Cuidados na Enfermagem na Prevenção de Úlcera por Pressão em UTI

Cuidados na Enfermagem na Prevenção de Úlcera por Pressão em UTI
ENFERMAGEM
INTRODUÇÃO

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI), é um setor hospitalar, que necessita de assistência médica e de enfermagem por tempo integral, os equipamentos são específicos, e os recursos humanos qualificados .Os profissionais que trabalham neste setor, são possuidores de grande habilidade, conhecimento e destreza para a realização de procedimentos complexos (DUCCI, ZANEI, WHITAKER 2008).

A carga de trabalho destinada aos profissionais de enfermagem é reconhecidamente alta, devido a complexidade dos pacientes alocados no setor, que se encontram em constante alterações hemodinâmicas e com risco iminente de morte, o que exige atenção ininterruptas, cuidados complexos e decisões imediatas (DUCCI, ZANEI, WHITAKER 2008). A UTI é um setor de extrema complexidade, onde encontramos pacientes com diagnósticos médicos diferenciados, entretanto com algo em comum, todos necessitam de cuidados especiais. Neste setor a grande maioria dos pacientes estão acamados e possuem alguma dificuldade ou restrição para movimentar-se no leito.

Diante de todo esse impasse, o enfermeiro deve procurar voltar sua atenção para os pacientes que apresentem uma maior pré-disposição a ter esse tipo de complicação, sendo de responsabilidade de toda a equipe de enfermagem identificar e prevenir os fatores de risco para o aparecimento da ulcera por pressão (LOURO, FERREIRA, PÓVOA 2007).

A prevenção deve ser tratada como um problema de saúde que necessita do empenho e envolvimento de toda a equipe de enfermagem, pois são esses profissionais que prestam o cuidado direto ao paciente (MEDEIROS, LOPES, JORGE 2009).

OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral


Fornecer dados de forma cientifica de que, a prevenção de úlcera por pressão em pacientes internados em UTI, é a forma mais simples e econômica de tratamento.

2.2 Objetivos específicos

 Fornecer a equipe de enfermagem informações sobre prevenção de úlcera por pressão em pacientes internados em UTI.

 Identificar os riscos dos pacientes internados em UTIde desenvolver úlcera por pressão.

 Analisar os principais métodos de prevenção de úlcera por pressão que são aplicados em pacientes críticos.

JUSTIFICATIVA

O cuidado de enfermagem deve promover uma atenção ao enfermo capaz de oferecer inúmeros benefícios, principalmente a quem está com restrição de movimento e elevada dependência de cuidado devido ao estado de saúde que o impossibilita de executar suas funções normais naquele momento. Dessa forma o enfermeiro deve voltar sua atenção a esses pacientes que possuem uma pré-disposição a desenvolver úlcera por pressão. Por isso surge uma iniciativa expor a idéia de como prevenir o surgimento de úlcera por pressão e demonstrar ser um método mais fácil e que preocupa não só a equipe de saúde mas também órgãos governamentais.
REFERENCIAL TEÓRICO

4.1 Acometimento de Úlcera por Pressão


Atualmente, a magnitude das conseqüências da ulcera por pressão seja em termos de sofrimento humano ou em termos econômicos, despertou a atenção não só de estudiosos pesquisadores ou profissionais , mas também de órgãos governamentais ligados a saúde, de modo que a prevenção e o tratamento das ulceras de pressão tem tido prioridade no desenvolvimento de políticas que orientam a prática fundamentada em bases cientificas (RANGEL, CALIRI 2009).

O desenvolvimento de úlcera por pressão em pacientes hospitalizados é um grande problema de saúde que gera desconforto , aumenta custo, prolonga o período de internação e até mesmo majora taxas de mortalidade (FERNANDES, 2006) A prevalência de ulcera por pressão no ambiente hospitalar é extremamente alta, variando de 2,7% ao máximo de 29,5 %. Pacientes tetraplégicos(60%) e idosos com fratura de colo de fêmur (66%) atingem as mais altas taxas de complicações, seguidos por pacientes criticamente doentes (33%).

De uma forma geral, aproximadamente 40%dos pacientes com lesões medulares que completam o seu tratamento desenvolvem uma ulcera por pressão (COSTA, et al. 2005).

4.2 Definição


A ulcera por pressão é definida pelo National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP) como áreas localizadas de tecido necróticos que tendem a se desenvolver quando um tecido é comprimido entre uma proeminência óssea e uma superfície dura por um período de tempo prolongado (NETTO, BRITO 2001).

São vários os fatores que colaboram para o surgimento dessas lesões sendo os principais causadores: imobilização, dependência parcial ou total de locomoção, alteração do nível de consciência, idade avançada, estado nutricional, pressão excessiva ou prolongada sobre os tecidos, umidade da pele em contato com tecidos, edemas generalizados, aparelhos com gesso e incontinência urinária e/ou fecal (DELISA, GANS 2002).

