Educação estética

Educação estética
PEDAGOGIA
Educação Estética pode ser definida, também, como a “alfabetização” na linguagem não verbal, linguagem da arte. A Educação Estética apresenta um novo ideal educativo, que tem por base à própria arte enquanto atividade livre e criadora. Assim, a Educação Estética visa à criação de um espaço propício para a educação dos sentidos e desenvolvimento da percepção sensorial e cultural do indivíduo. Ou seja, retomando a metáfora da lagarta que abriu esse estudo, após um período no espaço casulo, ela se transforma numa borboleta, sinal de aquisição das ferramentas necessárias para despertar o sentido do belo, criando poiesis.

De acordo com Nunes (1976), Schelling desenvolveu a primeira teoria moderna da liberdade como essência da poiesis. O resultado dessa prática é a cultura estética, emissária da liberdade da expressão do individuo.

Portanto, o conhecimento e a contextualização da produção artística na educação estética permite-nos adentrar no tempo/espaço histórico do ser humano, no seu modo de interpretar o mundo, na sua poética. Como ilustração desse pensamento, Mondin (1980), menciona que o filósofo Benedetto Croce, ao definir a Arte, afirmou que a estética é uma síntese de intuição e sentimento, que são representadas por meio das linguagens artísticas.

Para exemplificar isso, e para ressaltar os aspectos discutidos acima que permeiam a estética, Vasquez (1999), analisa a imagem da obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, sublinhando que o arquiteto, no momento em que projetou o prédio que abriga os Três Poderes, em Brasília, no Distrito Federal, símbolo da nação brasileira, vincula o caráter monumental da arquitetura com o caráter funcional do poder. A estética da arquitetura projetada traduz emotivamente o símbolo de uma nação, ao vincular seu caráter monumental e operacional.

A imagem anterior -inserida na cultura da estética nacional, e que evoca em nossos sentimentos, valores do poder de um momento histórico- pode nos convencer de que a educação estética enquanto alfabetizadora é fundamental para a educação do sensível na formação do indivíduo, também numa perspectiva política, intelectual ou moral.

Nessa perspectiva, Vasquez (1999), em outro exemplo, faz a alusão à estética representada na obra do artista pós-modernista Vicent Van Gogh. Em que o “mundo” expresso na pintura do dormitório do artista, exposta no Museu Van Gogh d’Orsay, em Paris, tem um espaço próprio. Para o autor esse espaço não está delimitado pela moldura, mas no humano inventado ou criado pelo pintor. O sensível nesta obra, como em todo objeto estético, adquire um significado emocional, dando lugar a “outro mundo”: o mundo de Van Gogh, feito de imagens, cores e texturas.

Sendo assim, pode-se concluir previamente que a abordagem da fundamentação da educação estética, prepara-nos para a alfabetização da linguagem não verbal, ou seja, para compreender aspectos funcionais que permeiam a interação comunicativa com a obra de arte, visando, sobretudo, o sentimento e a emoção.

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