Galvanopuntura

Galvanopuntura
ESTETICA
O uso da corrente elétrica com fins terapêuticos em geral e especialmente para combater a dor, vem sendo utilizada desde os tempos antigos. A partir do século XVIII, ocorreu uma acelerada busca pelas explicações dos fenômenos elétricos observados nos animais e a partir destes estudos, os cientistas deduziram a hipótese de que os tecidos humanos são dotados de uma eletricidade intrínseca, e que estão envolvidos em processos fisiológicos fundamentais como a condução nervosa e a contração muscular (Guirro e Guirro, 2004).

A corrente galvânica é uma corrente com fluxo constante de elétrons em uma só direção. O fluxo da corrente não sofre interrupção nem varia sua intensidade. Também pode ser chamada de corrente contínua, direta, unidirecional ou constante. É uma corrente dita polar porque mantém definida a polaridade durante o tempo da aplicação, com ação a nível mais superficial (Agne, 2004).

O uso da corrente galvânica para fins terapêuticos iniciou-se no final do século XIX, quando a medicina física começou a utilizá-la para a introdução de medicamentos, tratando processos inflamatórios e reumáticos, como soluções de sulfato de magnésio nas bursites e histamina nas afecções reumáticas crônicas (Silva et al, 1999).

Na estética, a partir de 1930, começou-se a utilizar a corrente galvânica para realizar ionoforese ou iontoforese para mobilização de íons de ação cosmética e penetração de ativos pela pele por meio de uma técnica denominada ionização cosmeto-dinâmica (Silva et al, 1999).

A microcorrente galvânica é uma derivação da corrente galvânica na qual a intensidade utilizada se reduz a décima parte, trabalhando com microampères. Emprega-se esta corrente quando se utiliza um eletrodo do tamanho pequeno e necessita-se de intensidades menores. Vários estudos demonstram que a corrente contínua de baixa amperagem é capaz de aumentar a migração de fibroblastos, promover uma neovascularização e o alinhamento de colágeno no local aplicado (Robinson e Mackler, 2001).

A galvanopuntura é uma técnica que utiliza a microcorrente galvânica para tratar rugas e estrias por meio de lesões teciduais provocadas por estímulos físicos gerados por uma agulha associado às propriedades da corrente galvânica. Seu uso abriu uma nova perspectiva no tratamento de estrias, sendo uma boa alternativa de melhora estética do aspecto da pele (Guirro e Guirro, 2004).

A agulha utilizada na galvanopuntura provoca uma lesão traumática na epiderme, obrigando o organismo a uma ação reparativa. Em resposta a esta lesão, haverá uma dilatação dos pequenos vasos da derme, causando hiperemia e discreto edema local.

Toda a zona tratada é preenchida por um exsudato inflamatório composto de leucócitos, eritrócitos, proteínas plasmáticas e fáscias de fibrina. O processo de epitelização inicia-se simultaneamente, obrigando as células epidérmicas a penetrar pelo interior das fendas formadas pela agulha e estimuladas pela formação de fibrina originada pela hemorragia da microlesão (Borges, 2006).
        Técnica de aplicação

O equipamento de galvanopuntura consiste em uma caneta aplicadora na qual é acoplado um eletrodo ativo em forma de agulha.A agulha para galvanopuntura pode ser do tipo descartável ou esterilizável e de material inoxidável.

Quando for esterilizável, a agulha pode ser higienizada por imersão em solução esterilizante ou por autoclave. A agulha deve ser fina, porém rígida para penetrar com firmeza na pele. Seu comprimento deve ser de no máximo 4mm (Borges, 2006)

O procedimento consiste na estimulação individual de todo o leito da estria de forma individual, até que seja obtido um quadro de hiperemia e edema local. A agulha deve estar conectada à caneta aplicadora que por sua vez, é conectada ao polo negativo da microcorrente galvânica.

Além do eletrodo ativo em forma de agulha, utiliza-se também um eletrodo dispersivo (polo positivo), que deve estar conectado ao corpo da paciente (tronco ou membro inferior) para que a corrente seja transmitida.

Para aplicar a técnica o profissional deve preocupar-se com a higienização do local e com a sua paramentação pessoal. Recomenda-se o uso de touca no cabelo, máscara e luvas de procedimento. A pele do paciente deve ser higienizada com álcool a 70% antes da introdução das agulhas. A ponta das agulhas também deve ser higienizada da mesma maneira (Borges, 2010).

Em relação à intensidade da corrente, na prática clínica, recomenda-se o uso de 70 a 100 microamperes para o tratamento da pele estriada. Esses valores podem variar de acordo com a sensibilidade individual de cada paciente. Recomenda-se a utilização da máxima intensidade tolerada, para haver maior lesão tecidual e consequentemente maior tempo de processo inflamatório presente, intensificando o processo de reparo. Não se deve ultrapassar o limite de 400 microamperes a fim de evitar manchas na pele decorrentes da forte ação da corrente galvânica (Borges, 2010).

A agulha deve ser introduzida nas camadas intermediárias da epiderme. Não devemos realizar as punturações de forma muito superficial, porque as camadas mais superiores da epiderme são corneificadas e o resultado inflamatório não será satisfatório.

Por outro lado, a agulha não deve ser introduzida muito profundamente, uma vez que o estrato basal não deve ser lesado para não dificultar o processo de reparo tecidual (Borges, 2010).

Cada punturação deverá ser feita bem próxima da anterior, deixando pouco espaço entre elas (figura 06). Ao final das punturações, deve-se observar todo o trajeto trabalhado e verificar se a hiperemia está homogênea. Caso não esteja, é preciso refazer as punturações nos locais não hiperêmicos (Borges, 2010).

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