Compreendendo o significado de "terapia"

Compreendendo o significado de
PSICOLOGIA
Já falamos em artigos anteriores sobre arteterapia, mas nesse artigo trataremos sobre a terapia propriamente dita. Primeiro é importante explicar o porquê da escolha da psicologia como base neste estudo. Levando-se em conta que o termo “terapia” permite inúmeras formas de abordagem e diversos profissionais atuantes.

O termo “psico” tem origem grega, vem de psique Ψ, cujo significado é alma. Já o termo terapia, também de origem grega, tem o significado de tratamento ou cuidado com a saúde. Desta forma, psicoterapia significa tratamento da alma. Aqueles que tratam ou cuidam de almas são os psicoterapeutas.

Falando de uma maneira mais científica, poderíamos dizer que: “a Psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano e seus processos mentais, ou seja, estuda o que motiva, sustenta o comportamento humano, os processos mentais, as sensação, a emoção, a percepção, a aprendizagem, a inteligência...” (Disponível em: <http://arthurcapivari.blogspot.com/> Acesso em: 18 fev. 2011)

Assim, qualquer disfunção comportamental ou “mental” é objeto de estudo e atuação psicoterapêutica.

O homem, desde os primórdios da humanidade, vem desenvolvendo ações para com o cuidado com as almas e/ou mentes. O Homem dito primitivo, ou pré-histórico, de cerca de 5 a 10.000 anos, não conhecia a escrita e seus conhecimentos eram passados oralmente de geração a geração. De modo geral, todas as sociedades primitivas, viviam de forma totalmente integrada à natureza.

A concepção adotada nesta época admitia que o ser humano era um ser integrado à natureza e ao Cosmos. Assim, o homem era parte integrante do todo, da natureza, e também formado por elementos desse todo. Essa visão explicativa sobre a natureza humana deu origem a um sistema de explicações para se compreender o mundo e o próprio homem.




Essas explicações ou princípios são chamados de pensamentos míticos, cuja preocupação é dar uma explicação plausível para a existência de determinado fenômeno. Assim, por exemplo, se explica a origem do universo por mitos sobre Tupã. O pensamento mítico é característico do ser humano, e mesmo hoje, utilizamos essa forma de pensar quando explicamos determinado fenômeno não tendo como base o pensamento lógico científico.

As dramatizações, os rituais, o uso de ervas, plantas e animais eram comuns nesta época. Tudo para restabelecer o equilíbrio entre Homem x Natureza.

No Xamanismo, uma filosofia de vida bastante antiga, que busca o encontro do homem com a natureza e com seu próprio mundo interior, as práticas ritualísticas individuais ou coletivas, as danças tribais, os sacrifícios, entre outras, eram as formas de tratamento das almas, que adoeciam por perderem sua capacidade de integração com a natureza. Nesse sentido, surge a arte como elemento de cura. A confecção de bonecos (vodus), o uso da pintura corporal e ritualística, a confecção de objetos específicos para as curas ou para uso do doente, as músicas e danças entre outras, são elementos da arte que se associam ao tratamento da alma.

Dessa forma, a arte passa a integrar um código ou uma linguagem a serviço das necessidades humanas. A arte passa a ser uma forma de expressão do pensamento humano, de suas visões de mundo, de seus pensamentos, de sua forma de viver o cotidiano. A pintura, o desenho, a escultura (criação de objetos de barro, de madeira, de pedra, etc.) passam a ter um objetivo, não só de expressão, mas também de ações de cura.

A partir do momento em que o homem domina a escrita, a transmissão dos conhecimentos toma outra dimensão, bem maior e mais abrangente. O mundo ocidental tem como referência do início desse período, chamado de Idade Antiga, o ano 600 a.C. na Grécia.

“Os primeiros pensadores gregos começaram a questionar a forma de explicação da natureza por princípios míticos. Não era mais plausível uma explicação que se baseasse apenas em suposições” (Disponível em: <http://www.tesesims.uerj.br/lildbi/docsonline/4/9/294-Denise_Scofano.pdf> Acesso em: 18 fev. 2011.)
A partir desse ponto, as coisas deveriam ser explicadas por elas mesmas, isso é, deve-se explicar a natureza, compreendendo como ela é a partir de seus próprios elementos. Assim, as primeiras explicações sobre o universo, versavam sobre sua estrutura e formação. Buscando analisar do que as coisas são feitas e como funcionam é que o conhecimento é produzido. A esse processo denominou-se pensamento lógico.

O pensamento lógico deve ser capaz não só de explicar as coisas do universo, mas também as coisas da própria natureza humana. Pensar, por exemplo, qual é a essência da natureza humana. Como podemos nos conhecer? Quais são nossas capacidades? Quais são nossas virtudes? Como posso entender a alma humana?

Para responder a essas questões os filósofos gregos passam a desenvolver suas teorias ou explicações. Platão pesquisou e pensou sobre a natureza transcendente do homem. Sócrates vai questionar a própria essência do ser humano, em sua famosa frase: “Conhece-te a ti mesmo”, que revela a essência de seu pensamento. Esse período é chamado de antropocêntrico.

A partir desse ponto, a alma é considerada como algo a ser desenvolvido, visto que a condição natural do homem é desenvolver-se, e a condição patológica ou de doença seria a incapacidade de desenvolvimento da alma. A cura para a alma seria a recuperação da capacidade de seu desenvolvimento, e aí a filosofia teria um grande papel. A arte da cura está mais para o intelectual do que para as ações materiais. A cura da alma passa a ser dissociada da materialidade e da natureza, é preciso entender a alma por meio de sua expressão moral (as paixões humanas) e por meio de seu pensamento. Daí surge a ideia de que Sócrates foi o primeiro psicoterapeuta, pois começou a usar da indagação, do raciocínio, como forma de investigação e desenvolvimento da alma humana.

O conceito sobre alma começa a mudar a partir do domínio do pensamento cristão, já a partir dos primeiros séculos até os anos 1200 d.C. aproximadamente. No chamado período teocêntrico (Deus é o centro de tudo) todo o conhecimento deve estar sob a perspectiva da bíblia. Deste modo, a alma humana é considerada como dissociada do corpo. O corpo é o lugar do pecado, das imperfeições, do mal. A alma, ou espírito deve prevalecer sobre o corpo, salvando o homem do pecado.

O tratamento dado para as almas doentes são os exorcismos, privações (jejuns alimentares), sacrifícios, sangrias e flagelações, eram as formas mais comuns de busca da cura para a alma doente, sempre buscando o fortalecimento do espírito.

A partir do renascimento e o declínio do período de domínio religioso sobre a ciência e a arte, aos poucos as ideias sobre alma começam a se desvincular da religião. O pensamento de Descartes foi primordial nesse sentido. Sua frase máxima: “Penso, logo existo”, traduz o sentido a ser dado à alma a partir de então. A alma passa a ser considerada como razão. O adoecer psíquico passa a significar a perda da razão, e então se reforça o sentido de loucura como irracionalidade.

Colunista Portal - Educação
O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER