Educação presencial x à distância: por que fazer um curso online?

Educação presencial x à distância: por que fazer um curso online?
PEDAGOGIA
Certamente, em um momento em que tanto se fala em educação à distância, causaria certo espanto levantar um questionamento: "por que fazer um curso online?". Talvez isso explique o susto representado na imagem deste artigo, ou mesmo a preocupação de muitos professores com o avanço desta modalidade de ensino.

Mas, afinal, será que professores, alunos ou a sociedade em geral precisa temer a educação à distância? Em quais circunstâncias é bom/melhor fazer um curso online? Bem, essas e outras questões serão parte do esforço deste artigo, que objetiva qualificar a educação à distância como uma estratégia potencialmente inovadora de ensino.

Aparentemente, o grande temor trazido pela educação à distância está relacionado a sua pretensa ameaça aos professores que atuam, há muito na educação presencial, temendo serem substituídos ou tornados obsoletos a partir das tecnologias e dos cursos à distância. Nesse sentido, o novo certamente assusta, mas, certamente há espaço para todos e a educação à distância não vem com propósito de demolir a presencial, mas, concretamente traz grandes discussões que podem também transformá-la.

Quais são então as grandes diferenças entre educação à distância e presencial?  A educação à distância traz possibilidades maiores para a inclusão social, pois, amplia o alcance da educação presencial tanto no que tange ao espaço quanto ao tempo. Enquanto que na educação presencial, um professor tem um tempo fixo para atender sua turma, no qual dificilmente é possível atender individualmente cada aluno, a educação à distância possibilita atender a qualquer tempo e em qualquer espaço - não é preciso que os interlocutores sequer compartilhem fisicamente o mesmo espaço e tempo.

A partir do momento que ocorre essa transformação de espaço e tempo, a tendência é que ocorram também profundas transformações na relação professor e aluno. Assim, o papel de professores e alunos acaba sendo modificado na educação à distância, permitindo caracterizar mais uma diferença frente a educação presencial. Se na educação presencial, o professor define fortemente os conteúdos a serem aprendidos, na educação à distância estes estão sempre se expandindo, pois, sempre haverá um novo conteúdo, uma ideia nova sendo publicada, e assim a necessidade de diálogo, negociação, resolução de conflitos por parte do professor/tutor se torna ainda maior. O professor passa ser, muito mais, um mediador da aprendizagem, enquanto que o aluno tem sua autonomia incentivada.
Ao mesmo tempo em que a necessidade de autonomia cresce, pois, será o ritmo do aluno que, fundamentalmente, definirá seu aprendizado, cresce também a responsabilidade deste aluno com seu próprio aprendizado. Não quer dizer que na educação presencial isto não ocorra, mas, o paradigma de educação à distância traz, inerentemente, um impulso maior para este tipo de educação. Um tipo que, entre outros benefícios, favorece a aprendizagem significativa e o fortalecimento dos mecanismos de aprender a aprender, o gosto pela pesquisa, à necessidade da pesquisa.

Percebe-se que, de fato, existem diferenças consideráveis suscitadas pelo paradigma de educação à distância. Mas, por que suscitadas e por que potencialmente foram grifados neste texto? Todas essas transformações são potenciais, por dependerem principalmente da maneira como as tecnologias serão utilizadas em um curso à distância. Ou seja, um curso à distância/online não é, necessariamente, melhor do que um presencial, simplesmente, por ser online. Se a autonomia dos aprendizes, o diálogo entre os participantes, a busca pelo conhecimento não forem incentivados, da maneira mais adequada, e reproduzirem o que, na maioria das vezes é feito na educação presencial, a educação à distância será mera reprodutora dos problemas da educação presencial.

Nesse contexto, surge exatamente uma questão fundamental: por que a educação presencial não consegue também alcançar os benefícios da educação online, especialmente, os de incentivo à autonomia, senso crítico, responsabilidade pelo próprio aprendizado? É neste ponto que retomo a questão de que a educação à distância não veio demolir a educação presencial, não devendo ser preocupação a mesma, mas, uma fonte de inspiração para busca de transformar as metodologias presenciais, de modo que aspectos como os citados possam ser alcançados também na educação presencial.

Fazer um curso online, então, se torna um forte aliado na sua busca pelo conhecimento. Principalmente, porque será você, nas interações com o seu tutor, com outros aprendizes e com uma busca constante e incessante pelo conhecimento, o principal responsável pela construção do seu conhecimento. Consequentemente, fazer um curso online se torna um favorecedor da sua aprendizagem significativa, contextualizada e com forte apego emocional, ou seja, uma aprendizagem efetivamente concreta. Uma aprendizagem que estará respeitando seu espaço, seu tempo e ampliando seus horizontes para experiências não só de conhecimento sistematizado, mas, também cultural, a partir do momento que lhe permite um contato com pessoas dispersas geograficamente, para além dos muros da escola. Certamente, toda esta inovação assusta, mas, traz também a todos uma maior responsabilidade sobre o processo, pois, o ponto principal, seja na educação à distância ou presencial, é buscar favorecer a aprendizagem - esta sim, sejam presenciais ou distantes os seus mecanismos de mediação, não pode estar nunca distante de acontecer.

Luiz Dourado Dias Junior
Graduado e Mestre em Ciência da Computação pela UFPA. Atualmente é analista de sistemas - Serviço Federal de Processamento de Dados. Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Desenvolvimento de Sistemas. Tem interesse de pesquisa nos seguintes temas: avaliação docente/institucional emancipatória, fóruns on-line, business process management e sistemas colaborativos.
Seja um colunista

ASSINE NOSSA NEWSLETTER