), causando alterações permanentes na química e no funcionamento dos genes no interior celular, resultando em efeitos significativos no comportamento.

Existem diferenças inatas (Tabela 1) entre os cérebros masculinos e femininos, porém, não significativas principalmente quando se trata de habilidades mentais. Os dois gêneros humanos se igualam muito mais do que se afastam. Assim, há forte resistência em admitir qualquer controle genético sobre o comportamento humano (OTTA et al. 2003)

Tabela 1: Principais diferenças inatas entre os gêneros humanos.

 

 

HOMEM

 

MULHER

COMPORTAMENTO

 

Maior tendência a se expor a risco e agir violentamente

Menor tendência a se expor a risco e agir violentamente

Tendência de menor capacidade de verbalização

Tendência de maior capacidade de verbalização

ESTRUTURAS CEREBRAIS

 

núcleos intersticiais e o núcleo do stria terminalis no hipotálamo

 

Tamanho maior

Tamanho menor

OTTA et al. 2003; VIANA e FINCO (2009) -adaptado

 

A modulação cerebral pela experiência, considerada um tipo particular do fenômeno mais amplo da plasticidade cerebral, é responsável por processos mais básicos como o de adaptação e mais complexos, como o da aprendizagem (id, 1998).

O componente biológico irá sofrer uma modulação pelos estímulos externos ou pelo circunstancial, diminuindo ou aumentando o número de conexões com células subjacentes.

De acordo com Willrich et al. (2009) a interação das características físicas e estruturais do indivíduo com o ambiente que está inserido e à tarefa a ser apren¬dida são determinantes na aquisição e refinamento das diferentes habilidades motoras.
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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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colunista

Andréa Bogatti Guimarães Tomazela

Engenheira Agrônoma, mestrado e doutorado strictu sensu na área de Gestão e Educação Ambiental, terapeuta holística e discente do curso de psicologia. Profissional autônoma consultora de empresas, responsável pela coordenação de grupos de melhoria do ambiente laboral e prevenção de doenças e qualidade de vida.

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