Pancreatite crônica e alcoolismo

Pancreatite crônica e alcoolismo
MEDICINA

O pâncreas é um órgão fundamental nos processos digestivos e metabólicos do organismo. É responsável pela produção do suco pancreático e dos hormônios insulina e glucagon. Agressões ao órgão podem levar ao desenvolvimento de pancreatite e alterações nos diversos sistemas orgânicos.

A pancreatite caracteriza-se por  transtorno inflamatório do pâncreas, na maioria das vezes, é de etiologia não-infecciosa, podendo ser aguda ou crônica. Dentre as etiologias da pancreatite, o alcoolismo e as doenças das vias biliares são as mais frequentes. Indivíduos dependentes de álcool apresentam risco quatro vezes maior de desenvolver a doença. Algumas manifestações clínicas da pancreatite incluem dor abdominal, náusea, vômito. Deve-se ressaltar que a maioria dos pacientes com episódios repetidos de pancreatite aguda evoluem para pancreatite crônica.

O diagnóstico da pancreatite cronica exige um alto grau de suspeição e caracteriza-se por aumento dos níveis séricos de amilase e/ou lipase, quando feito precocemente várias complicações como  suscetibilidade a infecções, insuficiência renal e até mesmo edema hipoalbuminêmico podem ser evitadas.

O consumo crônico de etanol provoca secreção de líquido pancreático rico em proteína, sem haver secreção proporcional de água e bicarbonato. Consequentemente há deposição de tampões espessados de proteína e obstrução dos pequenos ductos pancreáticos. Isto explica a admissão de que, a maioria dos casos de pancreatite alcoólica crônica, apresenta surtos repetidos de pancreatite aguda.

A calcificação dos tampões ductais pode formar cálculos compostos de precipitados de carbonato de cálcio. Estes cálculos podem intensificar a obstrução dos ductos pancreáticos e assim contribuir para o desenvolvimento de pancreatite crônica.

A indução do estresse oxidativo pelo álcool pode formar radicais livres nas células acinosas, levando a ativação de fatores de transcrição e à oxidação dos lipídeos da membrana. Desse modo, o estresse oxidativo promove a fusão dos lisossomos e os grânulos de zimogênio, necrose das células acinosas, inflamação e fibrose do tecido.Além disso, o etanol e seus metabólitos podem exercer efeitos tóxicos direto nas células acinosas do pâncreas. Como conseqüência, ocorre acúmulo de lipídeos nas células acinosas, perda dessas células e eventual fibrose parenquimatosa.

Adultos, de ambos os sexos, da 3ª à 6ª décadas de vida, são mais susceptíveis à forma aguda da doença. Quando associada à doença biliar calculosa é mais prevalente em mulheres, enquanto o alcoolismo atinge, em sua maioria, os homens.

Convém lembrar ainda que tal patologia pode ter sua causa associada a medicamentos, traumatismos, infecções virais, distúrbios metabólicos e do tecido conjuntivo.

O objetivo principal do tratamento utilizado para a pancreatite aguda/agudizada é evitar ao máximo o estímulo da função pancreática, caso não seja comprovada, a existência de um tratamento, que aja de forma direta sobre a inflamação pancreática. Assim faz-se restrição total de alimentos e líquidos, havendo a utilização de uma terapia de suporte,8 que depende da sintomatologia, incluindo a administração parenteral de eletrólitos, líquidos e analgésicos.

Pacientes com pancreatite aguda leve a moderada começam o tratamento com administração de líquidos intravenosos e jejum, partindo para uma dieta líquida branda entre o terceiro e sexto dia e, posteriormente, evoluem para uma dieta regular por volta do quinto ao sétimo dia.

A possibilidade de reintrodução da nutrição oral baseia-se nos seguintes fatores: redução da dor abdominal, fome do paciente e regressão da disfunção orgânica. Caso o paciente com pancreatite aguda grave ou prolongada não consiga comer normalmente, a utilização da nutrição parenteral total  é indicada para fornecer o apoio nutricional adequado.

Hellen Dutra Passos
Acadêmica de Medicina pela Faculdade Brasileira, Vitória - ES. Plantonista Estagiária do TOXCEN - Centro de Atendimento Toxicológico de Vitória - ES.
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