Endogamia para Melhoramento Genético Animal

Endogamia para Melhoramento Genético Animal
VETERINARIA
1. DEFINIÇÃO
Com relação ao aspecto genético, as técnicas de melhoramento buscam fundamentalmente dois objetivos: alterações nas frequências dos genes, que podem ser alteradas pela seleção, migração e mutação e alterações nas frequências dos genótipos, alteradas pelos sistemas de acasalamento endogamia e exogamia (ARMADA; AZEVEDO, 2005).

Diz-se que um animal é consanguíneo quando os pais possuem um ou mais ancestrais em comum, existindo, portanto, certo grau natural de homozigosidade nas populações (GIANNONI, 1989). Endogamia é o método de acasalamento de indivíduos aparentados entre si (OTTO, 2000), utilizada desde a domesticação dos animais e foi de fundamental importância na formação de raças hoje existentes (ARMADA; AZEVEDO, 2005).


2. EFEITO GENÉTICO

A forma mais extrema de endocruzamento é a autofecundação, o que causa, a cada geração, a redução da proporção de heterozigose à metade, aumentando assim, a homozigose (Gráfico 1) (OTTO, 2000).

Gráfico 1 - Frequência genotípíca de indivíduos ao longo das gerações em uma planta cleistógama, ou seja, se reproduz exclusivamente por autofecundação.

Fonte: Adaptado de: Genética de populações (YOTOKO, [200-]).

No endocruzamento entre irmãos, acontece o mesmo, porém, mais lentamente (OTTO, 2000). Portanto, se a superioridade fenotípica dos indivíduos depender de efeitos de dominância, da sobredominância ou da epistasia, a consanguinidade pode provocar a redução do valor fenotípico médio da população (GIANNONI, 1989).

Com o aumento da homozigose, pode ocorrer a depressão endogâmica que é a manifestação de combinações gênicas desfavoráveis, o inverso da heterose (combinações gênicas favoráveis) (CARVALHEIRO; PIMENTEL, 2004).

A endogamia tende a fixar tanto alelos favoráveis quanto desfavoráveis em alguns loci (CARNEIRO, et. al., 2007), por isso esse método não pode ser considerado bom ou ruim: os efeitos da endogamia danosos dependem da quantidade e da frequência de genes recessivos deletérios (GIANNONI, 1989).

Como todos os seres vivos têm vários genes recessivos deletérios, o endocruzamento quase sempre resulta em perda de vigor (OTTO, 2000), como demonstra a Tabela 1. Muitas linhagens tendem a desaparecer em consequência de problemas reprodutivos (ARMADA; AZEVEDO, 2005). Porém, é possível selecionar indivíduos homozigotos fortes e vantajosos em alguma característica desejada (OTTO, 2000), pois a endogamia permite, pelo aumento do grau de homozigose, fixar um tipo desejado de animal (ARMADA; AZEVEDO, 2005).



Animal
Gatos

Fenótipo: Doença de Chediak-Higashi: albinismo oculocutâneo parcial; suscetibilidade aumentada a infecções e tendência a sangramentos. Os animais afetados apresentam plaquetas defeituosas; grânulos aumentados em leucócitos polimorfonucleares e monócitos e aumento de grãos de melanina nos pelos. (AR)


Suínos
Fenótipo: Ausência de extremidades: os leitões nascem vivos, sem os membros anteriores e posteriores; (AR)
Fissura Palatina: os leitões não conseguem mamar; (AR)
Hemofilia: defeito na coagulação sanguínea; (XR)
Hidrocefalia: os leitões nascem mortos, ou morrem em poucos dias; (AR)
Paralisia: afeta apenas os membros posteriores. Os leitões se arrastam com a ajuda dos membros anteriores e em poucos dias morrem. (AR)
Ovinos
Fenótipo: Nanismo: animais anões, com a boca de “papagaio”; (AR)

Contratura muscular: ao nascimento, os membros estão fixos, rígidos, em posições anormais e com um mínimo de movimento articular. (AR)


Bovinos

Fenótipo: Agnatia: o maxilar inferior é bem mais curto que o superior; (XR)
Amputação: os membros anteriores terminam com o úmero e os posteriores podem existir até os joelhos. Os afetados apresentam ainda hidrocefalia e palato fendido, e morrem em alguns dias; (AR)
Prognatismo: crânio largo, órbitas oculares grandes, testa larga e ossos nasais largos e chatos. Visão prejudicada á luz do dia; (AR)

Hérnia Cerebral: por falha na ossificação dos frontais, fica uma abertura, por onde o tecido cerebral protrui. Os bezerros nascem mortos, ou morrem em seguida; (AR)

Catarata Congênita: o cristalino é opaco. A córnea, com a idade, aumenta e fica distorcida; (AR)

Molares Fundidos: os pré-molares estão fundidos com a mandíbula, que é reduzida no comprimento e na largura, resultando na aparência de “boca de papagaio”; (AR) reduzida no comprimento e na largura, resultando na aparbral protrui em.


