Montagem do Canteiro de Obra

A construção ocupa um percentual relativamente pequeno do terreno
A construção ocupa um percentual relativamente pequeno do terreno

Administração e Gestão

09/01/2013

O canteiro de obras deve conter as instalações necessárias de maneira planejada e organizada, no sentido de ordenar a produção correta dos trabalhos conforme definido no projeto de execução.


Sua definição segundo a NR-18 (Norma Regulamentadora) canteiro de obras é a área de trabalho fixa e temporária, onde se desenvolvem operações de apoio e execução de uma obra. Esta norma tem a função de normatizar procedimentos e foi elaborada em conjunto com construtoras, trabalhadores e governo, para estabelecer diretrizes e exigências diversas, esse inter-relacionamento e fluxo de recursos visa evitar desperdícios de materiais, mão de obra, tempo, defeitos e de equipamentos dadas a sua relação direta com a produtividade e qualidade durante a execução da obra, além disso, deve ser de forma econômica com flexibilidade de modo a aperfeiçoar o espaço disponível.


Tipos de canteiro
De acordo com BONIN (1993), os canteiros de obra podem ser enquadrados dentro de três tipos principais: restritos, amplos e longos e restritos

• Restritos
A construção usa o terreno completo ou um grande percentual deste, caracterizados por falta de espaço e aproveitamento integral da área disponibilizada.
Exemplo: Construções urbanas e centrais de uma cidade, ampliação e reformas.


• Amplos
A construção ocupa um percentual relativamente pequeno do terreno, há disponibilidade para acesso para veículos e acesso para área de armazenamento e acomodação de pessoal.
Exemplo: Construção de plantas industriais, construções habitacionais horizontais e outras grandes obras como barragens ou usinas hidrelétricas.

Longos e restritos
São restritos em apenas uma das dimensões com possibilidade de acesso em poucos pontos do canteiro.
Exemplo: Trabalho de ferro e rodagem, redes de gás e petróleo, e alguns casos de obras de edificações em zonas urbanas.


O canteiro de obras segundo a (NBR-12264), (Áreas de vivência em canteiro de obras Conjunto de áreas destinadas à execução e apoio dos trabalhos da indústria da construção, dividindo-se em áreas operacionais e áreas de vivência).


Para tanto são destacadas as algumas das principais etapas:

Planejamento de canteiros
O planejamento de um canteiro de obras pode ser definido como o planejamento do layout e da logística das suas instalações provisórias, instalações de segurança e sistema de movimentação e armazenamento de materiais.
O planejamento do layout envolve a definição do arranjo físico de trabalhadores, materiais, equipamentos, áreas de trabalho e de estocagem.


Fase de Implantação:

• Acomodamento dos Equipamentos e Materiais:
Toda acomodação deve ser feita com escoramento adequado, em seus devidos recipientes e em local apropriado.

• Estabelecimento da Segurança e Saúde Ocupacional:
Deverá ser designada uma equipe de profissionais capacitados para garantir a Segurança e a Saúde dos trabalhadores.

• Instalação dos Equipamentos:
Todo equipamento deve ser instalado respeitando a instrução dos fabricantes e garantindo o funcionamento dos mesmos.

• Montagem/Instalação da estrutura administrativa:
Toda instalação administrativa deverá ser instalada ou construída, observando toda logística de manuseio dos materiais, tráfego de pedestres, veículos e equipamentos, sempre ministrando a distancia de locomoção.


Instalações provisórias: áreas de vivência e de apoio

De acordo com a definição da NR-18, as áreas de vivência (refeitório, vestiário, área de lazer, alojamentos e banheiros) são áreas destinadas a suprir as necessidades básicas humanas de alimentação, higiene, descanso, lazer e convivência, devendo ficar fisicamente separadas das áreas laborais.


Esta norma também exige, tendo em vista as condições de higiene e salubridade, que estas áreas não sejam localizadas em subsolos ou porões de edificações.
Já as áreas de apoio (almoxarifado, escritório, guarita ou portaria e plantão de vendas) compreendem aquelas instalações que desempenham funções de apoio à produção, abrigando funcionário(s) durante a maior parte ou durante todo o período da jornada diária de trabalho, ao contrário do que ocorre nas áreas de vivência, as quais só são ocupadas em horários específicos.


Dimensionamento das instalações

São citadas a seguir algumas dimensões usualmente adotadas no dimensionamento das instalações de movimentação e armazenamento de materiais:

(a) elevador de carga: as dimensões em planta de 1,80 m x 2,30 m são as mais usuais para torres metálicas de elevadores de carga;

(b) distância entre roldana e tambor do guincho: esta distância deve estar compreendida entre 2,5 m e 3,0 m (NR-18), devendo ser considerada para estimar a posição do guincheiro;

(c) baias de agregados: as baias devem ter largura igual ou pouco maior que a largura da caçamba do caminhão que descarrega o material, enquanto as outras dimensões (altura e comprimento) devem ser suficientes para a estocagem do volume correspondente à uma carga. No caso da areia e brita, por exemplo, as dimensões usuais são aproximadamente
3,00 m x 3,00 m x 0,80 m (altura);

(d) estoques de cimento: a área necessária para estocagem deve ser estimada com base no orçamento e na programação da obra. As seguintes dimensões devem ser consideradas neste cálculo:
- dimensões do saco de cimento: 0,70 m x 0,45 m x 0,11 m (altura);
- altura máxima da pilha: 10 sacos. No caso de armazenagem inferior a 15 dias a NBR 12655 (ABNT, 1992) permite pilhas de até 15 sacos;

