Fluxo Sanguíneo

Fluxo Sanguíneo
ESTETICA
Quando o frio é aplicado diretamente na pele, segundo Bell e Prentice (2002), seus vasos se contraem progressivamente a uma temperatura de 15ºC até alcançarem sua constrição máxima. Esta constrição, resultante principalmente do aumento da sensibilidade dos vasos em relação à estimulação nervosa, provavelmente também resulta, pelo menos em parte, de um reflexo que passa pela medula espinhal e, então, volta para os vasos. Em temperaturas abaixo de 15ºC, os vasos começam a dilatar por um efeito local direto do frio sobre os próprios vasos, produzindo paralisia do mecanismo contrátil de suas paredes ou bloqueio dos impulsos nervosos que a eles chegam.

Starkey (2001), diz que para que ocorra a redução ideal do fluxo sanguíneo local, a temperatura da pele deve cair para aproximadamente 13,8ºC.

Guirro e Guirro (2004) explicam que uma das principais funções do gelo no sistema circulatório é a diminuição do fluxo sanguíneo devido à vasoconstrição. Esse efeito acarreta um controle da hemorragia inicial intratecidual e limita a extensão da lesão.

A vasoconstrição que ocorre por um estímulo das fibras simpáticas e a diminuição da pressão oncótica, juntamente com a diminuição da permeabilidade da membrana, leva a uma redução do edema. Também se sabe que a vasoconstrição ocorre devido a uma diminuição do fluxo sanguíneo nos vasos lesados sendo que o efeito da histamina ou membrana vascular também é diminuído com a ação do gelo.

Em traumas mecânicos, o gelo é utilizado imediatamente após a lesão, com o intuito de diminuir o extravasamento celular por meio de vasoconstrição e de promover diminuição do edema devido a um decréscimo do metabolismo e da permeabilidade, reduzindo assim a morbidade da lesão.

Após um trauma ocorre uma hemorragia decorrente da lesão vascular com consequente extravasamento sanguíneo. A crioterapia é de suma importância, pois restringe o extravasamento sanguíneo, diminuindo a intensidade da hemorragia e consequentemente os seus efeitos secundários, como lesão por hipóxia secundária. O controle do hematoma é de extrema importância na fase inicial da lesão, uma vez que a formação do hematoma pode gerar uma resposta inflamatória e edema. Nos casos onde ocorre a formação de edema, este pode comprimir terminações nervosas e induzir o ciclo dor-espasmo-dor, que reduz a força muscular e a amplitude de movimento.

Após um trauma, inflamação ou degeneração de partes moles, as células mesenquimatosas indiferenciadas tendem a migrar para o local do trauma e se diferenciam de forma gradual em fibroblastos. Estes se deslocam ao longo das camadas de fibrina, multiplicam-se e desenvolvem organelas que produzem colágeno. Essas fibras de colágeno recém-formadas vão se distribuir de forma aleatória no tecido conjuntivo frouxo. 

Caso este colágeno tenha maior síntese do que degradação, resultará em fibrose, já que seu metabolismo consiste em degradações e sínteses contínuas.

No trauma e inflamação, a terapia com gelo atua prevenindo o extravasamento sanguíneo, levando a uma menor quantidade de fibrinas e a uma menor síntese de colágeno, minimizando assim a aderência. Já que a imobilização pós-trauma também contribui para o aumento da síntese de colágeno, o gelo pode atuar diminuindo o tempo de imobilização.

O fluxo sanguíneo permanece diminuído por aproximadamente 20 minutos após a aplicação do gelo; esta aplicação deve ser intermitente por 30 minutos em qualquer segmento corpóreo e 45 minutos na musculatura de grande secção transversal, num intervalo de uma a duas horas, sobre a pele nas primeiras 12-24 horas após a lesão. Outros estudos estendem seus benefícios quando aplicada em até 48 horas após a lesão, prevenindo a formação do hematoma.

