Principais dificuldades do ensino da farmacologia ao curso técnico de enfermagem

Principais dificuldades do ensino da farmacologia ao curso técnico de enfermagem
ENFERMAGEM
Icaro do Nascimento Martins[1]


RESUMO

Trata-se de artigo que referencia o ensino da farmacologia ao curso técnico de enfermagem, frente a uma realidade aonde os cálculos matemáticos realizados neste módulo são vistos de formas de complexa absorção pelos estudantes. Este artigo tem por objetivo geral discutir a farmacologia quanto ciência aplicada ao curso técnico de enfermagem, especificamente apontar os principais desafios e dificuldades no seu ensino ao curso técnico e propor por meio uma abordagem andragógica do educador quando lhes for dado a oportunidade de lecionar a farmacologia. Trata-se de uma pesquisa exploratória, descritiva, explicativa; característica bibliográfica e documental.



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1 Enfermeiro Pesquisador no EDUCOTEC Universidade Federal do Amazonas- UFAM. E-mail: enfermeiro.icaro@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/1214835428883298




INTRODUÇÃO

O curso técnico de enfermagem forma o profissional que estará 24h diárias com o paciente no âmbito intra-hospitalar. Este técnico de enfermagem que é supervisionado pelo enfermeiro possui multicompetências, uma delas é o cálculo e administração de medicamentos observados no módulo de farmacologia como competência deste profissional. A não absorção ou a absorção deficiente da farmacologia por este profissional poderá causar transtornos muitas vezes irreversíveis ao paciente e à sociedade em geral.


Qual as principais dificuldades encontradas no ensino da farmacologia ao curso técnico de enfermagem em escola privada em Manaus. E quais os principais métodos e metodologias disponíveis para sanar estas dificuldades?


Tem se como objetivo geral identificar as principais dificuldades do ensino da farmacologia ao curso técnico de enfermagem em uma escola privada em Manaus no ano de 2015. E tem se como objetivos específicos, expor as principais dificuldades do ensino da farmacologia; apresentar as principais dificuldades do ensino da farmacologia de maneira a entender a problemática; apontar propostas para amenizar as principais dificuldades do ensino da farmacologia mediante ao empoderamento coletivo entre alunos e professor. Supõe-se que a principal dificuldade do ensino da farmacologia além do não domínio de cálculos matemáticos é a complexidade em se aprender os termos técnicos bem como a farmacocinética e a farmacodinâmica.

1. PRINCIPAIS DIFICULDADES DO ENSINO DA FARMACOLOGIA EM ENFERMAGEM

Diante de tudo o que vimos na apresentação da disciplina e de tantas possibilidades, é importante que se compreenda a farmacologia, como o princípio da cura, ou seja, a partir do paciente certo, hora certa, medicamento certo, dose certa via certa. Essas certezas são imprescindíveis no exercício de enfermagem, e ao lidar com as medicações. Precisamos formar cada vez mais, profissionais competentes, conscientes, comprometidos com o fazer, para que não se faça atrocidades com os pacientes seja por falta de supervisão, ou conhecimento técnico científico. É necessário exigências no decorrer do curso, formando exclusivamente profissionais que demonstraram competências durante a academia. Novos tempos, novas tecnologias, novas problemáticas, novos paradigmas. Uma única certeza nesse percurso é a competência, dos docentes, o comprometimento do aluno, e a criação de estratégias educacionais, para que se tenha a sensação do dever cumprido.


2. POSSÍVEIS INTERVENÇÕES NO ENSINO DA FARMACOLOGIA EM ENFERMAGEM

A Farmacologia pode ser definida como o estudo das substâncias que interagem com sistemas vivos por meio de processos químicos, especialmente através de sua ligação a moléculas reguladoras e ativação ou inibição dos processos corporais normais. Essas substâncias podem ser compostos químicos administrados com o objetivo de obter-se um efeito terapêutico benéfico sobre algum processo no paciente ou, por seus efeitos tóxicos sobre processos reguladores (KATZUNG, 2003).