(e) estoque de blocos: a área necessária deve ser estimada com base no orçamento e na programação da obra. O estoque deve utilizar o espaço cúbico, limitando, por questões de ergonomia e segurança do operário, a altura máxima da pilha em aproximadamente 1,40 m;


(f) caçamba tele-entulho: dimensões usuais em planta de caçambas tele-entulho são de 1,60 m x 2,65 m;

(g) bancada de fôrmas: a bancada deve possuir dimensões em planta que sejam pouco superiores às da maior viga ou pilar a ser executado;

(h) portão de veículos: o portão deve ter largura e altura que permitam a passagem do maior veículo que entrará por ele na obra, no decorrer de todo o período de execução. Usualmente a largura de 4,00 m e a altura livre de 4,50 m são suficientes;

(i) caminhões de transporte de madeira: para verificar se estes caminhões podem entrar no canteiro e acessar as baias deve-se conhecer o seu raio de curvatura e suas dimensões. Dimensões usuais são as seguintes:
- raio de curvatura: 5,00 m;
- largura e comprimento do veículo: 2,70 m x 10,00 m;

(j) caminhões betoneiras: dimensões usuais desses caminhões são as seguintes:
- raio de curvatura: 5,00 m;
- largura e comprimento do veículo: 2,70 m x 8,00 m.


Fase Funcional:
• Para um bom funcionamento, é crucial:
o Garantir o cumprimento das regras de deslocamento e levantamento de cargas.
o Prevenir e garantir os índices estabelecidos contra acidentes.
o Garantir o horário de trabalho estabelecido.
o Manter a organização e limpeza do canteiro.
o Manter o bem estar entre os trabalhadores


Logística no canteiro de obras
Na construção, a logística trata de um processo multidisciplinar aplicado nos canteiros de obras, que visam garantir a aquisição do armazenamento, o processamento e disponibilização de recursos e materiais nas frentes de trabalho, bem como o dimensionamento das equipes de produção e a gestão dos fluxos físicos.
O processo de controle logístico, ocorre através das atividades de planejamento, organização, direção e controle, tendo como principal suporte o fluxo de informações, antes e durante o processo produtivo. (CARDOSO, 2006).


A logística no canteiro de obra nada mais é do que a adequação dos conceitos da logística aplicada dentro do canteiro de obra.


Para que isso aconteça deve existir um estudo que vai definir a estratégia para implantação do empreendimento, focando também o canteiro, para que se possam planejar antecipadamente as condições mais apropriadas de entrada e saída de materiais e mão de obra, assim como as escolhas dos equipamentos a serem utilizados e seus posicionamentos.

Existe uma divisão logística que permite ser aplicada às empresas e a identificação com maior clareza as principais atividades associadas à logística em uma obra.


Em uma obra a divisão ocorre em logística de suprimentos (externa) e logística de canteiro (interna).


A logística de suprimentos trata do fornecimento dos recursos materiais e humanos necessários à produção, destacam as atividades de planejamento e processamento das aquisições, a gestão de fornecedores, o transporte dos recursos até a obra e a manutenção dos recursos de materiais previstos no planejamento.


Já a logística de canteiro, trata da gestão dos fluxos físicos e dos fluxos de informações associados à execução de atividades no canteiro, suas atividades estão relacionadas a:
• Gestão dos fluxos físicos ligados a execução (planejamento detalhado dos fluxos de execução dos serviços e dos seus mecanismos de controle),
• Gestão da interface entre os agentes que interagem no processo de produção (informações e interferência entre os serviços)
• Gestão física da praça de trabalho (implantação do canteiro, movimentação interna, zonas de estocagem, zonas de pré-fabricação e atendimento aos requisitos de segurança). (CARDOSO, 2006)


Critérios de otimização do canteiro
• Minimização da distância a percorrer em obra;
• Minimização do número de operações de carga, descarga e transporte dentro de obra;
• Minimização do número de montagens e desmontagens;
• Isolamento das áreas sociais do local de construção;
• Áreas de controle e estacionamento junto às entradas;
• Programar um espaço de trabalho flexível;
• Proporcionar segurança no trabalho e bem estar aos trabalhadores;
• Reduzir o tempo de construção;
• Facilitar o processo construtivo;

O canteiro de obras evolui com o tempo. Para cada fase é necessário estudar nova implantação, porque é acrescida novas frentes de trabalho que devem trabalhar em sintonia com as demais especialidades.


Um estudo bem executado dos custos do canteiro de obras, com critérios técnicos bem estabelecidos, utilização de informações confiáveis e bom julgamento do orçamentista, pode gerar orçamentos precisos, embora não exatos, porque o verdadeiro custo de um empreendimento é virtualmente impossível de se fixar de antemão.

O que o orçamento do canteiro de obras realmente envolve, é uma estimativa de custos em função da qual o construtor irá atribuir seu preço de venda, neste caso, bem estabelecido.

Devido as fases de excesso de orçamentos a produzir, os profissionais ligados a orçamentação, por vezes, ficam sem tempo de analisar os processo mais detalhadamente, analisar e propor mais de uma solução técnica e fazer as devidas simulações de cada trabalho.


Outro fator importante que deve-se atentar é a aproximação do orçamentista e a obra em execução, na maioria das vezes o orçamentista não tem oportunidade de acompanhar o processo in-loco e não tem a retroalimentação por parte dos profissionais de obra, quanto as produtividades reais, os percentuais de perda dos principais materiais e comentários acerca dos parâmetros de orçamento realizados.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


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