Equínos
Fenótipo: Ausência de membros anteriores. (AR)
Atresia do Cólon: fechamento do cólon ascendente. (AR)
Cães
Fenótipo: Distrofia Muscular: os animais afetados têm um andar anormalmente rígido, onde os membros posteriores apresentam movimento semelhante ao dos coelhos, abdução das patas e adução dos joelhos e jarretes. O enfraquecimento muscular e a fraqueza são progressivos. (XR)
AR = gene autossômico recessivo
XR = gene ligado ao X recessivo

Tabela 1 – Alguns exemplos das consequências da homozigose para genes recessivos em animais domésticos.
Fonte: Adaptado de: Genética Básica para Veterinária (OTTO, 2000).


3. TIPOS DE ENDOGAMIA

Natural – que pode ser observada nas plantas autógamas;

Artificial: não intencional - quando populações alógamas são reproduzidas com pouco número de indivíduos, ou seja, populações pequenas, obrigando o acasalamento entre parentes;
Intencional - quando se deseja forçar o aumento de homozigose nas descendências, por exemplo, na formação de raças em animais ou em linhagens endogâmicas em plantas. (BESPALHOK, [200-])

Quando existe apenas um ancestral em comum, diz-se que existe “consanguinidade sanguínea em linha” ou “reprodução em linha” ou “LINEBREEDING” (OTTO, 2000).

Se existir vários ancestrais em comum, diz-se que existe “consanguinidade” ou “INBREEDING” (OTTO, 2000).
4. COEFICIENTE DE ENDOCRUZAMENTO
O Coeficiente de Endocruzamento (F) é a probabilidade de que um determinado indivíduo receba dois genes iguais (ex.: aa ou AA) por “origem comum”, ou seja, de que ele possa ter recebido cópias de um mesmo gene de um ancestral comum (OTTO, 2000).

Quando o indivíduo A faz a meiose para formar seus gametas, a probabilidade de que ele passe o gene a para sua prole é de 1/2. Supõe-se que os genes a presentes nos indivíduos B e C são cópias do mesmo gene presente no indivíduo A, eles também tem a probabilidade de 1/2 de passar essa cópia para D cada um. Portanto, a probabilidade de que o indivíduo D tenha recebido os dois genes a de um ancestral em comum se dá por: 1/2 x 1/2 x 1/2 x 1/2 = (1/2) 4 = 1/16

Nesse caso, F se dá por: FE = ∑ (1/2) n
onde, n é o número de indivíduos (sem contar E) que vai de um progenitor até o ancestral comum e volta ao outro progenitor (OTTO, 2000), ou seja 3 ( C, B e D ou D, A e C).
Então:
FE = ∑ (1/2)n= (1/2)³ + (1/2)³ = 1/4 = 0,25
FE = 25%

Nesse caso, o F é dado por:
FH = ∑ [(1/2)n x (1 + FE)]
onde n é o número de indivíduos que vai de um progenitor até o ancestral comum e volta ao outro progenitor (H F E G H = 3) e FE é o coeficiente do ancestral comum, já calculado anteriormente (FE = 25%).

Então:
FH = (1/2)n x (1 + FE) = (1/2)3 x (1 + FE) = 1/8 x (1 + 0,25)
FH = 0,125 x 1,25 = 0,15625
FH = 15,6%
5. RAZÕES PARA PRATICAR O ENDOCRUZAMENTO
A endogamia é prática comum de criadores de raças puras (animais registrados) para assegurar uniformidade racial e fixação de características peculiares a certas linhagens de touros famosos e também pode ser praticada objetivando criar oportunidade para explorar efeitos genéticos não aditivos. Essa estratégia é muito explorada pela indústria avícola (CARVALHEIRO; PIMENTEL, 2004).

Cardoso et al. (2002) apud Carvalheiro e Pimentel (2004) encontraram evidências da existência de efeitos de heterose na raça Nelore e sugeriram a utilização de acasalamento dirigido não apenas para evitar perdas por depressão endogâmica, mas também para explorar os efeitos genéticos não aditivos.


6. COMO CONTROLAR A ENDOGAMIA

Segundo Carvalheiro e Pimentel (2004) a endogamia pode ser controlada em 4 diferentes fases de um programa de melhoramento, sendo elas: durante a avaliação genética; no momento da seleção dos animais; na definição dos acasalamentos; e na seleção de acasalamentos. Onde em qualquer uma das estratégias adotadas, a ideia básica é controlar a endogamia sem reduzir o ganho genético, numa visão a curto e/ou longo prazo.

As principais limitações para o controle da endogamia são: informação de parentesco perdida ou desconhecida; erro na informação de parentesco; e a tendência de focar o controle apenas na próxima geração. Além de afetar o controle da endogamia, a informação de parentesco incorreta ou desconhecida acarreta em redução do progresso genético que poderia ser alcançado (CARVALHEIRO; PIMENTEL, 2004).

Cíntia Maria Rocha Silva
Cíntia Maria , empresaria do ramo da saúde animal, proprietária da Clínica veterinária Zoodent-Univet na cidade de Itamonte-MG, onde se busca a excelência dos diagnósticos Utilizando das tecnologias hj emprega no mercado da medicina veterinária. Estando em andamento as obras do HVSJT para o ano de 2017 ser inaugurado com td de mais avançado na medicina veterinária.
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