No Brasil, a administração de medicamentos é regulamentada pelo Decreto Lei n. 94.406/87, que regulariza a Lei n. 7.498/86 (Lei do Exercício Profissional de Enfermagem), conferindo respaldo legal à equipe de enfermagem para essa prática. De acordo com essa lei, o agir do enfermeiro envolve a prevenção de erros, a garantia de maior segurança na assistência e, acima de tudo, a garantia dos direitos do paciente ou usuário. (FAKIH, 2009)


Tendo a legislação em vista, ressalta-se que as ações do Enfermeiro são relacionadas ao respeito à dignidade humana e devem, dessa forma, ser pautadas pela responsabilidade. O conhecimento do Enfermeiro sobre os aspectos éticos e legais que envolvem o processo de medicação e suas implicações mostra-se de suma importância, tanto como forma de conscientização como para garantir maior segurança na assistência e assegurar os direitos do paciente.(FAKIH, 2009)


No modelo andragógico a educação é de responsabilidade compartilhada entre professore aluno. O professor deve aprender que os adultos preferem que ele lhes ajude a compreender a importância prática do assunto a ser estudado, preferem experimentar a sensação de que cada conhecimento fará diferença em suas vidas. (FERREIRA;BATISTA 2009).


Os profissionais devem, assim, formarem-se de maneira autônoma revisitando sua construção por meio de diferentes meios, após seus estudos universitários iniciais.


Desse ponto de vista, a formação profissional ocupa, em princípio, uma boa parte da carreira e os conhecimentos profissionais partilham com os conhecimentos científicos e técnicos, a propriedade de serem revisáveis, criticáveis e passíveis de aperfeiçoamento



CONSIDERAÇÕES FINAIS

A administração de medicamentos apresenta grande complexidade e numerosas possibilidades de pesquisa. Sugere-se, assim, a realização de novos estudos, mais aprofundados, que contemplem essa temática de modo integral, bem como o incentivo para que os estudantes busquem mais conhecimento na área. Além do mais a posição do docente na sua atuação exercendo a Andragogia seria um diferença no ensino de adultos, bem como a escuta atenta do aprendizado e dos alunos quanto ao ensino-aprendizado da farmacologia.


O professor necessita de qualificação para saber o que, para que e por que trabalhar cada atividade. Por isso, é importante tomar consciência da relevância de como levar conhecimento que não por intermédio de monólogos cansativos, mas por meio de aulas participativas e lúdicas, pois os adultos, ao contrário das crianças dão ênfase em macetes, dinâmicas, necessitam ser escutados, incentivados e parabenizados para não se desmotivarem quanto à complexidade de cálculos matemáticos que geralmente não são tão presentes na enfermagem.
REFERÊNCIAS

FAKIH FT, Freitas GF, Secoli SR. Medicação: aspectos ético-legais no âmbito da enfermagem. Rev Bras Enferm [Internet]. 2009 [cited 2014 May 10]; 62(1):132-5. Disponível em http://www.revista.ufpe.br/revistaenfermagem/index.php/revista/article/download/6537/10870 acesso em: 03/04/2016.


FERREIRA, Beatriz Jansen; BATISTA, Nildo Alves Batista. Qualificação do trabalho pedagógico na formação de recursos humanos em saúde: a experiência do MP- Norte - CEDESS/UNIFESP. Disponível em: http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/ixenpec/atas/resumos/R1223-1.pdf acesso 06 de fevereiro de 2016.


FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas técnicas para trabalho Científico: Explicitação das Normas da ABNT. 15. ed. Porto Alegre:[s.n.],2010.
KATZUNG BG. Farmacologia Básica e Clínica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.


LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia científica. 4.ed rev. e amp. São Paulo: Atlas 2001


SEVERINO, Antonio Joaquim, 1941. Metodologia do Trabalho Científico. 23ed ver. e atualizada. São Paulo: Cortez, 2007.


SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia de Trabalho Científico. 22 ed. São Paulo: Cortez, 2002.


SMELTZER, Suzanne C. BARE, Brenda G. BRUNNER & SUDDARTH. Tratado de Enfermagem Médico Cirúrgica. 9.ed Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. v.3.

Icaro do Nascimento Martins
Atualmente é Professor da Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas ESA/UEA; Pesquisador no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psicopedagogia Diferencial da Universidade Federal do Amazonas; Colaborador do PSICOTEC/UFAM. Enfermeiro Sanitarista, Emergencista e Intensivista. Possui experiência na área de Enfermagem, com ênfase em DOCÊNCIA, NRs, Legislação e Auditoria.
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