Educação Cognitiva: do que se trata?

Educação Cognitiva: do que se trata?
PEDAGOGIA

Educação Cognitiva: do que se trata?

Quando falamos em educação cognitiva muitos a entendem erroneamente como uma forma mecânica de ensino; onde os alunos aprendem por repetição sistemática, memorizando datas e conceitos. Assim, a impressão é de que os recursos de nosso cérebro são usados apenas para reter informações necessárias para determinadas situações sem, no entanto, ter a compreensão dessas informações, refletir a respeito, relacioná-las a outras já conhecidas e utilizá-las em contextos diferenciados.

Na verdade, a educação cognitiva é exatamente o contrário. Ela está ligada a construção do conhecimento, do pensamento crítico e reflexivo; assunto que vem sendo debatido há alguns anos, na tentativa de melhorar a qualidade e eficiência do ensino/aprendizagem.

Nesse sentido é inegável a contribuição de Jean Piaget, com a epistemologia genética, até para aqueles que consideram a Teoria Cognitiva insuficiente para explicar como o desenvolvimento e a aprendizagem acontecem.

Para Fonseca (2007) “o ensino das competências cognitivas ou seu enriquecimento não deve continuar a ser ignorado pelo sistema de ensino”, o qual parte da argumentação de que essas competências não podem ser ensinadas ou não precisam ser ensinadas.

Ora, pensar que nossas competências cognitivas já estão prontas ao nascermos, herdadas geneticamente, sem possibilidade de mudanças ou que surgirão a partir da maturação de forma natural, é no mínimo simplificar todo o processo de desenvolvimento e de aprendizagem.

Atualmente, por meio de pesquisas no campo de Ciências Neurológicas, mais especificamente voltada para a compreensão das estruturas de nosso cérebro e sua relação com a aprendizagem, é possível afirmar que as funções cognitivas podem ser aprimoradas e treinadas, uma vez que, como dito anteriormente, não surgem automaticamente por maturação ou pelo desenvolvimento neuropsicológico.

Desde cedo, a criança deve ser colocada diante de situações que propiciem o desenvolvimento de suas funções cognitivas primárias, como o desenvolvimento sensorial que levará ao desenvolvimento da percepção, atenção, memória, raciocínio, fala, etc; para depois ocorrer o desenvolvimento das funções mais complexas como a aquisição da leitura e escrita, raciocínio lógico, dedutivo, antecipação e elaboração de estratégias, dentre outros.

Mas como isso é possível?

Nesta situação o professor deixa de ser alguém que transmite conhecimento e passa a ser um mediador e investigador em ação.

Em sala de aula ele observa seus alunos: como utilizam os recursos cognitivos, como atendem e percebem os dados de um problema, como os processam, analisam, comparam e categorizam.

Que estratégias criam para elaborar, planificar e antecipar as respostas, e como fazem uso de procedimentos de verificação para testarem as respostas ou soluções.

A partir dessas observações o professor terá o perfil cognitivo de seus alunos, conhecendo suas habilidades mais desenvolvidas e as menos desenvolvidas.

Assim, irá elaborar seu plano de aula baseado no desenvolvimento ou aprimoramento dessas habilidades, sempre incentivando a reflexão crítica, sem dar respostas prontas, mas guiando o aluno de forma que este as busque.

Neste plano devem conter materiais e recursos diversificados que atendam as necessidades dos alunos, podendo ser jogos, brincadeiras, pesquisas para reflexão do tema, atividades artísticas (pintura, música, dramaturgia), etc. Sair do tradicional, onde o professor fala e o aluno apenas escuta trás bons resultados. Em vez disso o aluno é ativo no processo de construção de seu conhecimento, produz, indaga, cria e modifica.

É importante ressaltar que não se trata apenas de mais um método de ensino alternativo e de apoio pedagógico, como um reforço escolar; mas sim de um instrumento educacional que leva em consideração o conhecimento prévio do aluno e tem como pressuposto fundamental o respeito pelo seu ritmo e perfil cognitivo.

Sabemos que existem disciplinas e conteúdos importantes para a formação do aluno. A intenção não é acabar com isso e deixar que aluno aprenda quando e o que bem entender.

A questão é que esses conteúdos devem levar em consideração suas habilidades cognitivas, de forma que possam utilizá-las em situações fora do ambiente escolar. Só assim podemos dizer que de fato o aluno aprendeu.

A aprendizagem deve ser significativa e ter um objetivo.

Isso é educação cognitiva.

Também não poderíamos deixar de lado sua contribuição para os alunos com dificuldades de aprendizagem e deficiência, pois a educação cognitiva respeita as diferenças.

Cristiane Carminati Maricato
Pedagoga, especializada em Psicopedagogia Clínica, Psicomotricidade e Educação Especial; cursando pós graduação em Neuropsicopedagogia. Professora na rede municipal de Taboão da Serra; atualmente atuando no AEE (Atendimento Educacional Especializado ou sala de recursos multifuncionais). Experiência em Educação na Empresa, Educação Infantil e Ensino Fundamental I.
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