Historia da Sulfanilamida

Historia da Sulfanilamida
FARMACIA
“Sulfanilamida, um medicamento usado pra tratar infecções estreptocócicas, mostrou-se ter um acentuado efeito contra algumas bactérias e foi usado com segurança na forma de comprimidos e pó”.

Em meados da década de 1930, a sulfanilamida era fabricada nos Estados Unidos pela empresa Massengil. Vendia-se na forma de comprimidos e como pó para injetáveis, mas a empresa queria fabricar um xarope, porque a maior parte dos consumidores eram crianças e o consumo do medicamento seria mais fácil do que fazê-los na forma de comprimidos. Para desenvolver uma apresentação líquida teria que buscar um bom solvente, porque a sulfanilamida não dissolve em água.

Em 1937, o químico Harold Watkins, empregado da Massengil, descobriu que a sulfanilamida se dissolvia bem em dietilenoglicol, uma substância de sabor doce, usada como umectante industrial e anticongelante.

A nova formulação não foi testada para toxicidade. Naquela época a lei de alimentos e medicamentos não requeria estudos de segurança aos novos medicamentos.

Como não havia lei que obrigava a realizar provas toxicológicas por isso não foi feito o estudo farmacológico da nova preparação de sulfanilamida. Watkins falhou em não observar que dietilenoglicol, usado como anticongelante, é um veneno fatal.

Watkins preparou o xarope que continha 10% de sulfanilamida e 72% de dietilenoglicol, adicionou sabor framboesa e cor roxa para que não confundisse com outra bebida. A nova apresentação recebeu o nome de Elixir de Sulfanilamida.

Em setembro, Massengil distribuiu mais de 600 frascos do produto nas farmácias de todo o país e dividiu outros tantos entre os representantes comerciais e profissionais de saúde.
Em menos de um mês, vários médicos descobriram que o Elixir de sulfanilamida estava causando mortes. Ao receber os informes que advertiam do perigo, a Associação Médica Americana comunicou com Massengil e perguntou qual era a composição do elixir.

A Universidade de Chicago recebeu uma amostra do produto para avaliar a toxicidade em animais de laboratório, comprovou que era muito tóxico para os mamíferos.
Massengil mandou um telegrama a mil farmacêuticos, vendedores e médicos sem dar muitas explicações. Limitou-se a solicitar a devolução do produto.

A FDA aconselhou a empresa a enviar um segundo telegrama para declarar que o elixir era um veneno perigoso. Os esforços salvaram muitas vidas. Haviam distribuídos 1080 litros de elixir e se recuperaram uns 1050. O resto não se localizou e produziu a morte de cem pessoas, quase todas eram crianças para tratar de dor de garganta.

Os sintomas de intoxicação com dietilenoglicol eram desconhecidos. Os informes provenientes de distintos pontos do país foram revelando: forte dor abdominal, interrupção da micção, náuseas, vômitos, cegueira, convulsões e coma. A morte ocasionada pela falência renal não era imediata, podia acontecer até três semanas da ingestão do elixir.

A substância que produz os sintomas é uma substância derivada do dietilenoglicol: o ácido oxálico; este forma cristais nos rins e impede de funcionar corretamente. Na época não se conhecia antídoto e nem tratamentos para este tipo de intoxicação.

“Harold Watkins, o químico que recomendou o uso de dietilenoglicol, reconheceu que havia cometido um grave erro e se suicidou.”
Carol Ballentine, FDA’s Office of Public Affairs. June 1981. O FDA admitiu que as leis vigentes fossem inadequadas para proteger os consumidores de medicamentos. Em 1938, o governo americano aprovou a Acta Federal de Alimentos, Drogas e Cosméticos. Mediante este documento se criou um sistema de controle de medicamentos. Desde então, quem deseja vender um medicamento dos USA deve apresentar uma solicitação acompanhada de numerosos estudos toxicológicos. Os estudos são analisados por experts na área. Se o produto representa um risco inaceitável, não se autoriza sua venda.

A tragédia da sulfanilamida ocorreu porque não existia uma legislação adequada. Mas este erro serviu de lição para evitar novas desgraças.

Vinte e três anos depois, nos primeiros anos da década de 60, uma droga chamada talidomida afetou milhares de famílias em muitos países, inclusive o Brasil, com milhares casos de focomelia.

“O caso Contergan tornou-se o maior escândalo envolvendo medicamentos na Alemanha, com mais de 2.600 vítimas”.

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