As Deficiências Nutricionais

As Deficiências Nutricionais
NUTRICAO
No Brasil, a desnutrição na infância se expressa no baixo peso, no atraso do crescimento, no baixo desenvolvimento físico e intelectual, na maior vulnerabilidade às infecções, no maior risco para ocorrência de futuras doenças crônicas não-transmissíveis.    

Fator importante como problema de saúde pública, principalmente nas regiões Norte e Nordeste e em bolsões de pobreza em todas as demais cidades e regiões do País.

As ações de saúde pública e as recomendações nutricionais determinadas por profissionais da área da saúde, continuam sendo os instrumentos para combater essa face da deficiência alimentar e nutricional no Brasil, levando em conta a composição familiar, a idade e o sexo, o hábito de utilizar-se de alimentos fontes de sais minerais como o cálcio, fósforo, ferro e de vitaminas que podem contribuir com o combate a carências de nutrientes na população.

Avaliando o consumo individual, segundo o sexo dos indivíduos com idade maior de 18 anos, as pesquisas revelam que:

− 48,9% dos homens e 61,3% das mulheres têm consumo inadequado de cálcio;

− 4,8% dos homens e 12,6% de fero, homens e mulheres respectivamente;

− 1,15¨% de mulheres mantêm consumo inadequado de vitamina A ou Retinol;

Pesquisas também avaliaram o consumo individual de gordura, mostrando inadequação de consumo para gorduras saturadas:

− Para homens = 51,6 %;

− Para mulheres = 58,4 %;

− Para Colesterol, 71% e 54,4% entre homens e mulheres dos valores de VET.


O país não dispõe de informações recentes, de representatividade nacional, sobre carências de micronutrientes. Contudo, estudos disponíveis de abrangência local, realizados por diferentes instituições em várias regiões geográficas, permitem avaliar com maior incidência as carências de:

Vitamina A (hipovitaminose A):

- A deficiência de vitamina A, denominada Hipovitaminose A, afeta a visão, podendo causar cegueira irreversível. Além de comprometer a imunidade da criança, apresenta comprometimento na reposição dos tecidos epiteliais do organismo. Está associada a elevadas taxas de mortalidade infantil, causada pela ingestão insuficiente de alimentos de origem animal (carnes, ovos e laticínios) e de vegetais com coloração que varia das diferentes tonalidades de verdes, laranja, vermelho, que são fontes de pró- vitamina A (Retinol);

- A análise dos inquéritos bioquímicos disponíveis, sobre as concentrações séricas de Retinol, indica prevalências que variam entre 14,6% e 33% em menores de 5 anos, manifestando-se particularmente nas regiões e segmentos mais pobres da população do Brasil;

- O Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A (“Vitamina A Mais”), sob responsabilidade do Ministério da Saúde, objetiva prevenir e controlar essa deficiência nutricional mediante a suplementação com megadose de vitamina A, em crianças de 6 a 59 meses de idade (100.000UI e 200.000UI, respectivamente) com intervalo mínimo de quatro meses.



Anemia Ferropriva por carência de ferro:

- O baixo consumo dos alimentos ricos em Ferro como as carnes e ovos, alimentos que apresentam a melhor qualidade de Ferro biodisponível ao organismo, causa esta anemia. O mineral ferro é nutriente indispensável na formação da hemoglobina do sangue e no transporte do oxigênio até as células; é comum em gestantes, em mulheres na idade fértil e em crianças; no Brasil apontam prevalências de 15% a 50% entre crianças e, entre gestantes, de 30% a 40%.

- O déficit prolongado do consumo de ferro na alimentação produz uma carência específica que pela sua origem é chamada anemia ferropriva ou nutricional. A etiopatogenia das anemias nutricionais pode estar relacionada a outras deficiências como proteína, folatos, vitaminas C, B12 e calorias bem como ao excesso de fitatos, oxalatos na alimentação e ainda a variações individuais e ecológicas.

- A causa básica das anemias nutricionais é a deficiência no consumo de ferro através da dieta para formação de hemoglobina, associada à baixa cobertura do saneamento ambiental. Desta forma, a infestação de parasitoses intestinais pode reduzir em até 20% do ferro ingerido na dieta. Em todas as circunstâncias de ordem fisiológica ou social, a causa orgânica imediata é a deficiência de ferro circulante para formação de hemoglobina.

- A anemia Ferropriva representa, em termos de magnitude, um sério problema carencial do país.



Os distúrbios por carência de Iodo:

- A deficiência de iodo causa uma série de problemas, denominados distúrbios por deficiência de iodo – DDI -, tendo como manifestações clínicas mais evidentes o Bócio (“papeira”), com o aumento da glândula Tireóide (localizada da base frontal do pescoço);

- O Cretinismo: alterações neurológicas irreversíveis que acometem crianças geradas por mulheres com deficiência extrema de iodo e que incluem retardamento mental, surdo-mudez e alterações motoras;

- Segundo os dados nacionais mais recentes, o Brasil conseguiu obter sucesso no controle e na prevenção dos DDI. A taxa de prevalência está abaixo dos níveis estabelecidos internacionalmente como aceitáveis (5%) em âmbito nacional;

- Mantêm-se em alguns locais, especialmente zonas rurais, onde o consumo de sal para animal, que não contém Iodo, é prática comum entre as famílias residentes.

A carência de Ácido Fólico:

- Provoca um tipo específico de anemia, está associada à má formação do tubo neural na fase do crescimento intra-uterino, quando as crianças são geradas por mulheres com aporte inadequado desse nutriente;

− Considerando essas evidências, o Ministério da Saúde vem desenvolvendo estratégias para o controle e a prevenção destas deficiências nutricionais, com a implantação da fortificação de alimentos como as farinhas de trigo e milho com ferro e ácido fólico. A publicação da Resolução Anvisa RDC n.º 344, de 13 de dezembro de 2002, em vigor desde junho de 2004, estabelece que:

- Cada 100g do produto deve fornecer 4,2 mg de ferro, que representa 30% da ingestão diária recomendada (IDR) de adulto (14mg) e 150mcg de ácido fólico, o que representa 37% da IDR de adulto (400mcg).

- As farinhas de trigo e de milho devem ser designadas usando o nome convencional do produto de acordo com a legislação específica, seguida de uma das seguintes expressões: ‘’ Fortificada com ferro e ácido fólico, enriquecida com ferro e ácido fólico ou rica em ferro e ácido fólico’’.


As recomendações alimentares não conseguem resolver, por si só, a desnutrição infantil e as carências nutricionais, pois seus determinantes incluem também outras causas relacionadas à pobreza, à desigualdade social, ao acesso a serviço de saneamento básico, mas devem ter assegurado o abastecimento alimentar seguro, adequado e variado e dietas nutritivas, conforme determina a OMS: “Direito básico à alimentação” - que são fatores determinantes para a saúde.

As pessoas em risco maior de desenvolver essas carências são gestantes, as nutrizes (mulheres que estão amamentando), os adolescentes, as crianças menores de 5 anos, com ênfase entre as de 6 meses e 2 anos de idade, crianças que não são amamentadas adequadamente, idosos e doentes de modo geral.

Colunista Portal - Educação
O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER