Aneurisma de Aorta Abdominal: Implicaões Clínicas para o Enfermeiro Intensivista

Aneurisma de Aorta Abdominal: Implicaões Clínicas para o Enfermeiro Intensivista
ENFERMAGEM

 INTRODUÇÃO
O aneurisma de aorta abdominal (AAA) e´ uma dilatação da parede da artéria aorta situado em sua última porção do segmento descendente. Geralmente sua prevalência é maior em relação ao aneurisma de região torácica. O AAA é o tipo mais comum de aneurismas arteriais, ocorrendo em 3% a 10% das pessoas com mais de 50 anos de idade em todo o mundo. Clinicamente, os aneurismas de aorta abdominal estão divididos em 2 tipos: Aneurisma Sacular e Fusiforme.



CAUSAS
As causas do aneurisma não são bem definidas, mas as autoridades médicas de todo mundo acreditam que a causa mais comum de AAA e´ a aterosclerose, no qual o seu processo degenerativo e´ o principal fator desencadeante. O processo ateroscleróticos faz com que a formação de placas altere a integridade da parede aórtica. Sabe-se que 90% dos AAA são atribuídos a doença degenerativa da aorta e 5% são de origem inflamatória. Outras causas incluem: doença hipertensiva, fatores genéticos, doenças do tecido conjuntivo, traumas e infecções (sífilis, tuberculose, endocardite).



APRESENTAÇÃO CLÍNICA
A maioria dos aneurismas da aorta abdominal são assintomáticos. O sintoma mais frequente e´ a presença de dor incaracterística e moderada no epigástrio . A rápida expansão ou ruptura contida no retroperitônio, pode levar ao estiramento das estruturas vizinhas e causar dor intensa que piora a' palpação da massa pulsátil. O diagnostico clinico diferencial entre estas duas possibilidades é extremamente difícil e exames subsidiários estão indicados rotineiramente (TC de Abdome/ Ressonância Magnética).
Raramente, estes aneurismas rompem para uma víscera ou para veias adjacentes.



EXAME FÍSICO DIRECIONADO E CONDUTAS CLÍNICAS A SEREM TOMADAS PELO ENFERMEIRO INTENSIVISTA

A avaliação inicial e precoce do paciente portador de aneurisma de aorta abdominal deve estar voltada principalmente aos clínicos de hipovolêmico. Durante o exame físico de urgência, o enfermeiro intensivista deverá inspecionar o abdômen do paciente a procura de uma massa pulsátil geralmente na área periumbilical e ligeiramente localizada a esquerda da linha média. A palpação devera´ ser delicada e precisa, tornando fácil a sua delimitação. Na ausculta abdominal, o enfermeiro poderá encontrar a presença de um sopro claro e bem audível.

Durante a presença deste paciente na unidade de terapia intensiva, o enfermeiro deverá ficar atento a sinais que podem indicar ruptura do aneurisma. Mantenha a mensuração dos sinais vitais de 15-15 minutos com atenção especial para a pressão arterial e frequência cardíaca. Crises hipertensivas podem ser nocivas e contribuírem para a ruptura do aneurisma. O aneurisma abdominal pode prejudicar o fluxo de sangue para as extremidades inferiores e causar: dor, palidez do membro, ausência de pulso, parestesias e paralisia. Garanta um atendimento médico rápido e eficaz.



Priorize o preparo pré - operatório e agilize a ida desse paciente para o centro cirúrgico o mais rápido possível. No manejo desse paciente ainda na unidade de terapia intensiva, e´ de responsabilidade do enfermeiro, a obtenção de acessos venosos de grande calibre e a passagem de sonda vesical de demora. Quedas no débito urinário poderão indicar perda sanguínea. Fique tento para sinais de choque, incluindo a diminuição do enchimento capilar dos membros inferiores, pulso e taquipnéia.
O manejo do paciente com aneurisma de aorta abdominal e´ complexo e requer perspicácia clínica por parte do enfermeiro intensivista, uma vez que se trata de um paciente altamente grave e o risco de morte iminente e´ geralmente causada pela rapidez dos eventos clínicos.



PLANO DE CUIDADOS
1- Administre suporte ventilatório
2- Garanta um acesso vascular de grosso calibre
3- Priorize medidas de conforto como controle da dor e da ansiedade
4- Configure a monitorização dos sinais vitais a cada 15 min
5- Solicite rapidamente o serviço de coleta de exames e priorize a entrega dos resultados
6- Garante a coleta da tipagem sanguínea
7- Fique atento a oscilações de pressão arterial. A queda poderá indicar choque hipovolêmico e crises de hipertensão poderão acelerar o processo de ruptura do aneurisma
8- Garanta repouso absoluto no leito
9- Instituem medidas invasivas como pressão arterial média e sondagem vesical de alivio
10- Solicite o início imediato do preparo pré-operatório
11- Mantenha o paciente sempre orientado sobre os procedimentos no qual ele irá ser submetido.

REFERÊNCIAS

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Marcelo Luiz da Silva
Enfermeiro Intensivista, especialista em Cardiologia pela UNIFESP, com vasta experiência clínica no cuidado ao paciente crítico. Membro da American Association of Critical-Care Nurses- AACN, desde 2009 Membro da Associação Brasileira de Terapia Intensiva- AMIB desde 2004
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