4.3 Fisiopatologia

A pressão capilar normal é de 32mmHg, assim quando ocorre uma pressão sobre proeminência óssea que excede esse limite, o paciente desenvolve uma isquemia no local, sendo que o primeiro sinal a ser observado é o eritema, devido a hiperemia reativa, formando um rubor com coloração vermelho vivo a medida que o corpo tenta suprir o tecido carente de oxigênio (SMELTIZER, BARE 2005). Fernandes (2000) pontuou que se a pressão não for aliviada , a oclusão capilar e isquemia tissular levam os tecidos a privação de oxigênio e nutrientes, e os restos metabólicos são acumulados.

Os capilares lesados tornam se mais permeáveis, fazendo com que líquidos sejam transferidos para o espaço intersticial, causando edema. O edema depois de instalado, dificulta a perfusão sanguínea e conseqüentemente acentua o quadro de hipóxia, e a inflamação tissular torna-se exacerbada, consolidando o inicio da ulcera por pressão , caracterizada como estágio I.

O diagnóstico da ulcera por pressão é por método visual através da avaliação que deve ser feita diariamente pelo enfermeiro no mínimo uma vez ao dia, onde será classificado o estágio em que a ulcera se encontra. As ulceras por pressão são classificadas em estágio I a IV de acordo com a lesão dos tecidos, como indicado no Quadro 1.

QUADRO 1 - Estágios de úlceras por pressão.

Úlcera por pressão estágio I: se caracteriza por pele intacta com hiperemia de uma área localizada que não embranquece, geralmente sobre proeminência óssea. A pele de cor escura pode não apresentar surgimento de áreas brancas visível e sua cor pode diferir da pele ao redor;

Úlcera por pressão estágio II: ocorre a perda parcial da espessura dérmica, apresenta-se como ulcera superficial com o leito de coloração vermelho pálida, sem esfacelo. Pode apresentar-se ainda com o uma bolha preenchida com exsudado seroso, intacta ou rompida.

Úlcera por pressão estágio III: se caracteriza pela perda de tecido em sua espessura total. A gordura subcutânea pode estar visível, sem exposição de osso, tendão ou musculatura, o esfacelo pode estar presente sem prejudicar a identificação da profundidade da perda tissular.

Úlcera de pressão estágio IV: é caracterizada pela perda total de tecido e a exposição óssea, e de musculatura e tendão, pode haver presença de esfacelo e freqüentemente, inclui descolamento e tuneis.

Fonte: FERNANDES , 2000.4.4 Manutenção da Integridade da Pele

A manutenção da integridade da pele e tecidos subjacentes tem sido tradicionalmente uma responsabilidade da equipe de enfermagem, embora outros profissionais da equipe de saúde devam estar envolvidos pela natureza multifatorial do problema. A presença das ulceras por pressão tem sido apontadas como um indicador de qualidade da assistência dos serviços de saúde e a maior parte delas podem ser prevenidas com adoção de medidas adequadas e educação para prevenção dirigidas a profissionais de enfermagem. A prevenção é claramente o modo mais fácil, e mais barato e bem sucedido de tratamento, os elementos essenciais de um programa efetivo de prevenção incluem uma pratica baseada em evidencias, de modo a encorajar uma assistência a saúde de melhor qualidade (NOGUEIRA et al ,2002).

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo de revisão de literatura crítica referente a úlcera por pressão. A busca bibliográfica foi realizada no período compreendido entre Fevereiro de 2011 e Maio de 2011. As bases de dados escolhidas por este estudo foram as seguintes: LILACS (Literatura Latino Americana em Ciência da Saúde) e BIREME. Para a busca dos artigos científicos, utilizaram-se os seguintes descritores: "prevenção" E "úlcera por pressão" E "terapia intensiva" em cada uma das bases de dados citadas.

Os critérios de inclusão foram (i) artigos publicados no período 2000 à 2001, (ii) artigos publicados no idioma português. Outros artigos foram identificados a partir das listas de referências bibliográficas citadas nos artigos selecionados neste estudo. Ao final da busca foram encontrados 960 publicações. A primeira etapa constituiu na analise do títulos, tendo resultado de 83 artigos no total, a segunda na leitura dos resumos chegando a 37 artigos e a terceira a leitura do artigo na integra dos artigos, selecionando 10 artigos.

Discussão

Dos 10 estudados selecionados, 9 foram realizados por enfermeiras sendo que, um era dissertação de mestrado, três era trabalho de conclusão de pós graduação, dois era trabalho de conclusão do curso de graduação em enfermagem, e os outros dois foram feitos somente para cunho cientifico com a colaboração um de uma fisioterapeuta e o outro de uma nutricionista.

Mostrando assim a importância de todos os membros de uma equipe multiprofissional estarem engajados no mesmo propósito que é conseguir extinguir da UTI o paradigma de que é o setor hospitalar onde ocorre a maior incidência de pacientes com ulceras por pressão. Todos as referências citaram como principal maneira de prevenção de ulcera por pressão a aplicação da escala de Braden e a mudança de decúbito, observa-se que a mudança de decúbito é o cuidado mais conhecido e o mais praticado pelos profissionais e, também é a estratégia mais recomendada pela literatura, porém a escala de Braden ainda não é conhecida por grande parte dos profissionais.

