Prevenção das doenças e promoção da saúde

Prevenção das doenças e promoção da saúde
ENFERMAGEM
De acordo com Rouquayrol e Goldbaum (2003):

Saúde pública e epidemiologia são indissociáveis quanto a seus objetivos sociais e quanto à sua prática, sendo a epidemiologia o instrumento privilegiado para orientar a atuação da saúde pública. Se a saúde pública é a face tecnológica, a epidemiologia será a face científica. A saúde pública intervém buscando evitar doenças, prolongar a vida e desenvolver a saúde física e mental e a eficiência. A epidemiologia persegue a observação exata, a interpretação correta, explicação racional e a sistematização científica dos eventos de saúde-doença em nível coletivo, orientando, portanto, as ações de intervenção.

Entender a origem da palavra é fundamental. Devemos compreender que prevenir é antecipar-se a um evento, ou mesmo evitá-lo. Rouquayrol e Goldbaum (2003) descrevem que prevenção em saúde pública é a ação antecipada, tendo por objetivo interceptar ou anular a evolução de uma doença.

O uso da saúde pública como tecnologia abrange conhecimentos da medicina preventiva, com intuito de evitar doenças, prolongar a vida e desenvolver a saúde física e mental e a eficiência.

Este padrão de prevenção não deve ser instituído apenas em atenção coletiva, mas deve abranger o componente preventivo da medicina individualizada.

Rouquayrol e Goldbaum (2003) completam o entendimento da promoção da saúde visando uma sociedade sadia, ressaltando que esta não depende apenas da ação dos especialistas, pois a ação preventiva no âmbito coletivo deve começar ao nível das estruturas socioeconômicas, ao nível das estruturas políticas e econômicas ou as ações dos especialistas não terão efetividade prática.

Este ponto de vista justifica a utilização da educação em saúde promovida pelo profissional de saúde, pois a prevenção só acontece efetivamente a partir da conscientização da comunidade envolvida, procurando sensibilizá-los para mudanças.

Cabe a todos o questionamento sobre a verdadeira ação das instituições sociais e econômicas, pois estas podem estimular desenvolvimento dos mecanismos de saúde ou de doença.

Além das ações de prevenção desenvolvidas através da minimização dos efeitos da pobreza e ignorância, que é dever de todos, cabe, ao nível da prática de saúde pública, a interpretação de ações preventivas que agem na descontinuidade da cadeia patogênica, ou no ambiente físico ou social ou no meio interno dos seres vivos afetados ou suscetíveis.

Contudo, apesar de termos realizado referências generalizadas, existe diferença entre prevenção e promoção.

De acordo com Westphal (2006), a promoção de saúde é uma ação de prevenção primária, acabando por se confundir com a prevenção ao nível da proteção específica. A prevenção secundária e a terciária visam minimizar os fatores de risco relacionados aos agentes patogênicos e ao ambiente.

Com propostas voltadas para a adoção de medidas educativas e fiscalização para que sejam realizadas ações adequadas, assim como seu reforço, no que se refere ao enfrentamento de doenças.

Mas, nem sempre as atividades em saúde pública eram executadas ou mesmo pensadas pelos governantes e profissionais da saúde. Historicamente, a promoção de saúde pode ser considerada recente.

Abaixo, segue o desenvolvimento cronológico da promoção de saúde no mundo e no Brasil:

1974 – Informe Lalonde: Uma Nova Perspectiva sobre a Saúde dos Canadenses

1976 – Prevenção e Saúde: Interesse para Todos, DHSS (Grã-Bretanha)

1977 – Saúde para todos no ano 2000 – 30ª Assembleia Mundial de Saúde

1978 – Conferência Internacional sobre Atenção Primária de Saúde – Declaração de Alma-Ata

1979 – População Saudável (EUA)

1980 – Relatório Black sobre as Desigualdades em Saúde (Grã-Bretanha)

1984 – Toronto Saudável 2000 – Campanha lançada no Canadá

1985 – Escritório Europeu da Organização Mundial da Saúde: 38 Metas para a Saúde na Região Europeia

1986 – Alcançando Saúde para todos: Marco de Referência para a Promoção da Saúde.
Carta de Ottawa sobre Promoção da Saúde – I Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Canadá)

1987 – Lançamento pela OMS do Projeto Cidades Saudáveis

1988 – Declaração de Adelaide sobre Políticas Públicas Saudáveis – II Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Austrália)

1989 – Uma Chamada para a Ação – Documento da OMS sobre promoção da saúde em países em desenvolvimento

1990 – Cúpula Mundial das Nações Unidas sobre a Criança (Nova York)

