O que é transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH)?

O que é transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH)?
MEDICINA
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a sexualidade é considerada como um aspecto central da vida humana, a qual é vivenciada e expressa em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relações. A saúde sexual é diretamente afetada pelas relações afetivas e interpessoais, pela qualidade de vida, pela estrutura social e cultural da sociedade, aspectos que interferem no comportamento sexual masculino e feminino.


Você sabia que a falta de desejo para fazer sexo pode indicar o início de um transtorno? Homens e mulheres tem se queixado da falta de desejo, o que pode causar sofrimento e dificuldades interpessoais. O desejo sexual é um fenômeno subjetivo complexo que envolve as fantasias sexuais, os sonhos sexuais, a iniciação do comportamento sexual, a receptividade ao parceiro sexual, as sensações genitais, as respostas aos sinais eróticos no meio ambiente, entre outros fatores.


De acordo com Leiblum e Rosen (1988) o desejo sexual é um estado de sentimento subjetivo e motivador ativado por sugestões internas e externas que pode ou não resultar em um comportamento sexual efetivo. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, Quarta Edição, Texto Revisado (DSM-IV-TR, 2002), o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) é uma disfunção sexual caracterizada pela deficiência ou a ausência persistente ou recorrente de desejo ou fantasia sexual para a atividade sexual conduzindo a acentuado sofrimento e dificuldades interpessoais. Esta disfunção sexual pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres.


No Brasil, Abdo (2004) afirmou que a prevalência estimada para inibição de desejo sexual em homens e mulheres, por faixa etária é: de 5,8% para mulheres e 2,4% para homens, entre 18 e 25 anos; de 5,8% para mulheres e 1,5% para homens, entre 26 e 40 anos; 8,6% para mulheres e 1,8% para homens, entre 41 e 50 anos; 15,2% para mulheres e 2,2% para homens, entre 51 e 60 anos, 19,9% para mulheres e 4,8% para homens, acima dos 60 anos.


O TDSH tem sido muito referido pelas mulheres. Vale destacar que o modelo de resposta sexual feminino proposto por Rosemary Basson (2000) é constituído pelas fases de desejo, excitação, orgasmo e resolução ou relaxamento, com o diferencial de que as respostas femininas resultam mais da necessidade de intimidade, do que propriamente de uma estimulação sexual física.


Assim sendo, a motivação para que as mulheres tenham atividade sexual baseia-se em recompensas não necessariamente sexuais, como a intimidade, o contato, o desejo de agradar o parceiro. A autora afirma que a mulher pode sair de um estado de neutralidade sexual e motivada pela recompensa da intimidade emocional e do bem estar do parceiro, ativar voluntariamente seu ciclo de resposta sexual ficando receptiva a certos estímulos que possam despertar o desejo erótico. Tratar o TDSH feminino é um desafio, visto que sua etiologia ou causa é muito variada.

De acordo com Sandra Leiblum (2010) alguns fatores contribuem para o desinteresse sexual.

São eles: Fatores biológicos (desequilíbrios hormonais, medicamentos e seus efeitos colaterais, doenças crônicas, etc); Fatores do desenvolvimento (ausência de educação ou permissão sexual, infância e adolescência marcadas pela privação emocional, física, verbal ou afetiva, trauma ou coerção sexual); Fatores psicológicos (ansiedade, depressão, transtornos de apego e da personalidade); Fatores interpessoais (conflitos, insultos, perdas no relacionamento e incompetência ou disfunção sexual do parceiro); Fatores culturais (questões morais e crenças religiosas ou culturais relativas a conduta sexual apropriada); Fatores contextuais (aspectos ambientais, como privacidade, segurança e conforto).


A autora afirma que os problemas do desejo são considerados às vezes, produtos de uma variedade de fatores predisponentes (timidez versus impulsividade, variações ou deformidades anatômicas, inibição versus excitação); Fatores precipitantes (estressores do estágio da vida, como divórcio, infidelidade, menopausa, abuso de substância ou experiências humilhantes ou vergonhosas); Fatores perturbadores (estresse contínuo, fadiga, conflito de relacionamento ou preocupações com a imagem corporal).


O conhecimento dos aspectos relativos à função sexual, tais como, a anatomia do aparelho genital feminino e masculino, o conceito de ciclo de resposta sexual, bem como, a complexidade dos fatores envolvidos para a expressão da sexualidade, sejam estes fisiológicos, biológicos, psicológicos e socioculturais podem contribuir para que homens e mulheres desfrutem de uma vida sexual mais saudável.



Referências


Leiblum SR, Rosen RC. (1988). Introduction: Changing perspectives in sexual desire. In. Leiblum SR, Rosen RC(Eds.), Sexual desire disorders (pp.1-17) New York: Guilford Press.


Associação Psiquiatrica Americana (APA). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Texto revisado (DSM-IV-TR). Tradução Cláudia Dornelles 4ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.


Abdo CHN. Estudo da vida sexual do brasileiro (EVSB). São Paulo: Ninho Moraes, 2004.


Rosemary Basson. The female sexual response: a diferente model. Journal of Sex & Marital Therapy, v. 26, p. 51-65, 2000.


Sandra R. Leiblum. Tratamento dos Transtornos do Desejo Sexual: Casos Clínicos, 2010.

Mirian Bernardes Lopes Alves
Pós-Graduada em Sexualidade Humana pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM/USP), psicóloga e licenciada em Psicologia pela Universidade Paulista (UNIP), credenciada no Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP/99520), escritora de poesias, consultora em redação técnica, colunista da Revista Taboão News, em Taboão da Serra/SP e do Portal Trocando Fraldas em São Paulo.
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