A escala de Braden foi desenvolvida por Braden e Bergstrom, a partir da conceituação da fisiopatologia da ulcera por pressão.Ela é composta por seis sub escalas que são: percepção sensorial, umidade da pele, atividades, mobilidade, estado nutricional, fricção e cisalhamento. Todas são pontuadas de um a quatro com exceção de fricção e cisalhamento onde a pontuação é de um a três.

Os escores total variam de seis a vinte e três ,os pacientes que obtiverem escore igual ou superior a dezesseis são considerados de pequeno risco para desenvolver a ulcera por pressão, entre onze e dezesseis , indicam risco moderado e abaixo de onze é alto o risco, pois os mesmos evidenciam inadequação do funcionamento dos parâmetros avaliados (MENEGHIN; LOURENÇO, 1998, JORGE; DANTAS 2003).

Quanto a mudança de decúbito ,Blanes (2004) afirma que a mudança de decúbito freqüente pode evitar ulcera de pressão até em pacientes críticos e obesos. Nesse mesmo estudo Blanes (2004) apresenta estudos que aboliram do cuidado preventivo o uso de bóias de água, e luvas infladas como protetores de áreas de proeminências ósseas. Em seis artigos citaram o estado nutricional do paciente como outra maneira de prevenção de ulcera por pressão.

Costa et. al. (2005) afirma que é por demais conhecida a influencia que o estado nutricional tem sobre o controle e combate a situações patológicas para o nosso organismo. As ulceras por pressão não fogem a este quadro, sendo que este fator se revela de importância fundamental. De fato , segundo o autor, no que se refere a prevenção de ulcera por pressão, verificamos que a diminuição da camada adiposa, desgastada pelas necessidades fisiológicas permanentes ou muitas vezes aumentadas em função do estado clinico, são um dos principais fatores no aparecimento de ulcera por pressão.

Cinco artigos falavam da manutenção da pele limpa , seca e hidratada. A exposição da pele do paciente a umidade é um significante fator para o desenvolvimento de lesões na pele, a umidade pode ter relação com a incontinência urinaria e fecal, contato da pele com as secreções de drenos e a sudorese. A hidratação da pele, para manter a integridade da pele tem que mantê-la hidratada com produtos que não seja irritantes ou lesivos e não se deve fazer a "massagem de conforto" em regiões com proeminências ósseas, somente hidratá-la.

Somente três artigos citaram a criação de um protocolo para ulcera por pressão. O protocolo permite o registro do aspecto da pele do paciente no ato da admissão na UTI, e durante os dias de permanência no setor a enfermeira irá acompanhar e avaliar todos os plantões a integridade da pele do paciente ou a evolução no tratamento da lesão de forma continuada e com embasamento cientifico, promovendo uma resolutividade mais eficiente da solução do problema. Um artigo citou cuidado com paciente idoso.

Sabe-se que ao passar dos anos a pele fica mais sensível e desidratada, isso gera uma queda na proteção sistêmica deste que é o maior órgão do corpo humano, facilitando o aparecimento de lesões (BARBOSA, SILVA 1994).

A falta de treinamento da equipe de enfermagem foi citada em um artigo. O conceito de Educação Permanente em Saúde foi adotado para dimensionar esta tarefa, não no prolongamento do tempo ou carreira dos trabalhadores, mas na ampla intimidade entre formação, gestão, atenção e participação nesta área especifica de saberes e de praticas, mediantes as intercessões promovidas pela educação na saúde (CECIM 2005).

Por esse motivo, a educação permanente pode ser um grande aliado na prevenção de ulcera por pressão na UTI , pois esse tipo de educação se direciona pela construção conjunta do conhecimento e conscientização dos profissionais.

Conclusão


Nos últimos anos, muito tem se falado sobre a prevenção de ulcera por pressão, verificou-se a necessidade de desenvolver pesquisa relacionadas a incidência e a prevalência das ulceras por pressão nos hospitais. A prevenção de ulcera por pressão é considerada uma ação de responsabilidade da equipe de enfermagem, e os enfermeiros, são os responsáveis pela qualidade da assistência prestada ao paciente.

A equipe de enfermagem deve estar motivada e consciente de que com seus cuidados preventivos é possível reduzir o tempo de internação dos pacientes na UTI, e com isso diminuir gastos, o baixo custo da prevenção da ulcera por pressão em relação aos gastos com tratamento, devemos entender que a ulcera por pressão é um mal que acomete grande parte dos pacientes que ficam internados na UTI por um período longo, mas que a prevenção é simples e barata, só depende da consciência de toda equipe multiprofissional, que são médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, sendo essa luta não só da enfermagem.

REFERÊNCIAS


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Bruno Gonçalves da Silva
Enfermeiro pós Graduado em Terapia Intensiva Adulto, capacitado para inserção e manutenção de cateter de PICC, atuou em unidade de Pronto Atendimento e em transporte terrestre de pacientes críticos.
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