1991 – Declaração de Sundsvall sobre Ambientes Favoráveis à Saúde – III Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Suécia)

1992 – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92). Declaração de Santa Fé de Bogotá – Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde na Região das Américas (Colômbia)

1993 – Carta do Caribe para a Promoção da Saúde – I Conferência de Promoção da Saúde do Caribe (Trinidad e Tobago)

1994 – Conferência das Nações Unidas sobre População e Desenvolvimento (Cairo)

1995 – Conferência das Nações Unidas sobre a Mulher (Pequim)
Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Social (Copenhague)

1996 – Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (Istambul)
Cúpula Mundial das Nações Unidas sobre Alimentação (Roma)

1997 – Declaração de Jacarta sobre Promoção da Saúde no Século XXI em diante – IV Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Indonésia) Breve cronologia da Promoção da Saúde no Brasil:

Década de 1970:

• Críticas ao modelo assistencial vigente, centrado na assistência médico-hospitalar. Medicina social. Ciências sociais em saúde

• Tese O Dilema Preventivista, de Sérgio Arouca

• Surgimento dos primeiros projetos de atenção primária/medicina comunitária (Montes Claros/MG, Sapucaia/RJ e Niterói/RJ)

• Surgimento do “movimento sanitário”

• Conferência Internacional sobre Atenção Primária e Declaração de Alma-Ata

Década de 1980:

• Movimento de redemocratização do país

• Protagonismo político do “movimento sanitário”

• Preparação da VIII Conferência Nacional de Saúde, com ampla participação social (1985)

• VIII Conferência Nacional de Saúde, com afirmação de princípios da promoção da saúde (sem este rótulo): determinação social e intersetorialidade. No Canadá, aparece a Carta de Ottawa (1986)

• Processo constituinte, com grande participação do “movimento sanitário” (1986-1988)

• Constituição Federal, com características de promoção da saúde (1988)

Década de 1990:

• Lei Orgânica da Saúde, reafirmando os princípios promocionais da Constituição (1990)

• Organização dos Conselhos de Saúde em todos os níveis: participação social, composição paritária, representação intersetorial (1991)

• RIO 92, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992)

• Plano Nacional de Saúde e Ambiente: elaborado, não sai do papel (1995)

• (a partir de 1995) PACS e PSF; NOB 96 (Piso Assistencial Básico); Pesquisa Nacional de Opinião sobre Saúde; Debates sobre Municípios Saudáveis

• Surgimento da revista Promoção da Saúde (Ministério da Saúde) e anúncio do I Fórum Nacional sobre Promoção da Saúde (1999)

Adaptando os conceitos de Rouquayrol e Goldbaum (2003) e de Westphal (2006), apresentamos a seguir a distribuição das ações em cada uma das fases de prevenção.

- Prevenção Primária

- Promoção da Saúde: feita através de medidas de ordem geral.

- Moradia adequada com comportamentos higiênicos relacionados à própria habitação como em seu entorno.

- Escolas, para além da formação básica, desenvolver reflexão e senso crítico.

- Áreas de lazer, prática de exercícios físicos e respeito ao repouso com medidas de contenção de estresse.

- Alimentação adequada, estimulando o hábito alimentar saudável.

- Educação em todos os níveis, melhorando a resistência e o bem-estar geral dos indivíduos (Estratégias para prevenir a exposição ao fator de risco: não utilização de drogas e de tabaco, ingestão de gorduras).

- Proteção Específica

- Imunização.

- Saúde ocupacional.

- Higiene pessoal e do lar

- Proteção contra acidentes.

- Aconselhamento genético.

- Controle dos vetores.

O uso de preservativos em atos sexuais também é uma ação de proteção específica contra doenças sexualmente transmissíveis.

- Prevenção Secundária

- Diagnóstico Precoce: Utilizado em indivíduos sadios, porém potencialmente em risco, ou ainda na identificação de doentes assintomáticos.

- Inquérito para descoberta de casos na comunidade.

- Exames periódicos, individuais, para detecção precoce de casos (câncer de colo uterino, câncer de mama, câncer de próstata, exame de escarro para tuberculose e outros.)

- Isolamento para evitar a propagação de doenças.

- Tratamento para evitar a progressão da doença, assim como mudanças.

- Prevenção Terciária: Focada nos indivíduos com sequelas oriundas de acidentes ou doenças e buscam sua recuperação ou sua manutenção do equilíbrio funcional:

- Reabilitação (impedir a incapacidade total).

- Fisioterapia.

- Terapia ocupacional.

- Saúde mental

- Emprego para o reabilitado.

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