Diabetes mellitus como fator de risco para doença periodontal

Diabetes mellitus como fator de risco para doença periodontal
ODONTOLOGIA

A diabetes mellitus é uma síndrome caracterizada pela deficiência parcial ou total na produção de insulina ou por resistência à sua ação nos tecidos (ALVES et al, 2006). Pode ser encontrada tradicionalmente em duas formas: o diabetes tipo I e o tipo II. No tipo I, observa-se a ausência da secreção de insulina pela destruição das células beta do pâncreas, tornando o portador dependente da administração de insulina. Já no tipo II, ocorre uma diminuição da sensibilidade dos tecidos à ação da insulina (resistência insulínica) (YAMASHITA et al, 2013). A doença periodontal possui etiologia multifatorial caracterizada pela perda de suporte dentário, que inclui ligamento periodontal, cemento radicular e osso alveolar (SEKO, 2015). Existem evidências que comprovam que a diabetes mellitus contribui como fator de risco para a doença periodontal e vice-versa (KUMAR, et al, 2012) . Não é só a prevalência da doença periodontal que é aumentada em indivíduos diabéticos, mas também a sua progressão e severidade é mais rápida e agressiva (ALMEIDA, et al 2006).

A doença periodontal é considerada a sexta complicação da diabetes, essas doenças apresentam uma associação bidirecional, sendo que a diabetes favorece o desenvolvimento da doença periodontal; e a doença periodontal age, piorando o controle metabólico da diabetes.

Diversos fatores associados à diabetes mellitus podem influenciar a progressão e agressividade da doença periodontal: tipo de diabetes (mais extensa em diabetes tipo 1), idade do paciente, maior duração da doença (maior severidade) e controle metabólico inadequado (Wehba et al, 2004). Os AGEs (produtos finais da glicosilação de proteínas e lipídeos) parecem ser um dos principais responsáveis pelas alterações que levam à doença periodontal, pois estão relacionados produção exagerada de mediadores inflamatórios, que serão liberados, devido a interação dessas AGES com os receptores na membrana de células (RAGEs). Então, essa ligação AGE-RAGE juntamente com a ligação dos monócitos/macrófagos, aumenta o estresse oxidativo da célula, favorecendo a liberação desses mediadores. Segundo as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes, para alguns autores, a hiperglicemia eleva a expressão de RAGEs, aumentando assim a formação de complexos AGE-RAGE.

 O osso alveolar está em constante remodelação, isso caracteriza-se por reabsorção óssea seguida de neoformação. Na doença periodontal, a reparação do tecido ósseo é incompleta, verificando-se uma perda de osso alveolar. Isso ocorre devido ao número elevado desses mediadores inflamatórios, tais como interleucina (IL-1) e fator de necrose tumoral (TNF-alfa), responsáveis pela morte dos osteoblastos e fibroblastos (Novaes et al, 2008).

Pinheiro, em 2006, realizou pesquisas para avaliar  as condições de saúde bucal de pacientes diabéticos acompanhados pelo programa Saúde da Família em Belém - PA. Nesse estudo, ao fazer uma comparação de pacientes diabéticos com não diabéticos, em relação a doença periodontal, observou-se que, segundo o CPI (Índice Periodontal Comunitário) desses pacientes, o grupo de diabéticos foi mais comprometido que o grupo de controle (não-diabéticos), pois possuíam, além de maior perda dentária, um nível de bolsas periodontais de 4 à 5 e > 6mm que os não-diabéticos.

Evidências sugerem que a doença periodontal pode induzir e perpetuar um elevado estado inflamatório sistêmico crônico, refletindo um aumento sérico de proteína C reativa, fibrinogênio e interleucinas nas pessoas com periodontite. Assim, similarmente às outras infecções sistêmicas, a infecção periodontal pode induzir à resistência à insulina (QUIRINO et al, 2009), piorando o controle metabólico da diabetes e favorecendo a ocorrência da hiperglicemia. 

Mediante os fatos expostos, pode-se afirmar que pacientes com diabetes são mais propícios à progressão da doença periodontal. Por isso, o conhecimento do cirurgião dentista sobre o tema é de extrema importância, já que caberá à ele, juntamente com os médicos, ter uma conduta com cuidados específicos de acordo com a condição do paciente, promovendo, assim, uma otimização na saúde do mesmo.

Amanda Souza Nunes
EM FORMAÇÃO ACADÊMICA, Aluna do Centro Universitário do Estado do Pará (CESUPA), Do Curso de Odontologia, Cursando 6º semestre.
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