Avaliação Audiológica

Avaliação Audiológica
FONOAUDIOLOGIA
Os primeiros anos de vida de uma criança são primordiais para a formação do “futuro adulto” e a linguagem ajudará a esta criança no seu dia a dia.

A privação, ausência de estímulos sonoros pode acarretar sérios problemas ao longo da vida, motivo o qual é importante um diagnóstico precoce, que identifique qualquer alteração, até mesmo a mais simples, pois a intervenção adequada será feita se o quanto antes for diagnosticado a alteração.

O sinônimo de avaliar é estimar, examinar, contar, ponderar, medir; por isso tem que ter muito cuidado quando formos avaliar uma criança, pois tal “proeza” requer habilidade, conhecimento, bom-senso, perícia e trabalho especializado.

O trabalho multidisciplinar é indispensável na hora de avaliar a criança com suspeita de alterações auditivas. Então, podemos enfatizar e ter como guia que avaliação é a análise, a apreciação; é o exame em si, é a estimativa que temos de algo.

Portanto, avaliação audiológica é detectar perdas auditivas, ou alterações que envolva desde a captação sonora até lesões cerebrais localizadas no lobo temporal e organização do córtex auditivo.

É na avaliação audiológica que podemos estabelecer diagnóstico diferencial tanto para perdas auditivas como para outros quadros patológicos. Na avaliação audiológica infantil temos suporte para quantificar e qualificar a deficiência auditiva precocemente, propondo auxílio no processo de (re) habilitação.

A avaliação audiológica infantil diferencia-se da do adulto. É necessário que o profissional tenha conhecimento do desenvolvimento infantil, experiência clínica e habilidade para conduzir qualquer teste com crianças, sem esquecer que cada uma tem o seu jeito individual de “SER” e de “AGIR”. Por isso é muito perigoso generalizar os atendimentos.

O processo de avaliação audiológico deve se adequado para cada caso, às vezes uma técnica serve para a maioria das crianças, porém pode não se adequar a uma determinada criança.

De acordo com Russo e Santos (1994), avaliação audiólogica é a observação das respostas comportamentais da criança a estímulos acústicos em situação controlada.

Para que a avaliação seja validada, algumas exigências são feitas com relação ao profissional e são as seguintes:
• Experiente em realizar avaliação audiológica em adultos.
• Experiente em observar respostas comportamentais globais e específicas a estímulos acústicos.
• Habilidade em manipular os instrumentos geradores de estímulos sonoros ou equipamentos.
• Reconhecer reações negativas e/ou positivas ao estímulo sonoro.
• Aplicar diferentes técnicas de avaliação da audição em bebês e crianças pequenas.
• Saber reconhecer o limite de cada criança.
• Gostar verdadeiramente de criança.

Alguns fatores podem agir e prejudicar diretamente a avaliação caso o profissional responsável pela avaliação audiológica não seja sensível ao ponto de respeitar as necessidades e limites da criança.

Na maior parte das técnicas a criança ativa e participativa é muito importante para o resultado, pois se a criança está indisposta, não demonstra interesse ou fornece pistas de que não está bem (está com fome, cansada, com sono, com sede, ou até mesmo doente), os avaliadores devem ter bom-senso para que a avaliação seja remarcada, pois caso contrário o profissional estará colocando em risco a veracidade dos resultados.

Para que as respostas não sejam interpretadas de maneira errônea é interessante traçar um perfil do profissional que atua diretamente na avaliação audiológica – lembrando que falaremos do audiologista, porém, este profissional é o fonoaudiólogo especialista em audiologia. Este profissional em especial atua na identificação, avaliação e no manejo dos pacientes com desordens auditivas e na prevenção da deficiência auditiva.

Os fonoaudiólogos e/ou audiologistas irão utilizar seus conhecimentos para entender os efeitos na comunicação, prepara o paciente para fazer mudanças na sua “vida”, “rotina”, altera noções erradas e ensina novas habilidades de comunicação.

O fonoaudiólogo que se envolve diretamente com avaliação auditiva está diretamente ligado ao aconselhamento de pacientes e familiares com relação ao que foi detectado na avaliação, além de poder estar à frente da adaptação de próteses ou qualquer outra forma de reabilitação.