O uso alternativo entre o gelo e a água acima dos 35°, ou seja, o banho de contraste, está relacionado com as mudanças na circulação, devido ao mecanismo de bombeamento. A alternância entre a vasodilatação e a vasoconstrição levam a um aumento do bombeamento sanguíneo; por isso o contraste aumenta a quantidade de nutrientes para reparar o tecido, diminuindo assim o edema. Por outro lado, para a diminuição do edema é necessária a retirada de proteínas livres de pequena densidade molecular do local, que ocorre via sistema linfático. Nesse caso não há alteração coma a aplicação do banho de contraste. A alternância entre exercícios físicos e o gelo é mais indicada por ter uma interferência significativa no sistema linfático, oferecendo um maior bombeamento por minuto, via contração muscular.

A temperatura da pele sofre decréscimo logo após o contato com o gelo, porém mesmo após sua retirada, esta resposta ainda permanece por aproximadamente 1 hora. A aplicação de gelo por 30 minutos, utilizando diferentes métodos, faz com que a temperatura permaneça menor que a inicial mesmo após 60 minutos da sua retirada.

A vasoconstrição permanece por um período relativamente longo após a retirada do estímulo hipotérmico, resposta esta que não confirma a crença de alguns fisioterapeutas que acreditam na ocorrência de uma vasodilatação induzida pela crioterapia. Não se pode dizer que há uma vasodilatação induzida e sim uma redução parcial da vasoconstrição, uma vez que o diâmetro do vaso após a terapia não ultrapassa seu diâmetro inicial, pois um vaso de aproximadamente 5 de diâmetro (unidade arbitrária) tem durante a aplicação do gelo seu diâmetro reduzido para 1 e, após o término da terapia, o diâmetro torna-se 3. Concluí-se que não ocorre vasodilatação propriamente dita.

Outro aspecto que chama atenção é o de eritema cutâneo formado após a aplicação do gelo. A cor vermelha e brilhante é decorrente da presença de oxi-hemoglobina e da hemoglobina reduzida no sangue.

Isso acontece porque em baixas temperaturas, ocorre um desvio na curva de dissociação do oxigênio, porque a dissociação da oxi-hemoglobina é mais lenta.

O gelo associado à compressão faz com que quase tenha uma maior diminuição da temperatura da pele e uma maior manutenção desta após a retirada do mesmo.

Sendo assim, o tratamento de traumas agudos deve associar o repouso, a elevação, a compressão e a crioterapia para ser mais eficiente. A elevação do membro lesado vai facilitar a drenagem venosa devido a uma diminuição da pressão hidrostática no capilar, tendo como objetivo a diminuição do edema nos cuidados imediatos das lesões agudas. Caso não seja feita a elevação, poderá ocorrer um aumento da pressão de retorno, aumentando assim a pressão de filtração; isso acarretará um aumento da estase venosa e linfática diminuindo assim a drenagem.

A aplicação do gelo associada à elevação do membro possibilita a redução significativa do edema.

Os processos químicos e biológicos sofrem lentidão com a queda da temperatura, visto que todos os sistemas enzimáticos operam numa temperatura denominada ótima. A viabilidade celular é criticamente dependente dos sistemas de transporte de membrana que envolve bombas bioquímicas ativas e vazamentos passivos nas membranas, o que mantém a composição iônica intracelular.

O frio diminui a severidade das queimaduras bem como o tempo de cura. As queimaduras mais superficiais respondem melhor à aplicação do gelo, diminuindo a dor e a extensão da hiperemia e das bolhas. Deve ser aplicado o mais rápido possível, pois o atraso na aplicação do gelo em dois dias é o suficiente para aumentar a severidade e o tempo da cura da lesão.

Poucas horas após a queimadura ocorre uma vasodilatação e consequentemente aumento da permeabilidade capilar, permitindo uma maior liberação de plasma para o local da lesão. Devido a este escape, plaquetas e leucócitos aderem às paredes vasculares, causando trombose e isquemia. Conclui-se então que o resfriamento local é benéfico, visto que a crioterapia induz uma vasoconstrição, limitando o escape de plasma, e a prevenção da hipóxia secundária é possível devido à diminuição do metabolismo celular.

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