Definição do gênero dramático

Definição do gênero dramático
PEDAGOGIA
Definição do gênero dramático
Sou apenas um homem de teatro,
Sempre fui e sempre serei um homem de teatro.
Quem é capaz de dedicar a vida à humanidade
e à paixão existentes nestes metros de tablado,
esse é um homem de teatro.
(Paulo Autran)

A palavra drama, etimologicamente, significa ação. Gênero dramático é, então, o conjunto de obras literárias que apresentam a imitação de ações, caracteres ou emoções por meio de personagens em ação. Isso é a encenação. Os textos são escritos unicamente com o fim de serem encenados; eles dispensam a intervenção de um narrador para conduzir a história; são os próprios atores que usam a palavra e a ação para que o enredo se desenvolva, sendo toda a obra realizada no espetáculo teatral. O gênero dramático envolve, então, dois aspectos: de um lado, como fenômenos literários têm o texto; de outro, as técnicas de representação, o espetáculo.

Historicamente falando, o gênero dramático, assim como os outros gêneros literários, nasceu dos rituais religiosos da Grécia antiga. No culto a Dionísio (deus da fertilidade e da alegria) havia celebrações que envolviam canções, procissões, máscaras, tochas, como um verdadeiro espetáculo público, inclusive com exibições de corais, que envolviam cantos e danças. Nesse contexto de embriaguez e orgia, o povo se divertia com a arte da imitação, relembrando um herói mítico ou um tipo conhecido.

Foi na tragédia, na Grécia antiga, que o gênero encontrou seu apogeu, com seus grandes criadores do século V a.C.: Ésquilo (524-456 a. C.), que escreveu sete peças, Sófocles (496-406 a. C.), com sete obras e Eurípedes (480-406 a. C.), com dezenove textos trágicos. Muitas dessas obras são relembradas e encenadas até hoje. As representações dessas peças aconteciam nas festas a Dioniso e eram gratuitas.

Os teatros eram construídos ao ar livre, e o espetáculo era representado por três atores, desempenhando todos os papéis, usando máscaras. Havia também o coro, que pontuava e comentava os episódios da tragédia.

No drama, a caracterização das personagens será direta, e a ação domina toda a obra, não apresentando descrições ou dissertações. O texto é representativo, tendo como base uma sequência de diálogos, diferentemente do que ocorre no gênero narrativo, cujos textos visam apresentar o enredo e tem os diálogos como elemento assessório.

Outro ponto importante nesse gênero é que a língua falada predomina sobre a escrita. Dessa forma, alguns recursos são importantes para enriquecer a apresentação da obra: recursos relacionados à entonação, à voz, à mímica, aos gestos, etc. Além disso, a ação dramática realiza-se no espaço restrito de um palco, em um tempo restrito, sendo necessário apoiar-se em diversos recursos para a efetiva transmissão da mensagem e da comunicação entre a obra e o público. Nesse contexto, as falas exercem uma função determinada e nada pode ser supérfluo.

O ritmo cênico é um ritmo próprio e tem por objetivo chegar ao desfecho da história. Para criar esse ritmo é necessário que o autor dirija a atenção do espectador através da tensão. Segundo Emil Staiger, a tensão é a essência do gênero dramático. O estilo de tensão possui duas características fundamentais: o páthos e o problema.

O páthos, que quer dizer sentimento exacerbado, paixão, leva o autor dramático a criar um tipo de linguagem comovente e arrebatada para traduzir a força da resistência da personagem nos embates do mundo que a cerca. A fala patética é impetuosa e pressupõe um ouvinte. Há dois tipos básicos de páthos: o do prazer e o da dor. Sua força progressiva caminha para o clímax, onde os objetivos são atingidos.

O problema é, na verdade, o ponto final aonde se quer chegar, o objetivo a ser atingido. Quanto mais problemático for o desenrolar da obra, maior será a interdependência das partes (começo, meio e fim). Enquanto o início tem caráter de premissa, o fim pressupõe a conclusão. O objetivo do texto dramático está no fim, e nenhum retardamento será permitido, tendo em vista que se isso acontecesse, desviaria o curso da proposição inicial.

O patético e o problemático unem-se para conduzir a ação sempre conduzir a ação sempre para adiante. Um corresponde ao querer, o outro ao questionar. E o público vai participando da história, pela identificação ou simpatia em relação ao herói que está permanentemente em busca de uma decisão. (SAMUEL, 1985, p. 81).

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