Ao iniciarmos a avaliação auditiva infantil, temos que nos ater em primeira mão aos pais. O início de tudo é questionar os pais sobre o porquê de estarem no consultório, enfim, investigar os anseios da família (principalmente os familiares que estão diretamente envolvidos com a criança a ser avaliada).

O profissional tem que estar ciente que a avaliação não é somente a realização do procedimento, mensurar a audição ou localizar possíveis lesões. É de suma importância o levantamento da história clínica (o valor da anamnese advém da formação e filosofia clínica do profissional).

Por isso, o fonoaudiólogo/audiologista, ou profissional que estiver realizando a entrevista/conversa inicial com a família e criança, deve ter em mente que este primeiro contato é crucial para que avaliação audiólogica tenha êxito e seja realizada com tranquilidade para todos.

A American Speech-Language-Hearing Association e a Academia Brasileira de Audiologia (ABA) atribuem ao audiologista a tarefa de atender às necessidades do ser humano que apresenta uma perda auditiva real ou em potencial.

A criança a ser avaliada tem que ser vista de forma holística e não apenas suas orelhas, pois o conhecimento sobre seu passado, sua história, seu comportamento social e suas atitudes, a preocupação dos pais são essenciais.

Para realizar uma boa anamnese friso ser essencial três pontos, que são:
• Envolvimento dos pais – é necessário envolver ativamente os pais, fazer com que eles se sintam importante no processo de avaliação. Pois os pais são capazes de contribuir com suas observações para o quadro global, além de que eles estando envolvidos, facilita na aceitação dos achados e cooperação para possíveis tratamentos.
• As técnicas escolhidas – a anamnese irá “sugerir” quais técnicas serão mais apropriadas a cada caso.
• Tempo – o tempo designado varia de acordo com as necessidades clínicas, experiência e critério do serviço.

No entanto, existem várias maneiras de se conduzir uma anamnese, a sua aplicação irá depender do profissional, da instituição e dos procedimentos que foram estabelecidos para cada centro ou clínica.

Porém, não é recomendada para iniciar uma avaliação audiológica infantil a modalidade PERGUNTA/RESPOSTA, onde o profissional não tem tempo de olhar nos olhos do paciente/família (em alguns casos o paciente ainda está respondendo a primeira pergunta e o profissional já passa para a segunda). Iniciar assim torna a avaliação fria e mecânica, levando à possibilidade de respostas superficiais e à diminuição de respostas sinceras e verdadeiras.

Friso que o profissional deve entender profundamente o assunto, a fim de obter as informações que o levarão a traçar a abordagem clínica mais adequada a cada caso individualmente. A anamnese deve estar inserida no contexto emocional e psíquico que possibilite o profissional angariar a confiança da família e da criança.

É interessante que a anamnese não seja guiada pelo questionário, onde o profissional lê as perguntas para o paciente, pois isso torna o momento formal, podendo soar inabilidade do profissional. O essencial é que o profissional saiba o que perguntar para a família (pais e cuidadores), mesmo que antes ele tenha que memorizar, para tornar o momento informal e “descontraído”.

Ser fiel ao guia clínico é peça chave para manter o foco sempre centrado nos interesses da avaliação audiológica; assuntos alheios devem ser deixados de lado, cabendo ao profissional manter o assunto focado, além de estar com a atenção voltada para a criança – durante a entrevista a criança pode fornecer pistas do seu comportamento auditivo.

Basicamente as questões que o profissional deve abordar neste primeiro contato são:
• Queixas atuais;
• História médica, genética, da gestação ao parto;
• História do desenvolvimento motor e dos aspectos sociais/educacional;
• Descrição minuciosa da audição, fala e linguagem.

A queixa é o principal ponto. A família irá relatar as suas preocupações, o seu real motivo para a avaliação auditiva. A compreensão da queixa por parte do profissional é essencial, as preocupações expostas pelos familiares têm que ser mutuamente compreendidas.

Alguns pais são capazes de verbalizar seus anseios de forma direta e objetiva, porém, há pessoas que têm maior dificuldade de expor, motivo o qual devemos de forma sutil ter acesso a todas as informações.

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