Plantas com ação adaptogênica

Plantas com ação adaptogênica
FARMACIA
As espécies vegetais conhecidas como adaptógenos são caracterizadas por aumentar a resistência do organismo a pressões físicas, químicas e biológicas, são utilizadas na medicina holística. Durante a vida, todo ser humano enfrenta períodos de aumento de demanda física e psicológica. Dentro dos limites aceitáveis, esse estresse não é prejudicial à saúde. O grau de tolerância a esses estresses varia de indivíduo para indivíduo, assim como a faixa etária. Indivíduos com idade acima dos 30 anos tem menor tolerância ao estresse, e podem apresentar distúrbios secundários prejudiciais à sua saúde que podem surgir como resultado desse estresse crítico, como estômago irritável, úlcera gástrica, cólon irritável e hipertensão arterial. Estudos revelaram a influência de hormônios no controle da adaptação a doenças.

Experimentos apontaram que o aumento da secreção do hormônio cortisona está relacionado com o aumento de estímulos estressantes.

O ginkgo é uma planta decídua, com flores masculinas e femininas que ocorrem em árvores diferentes e não florescem antes dos 20-30 anos de idade. Pertence à família Ginkgoaceae, sendo o ginkgo a única espécie desta família.

As sementes de ginkgo são tradicionalmente descritas na China e em outras partes da Ásia oriental há 2000 anos. Extratos de folhas de ginkgo têm sido utilizados na medicina chinesa em curativos de feridas e na asma brônquica.

O extrato de ginkgo é produzido a partir de folhas verdes secas da árvore cultivada na China, Japão, Coreia do Norte, Coreia do Sul e de plantações na Europa coletadas no início do mês de maio, logo após o aparecimento de uma nova folhagem. Depois do processo de secagem, são compactadas em grandes fardos, que ajudam a mantê-las secas e evitam a fermentação devido à umidade.

A produção de extrato de ginkgo é realizada de modo padrão usando-se solventes polares para obtê-los a partir de folhas moídas. Determina-se que o extrato tenha uma proporção de erva/extrato na faixa de 50:1 em média, obtidos de uma mistura de água e acetona, depois purificadas sem adição de constituintes concentrados ou isolados.

Os principais constituintes químicos encontrados nas folhas de ginkgo são 22-27% de glicosídeos flavonoides (quercetina, canferol, isoramnetina), 5-7% de lactonas de terpeno (2,8-3,4% de ginkgolídios A, B e C e 2,6-3,2% de bilobalídio). Além desses, outros constituintes estão presentes nos extratos incluindo ácido hidroxicinurênico, ácido chiquímico, ácido protocatechuíco, ácido vanílico e ácido p-hidroxibenzoico.

Após a administração oral da solução ou comprimido do extrato padronizado de gingko Eb761 as lactonas terpênicas ginkgolídeo A, ginkgolídeo B e bilobalídeo apresentaram, em humanos, uma biodisponibilidade absoluta de 98-100%, 93% e 72%, respectivamente. Acredita-se que todos os componentes do extrato contribuam para o efeito terapêutico de alguma forma.

As ações farmacológicas do extrato de ginkgo estudadas são: Aumento da tolerância à hipoxia, principalmente no tecido cerebral; Inibição do edema cerebral pós-traumático ou induzido por toxina; Redução do edema e lesões da retina; Melhora a memória e a capacidade de aprendizado; Auxilia na compensação de distúrbios de equilíbrio, atuando na microcirculação;

Melhora as propriedades reológicas do sangue; Remoção de radicais livres tóxicos derivados do oxigênio e Inibição do fator de ativação plaquetária (PAF) exercendo efeito neuroprotetor.

A dose diária do extrato de ginkgo é de 120-240 mg de extrato seco, administrado em 2 ou 3 doses separadas, é indicado para o tratamento sintomático de deficit decorrentes de doenças cerebrais orgânicas (falha de memória, dificuldades de concentração, depressão, vertigem, zumbido e dor de cabeça), síndromes de demência, doença arterial oclusiva e na vertigem ou zumbido de origem vascular ou complexa. O extrato de ginkgo não se mostra tóxico nas doses terapêuticas. Os efeitos colaterais são bastante raros e consiste de desarranjo gástrico leve, dor de cabeça ou reações alérgicas cutâneas. Não há relatos de interações medicamentosas.

A terapêutica com o ginkgo é uma alternativa para o tratamento da demência que se faz atualmente com fármacos sintéticos com inúmeros efeitos indesejáveis, como a tacrina, piracetam e mesilatos ergoloides, fato que não ocorre com o extrato de ginkgo, de baixa incidência de efeitos colaterais.

A espécie Panax ginseng é a fonte da raiz da ginseng asiática, nativa da Coreia e da China, pertence à família botânica Araliaceae e cresce em regiões de altitudes de aproximadamente 1000 metros. Atualmente, a planta é cultivada na Coreia, China e Sibéria oriental, levando seis anos para se desenvolver. Caracteriza-se pela raiz carnosa amarela clara geralmente ramificada, de odor aromático e sabor amargo-doce. Os pós e extratos de ginseng são elaborados a partir das raízes secas que apresentam 2-3% de saponinas glicosídicas. Além de 30 ginsenosídios quimicamente conhecidos foram encontrados 0,05% de óleo volátil (sesquiterpenos).

Estudos farmacológicos em animais com os extratos de ginseng e os ginsenosídios demonstraram: Efeito estimulante do sistema nervoso central; Efeito protetor contra vários perigos (ex. radiação ionizante, infecções e toxinas); Proteção contra estresses físicos e psicológicos exaustivos; Efeitos no metabolismo de lipídios e carboidratos, na síntese de RNA e proteínas e efeito estimulante do sistema imunológico.

