Conceito e o Campo de Aplicação da Farmacoepidemiologia

Conceito e o Campo de Aplicação da Farmacoepidemiologia
FARMACIA
Farmacoepidemiologia é definida como "o estudo do uso e os efeitos dos medicamentos em um grande número de pessoas" (STROM, 2005). Também, Strom coloca que a farmacoepidemiologia “é a provisão de informações sobre os efeitos benéficos e perigosos de qualquer droga; permitindo assim melhor compreensão da relação risco-benefício para o uso de qualquer droga em qualquer paciente ciência e as atividades relativas a detecção, a identificação, avaliação, compreensão e prevenção de efeitos adversos ou qualquer problema possível relacionado com fármacos ".

Segundo Hartezama, a Farmacoepidemiologia pode ser definida como a aplicação do conhecimento, métodos e análise epidemiológica ao estudo dos efeitos benéficos e adversos dos medicamentos em populações humanas (HARTEZAMA, 1991).

A Agência Nacional de Vigilância Samitária - ANVISA utiliza no seu glossário a seguinte definição de Farmacoepidemiologia: é a aplicação dos métodos clássicos e clínicos da epidemiologia, bem como as tecnologias da moderna comunicação da farmacologia clínica e farmacoterapia. Ela representa a última fase de avaliação do desenvolvimento de um medicamento e é absolutamente essencial para completar o conhecimento de um novo produto para garantir a efetividade, segurança, racionalidade e o uso custo-efetivo (COBERT & BIRON, 2002).

Os objetivos da farmacoepidemiologia são: descrever, explicar, controlar e prever a utilização e os efeitos da terapêutica medicamentosa em tempo, espaço e populações definidas.

Algumas questões colocadas em estudos de farmacoepidemiologia:
- Como se pode acelerar a descoberta de efeitos adversos dos medicamentos?

- O que pode a indústria farmacêutica fazer para ajudar a aliviar o peso da doença em pessoas de idade avançada?

- Quais os fatores que na relação médico/doente influenciam a adesão à terapêutica e a continuidade da prestação de cuidados?

- Quais são os fatores que devem orientar a decisão de conduzir estudos de farmacovigilância?

- O que é que pode ser feito para prevenir o desenvolvimento de resistência aos antibióticos?

- Como deverá ser selecionado o grupo de controle para um estudo sobre a relação entre a utilização de medicamentos e as malformações congênitas?

- Como pode ser comparada a relação custo-efetividade de vários agentes trombolíticos no tratamento do infarto do miocárdio?

É uma disciplina que integra áreas de epidemiologia e da farmacologia clínica, portanto além de avaliar os efeitos indesejáveis dos medicamentos, verifica também os impactos econômicos e benéficos do seu uso na saúde e na qualidade de vida.

A Epidemiologia estuda a frequência e a distribuição das doenças, agravos ou eventos relacionados à saúde da população bem como seus determinantes e fatores que influenciam essa distribuição e a farmacologia clínica objetiva caracterizar a eficácia e segurança de fármacos e não somente seus efeitos no homem. Portanto a farmacoepidemiologia faz o elo entre as duas disciplinas. A-) Epidemiologia é tradicionalmente dividida em três grandes categorias. A. Epidemiologia descritiva, definida como estudo da ocorrência das doenças ou outros eventos relacionados á saúde da população.

B-) Epidemiologia analítica: estudo da associação entre as doenças e agravos a saúde e os hipotéticos fatores geradores destes, visando estabelecer uma relação causal através de estudos observacionais.

C-) Epidemiologia experimental: estudos nos quais a população é selecionada aleatoriamente e dividida em dois grupos, sendo um submetido ao fator em estudo e outro reservado para controle.

A farmacoepidemiologia utiliza-se dos três métodos conforme a questão a ser esclarecida.

A utilidade da aplicação da epidemiologia ao uso dos medicamentos pode-se ser pensada em dois momentos distintos: nos períodos pré e pós-comercialização de uma nova droga. O período prévio à comercialização se caracteriza pela investigação experimental - os Ensaios Clínicos, última fase dos testes de uma droga, no qual são buscados conhecimentos sobre eficácia e uma avaliação da sua margem de segurança. No período posterior à comercialização encontraremos a aplicação, embora não necessariamente exclusiva, mas preponderante da investigação observacional, aplicadas com o objetivo de suprir as limitações metodológicas dos ensaios em grupos relativamente pequenos.

Portanto, a farmacoepidemiologia abrange duas áreas de estudo: a farmacovigilância e os estudos de utilização de medicamentos.

Perini e Acurcio, 2001 colocam que estudos sobre o consumo de medicamentos são resultantes não apenas de um preciso diagnóstico de necessidades objetivas, avaliadas sob a ótica da clínica, mas também de padrões socioculturais do indivíduo, de um grupo social ou da sociedade como um todo. Demonstram, portanto, que para prevalecer o rigor científico no uso dos medicamentos, impõem-se a necessária competência para sobrepujar outras racionalidades que atuam, com suas próprias lógicas, no processo de determinação do consumo dessa tecnologia. A análise epidemiológica dessa prática deve buscar demonstrar como os padrões de condutas individuais são construídos e por sua vez constroem os padrões coletivos.

Ainda que, utilizando-se de grupos de pessoas, dentro do espírito da busca de uma consistência estatística para suas observações, o foco da atenção de ambas, farmacologia e epidemiologia, estão no indivíduo. O princípio fundamental da individualização na terapêutica exige, no entanto, parâmetros para a relativização dos riscos e dos benefícios e para a determinação de margens de segurança com relação à obtenção dos resultados objetivados, necessidades que as aproximam das potencialidades do raciocínio e metodologia epidemiológica.

Segundo Laporte & Tognoni, 1993, a cadeia do medicamento (Quadro 4) é o conjunto de elos sucessivos que vai do registro do medicamento até seu emprego pelo usuário. Cada um desses elos é um determinante, dos efeitos finais do fármaco sobre a saúde do paciente em particular e da comunidade em geral.

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