Em estudos clínicos em humanos, indicaram o que o tratamento com extrato de ginseng em doses de 200-600 mg/dia durante 60-120 dias proporcionaram aos indivíduos melhora da performance intelectual, física, melhora do humor, melhora de parâmetros metabólicos; e que durante o tratamento os indivíduos não apresentaram quaisquer efeitos colaterais. Apesar dos efeitos observados, o estudo do uso de extrato de ginseng não foi considerado por não apresentar as conformidades dos padrões científicos atuais. Entretanto, as preparações a base de ginseng são utilizadas na medicina como tônico contra fadiga e fraqueza, na dificuldade de concentração e como apoio na convalescência. A dose diária recomendada é de 1-2 g da droga vegetal ou 200-600 mg/dia do extrato. É limitada a duração da terapia até três meses, devido à possibilidade do aparecimento de efeitos semelhantes aos dos hormônios, como mastalgia, hemorragia vaginal e ação estrogênica. Dentre os efeitos adversos incluem efeitos no sistema cardiovascular, como edema e hipertensão; no sistema nervoso central, como insônia, agitação, nervosismo e redução da concentração; diarreia matinal e erupção cutânea.

A centela da família botânica Apiaceae consiste nas folhas de uma planta delgada e rasteira que cresce nas áreas tropicais pantanosas, como Índia e Sri Lanka. A composição das folhas de centela inclui compostos como ácidos triterpênicos pentacíclicos, como o asiático e o madecássio e seus glicosídios asiatícosideos e madecassosídeo. A planta tem uma famosa reputação como agente promotor de longevidade e como fortalecedor e revitalizante (adaptógeno) do organismo, tais efeitos cientificamente ainda não foram comprovados.

Alguns estudos farmacológicos e clínicos mostraram que preparações de centela realmente exercem um efeito benéfico no tropismo dos tecidos conectivos e favorece a cicatrização de feridas. Tais estudos não justificaram o efeito adaptógeno dessa planta. As preparações estão disponíveis em comprimidos e cápsulas para uso interno e cremes e pomadas para aplicação tópica. A dose habitual de centela é de 600 mg três vezes ao dia.

A unha de gato consiste de duas espécies, o gênero Uncaria da família Rubiaceae, a Uncaria tomentosa e a Uncaria guianensis, nativas da América do Sul tropical. Tais espécies são amplamente recolhidas na Amazônia para o mercado europeu e americano. São bastante utilizadas como remédios populares para uma variedade de condições por nativos dessas regiões, sendo considerada uma planta adaptógena por evidências que apontam efeito imunomodulador, anti-inflamatório, antimutagênico e antitumoral. Entretanto, tais atividades não foram provadas cientificamente.

As propriedades relatadas pelas espécies de Uncaria estão relacionadas à presença de alcaloides, como os alcaloides pentacíclicos de oxindole pteropodina, isopteropodina e isomitrafilina – responsáveis pela atividade imunoestimulante. Os alcaloides do tipo tetracíclicos de oxindole, como rincofilina e isorincofilina também estão presentes e antagonizam os efeitos dos alcaloides pentacíclicos. Produtos eficazes a base de unha de gato não devem conter mais de 0,02% de alcaloides tetracíclicos de oxindole a fim de não comprometer a atividade.

Os produtos vegetais com antioxidantes auxiliam na resistência do organismo a várias patologias, principalmente as relacionadas ao envelhecimento, sendo consideradas agentes adaptógenos. As principais fontes de agentes antioxidantes são: extrato de semente de uva (Vitis vinifera L.) padronizado para conter 8-85% de procianidinas; folhas de chá-verde (Camellia sinensis L.) que contêm até 30% de procianidinas quando não processadas, geralmente são concentradas e descafeinadas para produzir um extrato com 60-97% de procianidinas; extrato da casca do pinho marítimo (Pinus pinaster Mill.) concentrado com aproximadamente 85% de protocianidinas.

Os compostos protocianidinas apresentam extrema potência antioxidante, removendo radicais livres e inibindo a peroxidação lipídica. Além de se mostrarem capazes de inibir a colagenase, elastase, hialuronidase e beta-glucuronidase, enzimas envolvidas na degradação dos principais elementos da matriz extravascular. Dessa forma, as protocianidinas auxiliam na manutenção da permeabilidade capilar normal. A associação entre protocianidinas e ácido ascórbico exerce efeito sinérgico, sendo eficazes na cicatrização de feridas e na eliminação de colesterol. Estudos revelaram que os polifenóis encontrados nas folhas de chá verde, como o galato de epigalocatequina possuem atividade antitumoral. As atividades desses compostos contribuem para a proteção contra neoplasias e aterosclerose, normalmente relacionadas ao processo de envelhecimento.

As protocianidinas estão disponíveis na forma de cápsulas ou comprimidos, contendo os extratos em 80-97% de polifenóis. Recomenda-se uma dose de 100-500 mg/dia no início do tratamento e uma dose de manutenção de 50-100 mg/dia. Uma xícara de chá-verde possui entre 300-400 mg de polifenóis.

Colunista Portal - Educação
O Portal Educação possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos e disponibilizados para profissionais, acadêmicos e interessados em adquirir conhecimento qualificado. O departamento de Conteúdo e Comunicação leva ao leitor informações de alto nível, recebidas e publicadas de colunistas externos e internos.
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER