Expectativas E Desafios Da Educação À Distância-Ead

Expectativas E Desafios Da Educação À Distância-Ead
PEDAGOGIA
Resumo
Neste trabalho apresentamos um breve histórico da Educação à distância, algumas leis e as principais expectativas e desafios do curso. A pesquisa será realizada de forma bibliográfica permitindo tecer algumas questões que norteiam o processo do ensino-aprendizagem, inclusive nos induzindo a conhecer de forma minuciosa o caminho percorrido pelo mesmo e de todos os membros que fazem parte da incansável luta rumo ao sucesso. Sabe-se que a Educação à Distância (EAD) não é um instrumento recente a serviço do ensino. Seus experimentos iniciais tem passagem desde o início século XIX, ganhando impulso no fim do mesmo, na atualidade observa-se como um poderoso instrumento de ensino ainda mais quando os recursos da Informática são utilizados como ferramentas de apoio essenciais. Entretanto, dentro da EAD, os desafios a serem superados pelos indivíduos têm estreita ligação com seu histórico de vida. Sendo o objetivo principal deste trabalho, buscar fazer uma análise da educação à distância, o qual poderá servir como apoio para melhorias no sistema de ensino, onde possa contribuir com o planejamento de suas ações. Espera-se no final da leitura que este trabalho possa contribuir e aproximar acadêmicos e profissionais em torno de um único ideal, pois a dedicação e persistência, são pontos fundamentais, deste processo, pois os sujeitos envolvidos passam a ser parte integrante da sociedade e sendo incluída na mesma.

Introdução

Nesta discussão percebe-se a necessidade de repensar a modalidade de ensino, neste sentido é pensar a prática, e seu processo de desenvolvimento, principalmente em se tratando de uma formação à distância.

Conforme estudos realizados, os primeiros cursos de formação de professores em instituição de nível superior surgem no Brasil nos anos 30, conforme Candau (1998), o desenvolvimento da EAD pode ser descrito em três gerações, que sempre acompanharam os avanços e recursos tecnológicos e de comunicação de cada época.

Segundo pesquisas de Vigneron, 1986 (Universidade Metodista de São Paulo), a primeira geração é caracterizada pelo material impresso iniciado no século XIX.

A segunda geração usufruiu dos programas radiofônicos e televisivos, aulas expositivas, fitas de vídeo e material impresso. A comunicação síncrona predominou neste período. Nesta fase o Instituto Universal Brasileiro desempenhou um papel significativo em termos de ensino à distância no Brasil, estando há mais de 60 anos nesta modalidade educativa.

A terceira geração eliminou o tempo fixo para o acesso à educação, a comunicação é assíncrona em tempos diferentes e as informações são armazenadas e acessadas em tempos diferentes sem perder a interatividade. As inovações da web possibilitam avanços na educação a distância nesta geração do século XXI. Hoje os meios disponíveis: chat, teleconferências, fóruns on-line, correio eletrônico, blogs possibilitam interações multidirecional entre alunos, professores e tutores.

Todavia, o maior desafio é a mobilização para uma educação de qualidade, garantindo a articulação das políticas de educação, rompendo preconceitos e quebrando o paradigma de que o ensino a distância não tem qualidade. De acordo com, Belloni (199, p. 3), a agilidade dos meios de comunicação favoreceu, também, ao fenômeno da globalização, transformando a sociedade industrial em sociedade da informação. Sendo, o momento atual do conhecimento humano seguido de muitas transformações no que diz respeito à informação e ao conhecimento.

Esses fatos criam uma demanda por um constante aprendizado por parte de todo tipo de profissional, da mesma forma que determinam as ações das empresas em busca da oferta de conhecimento e treinamento a seus funcionários, sendo esta a expectativa onde o cenário em que a EAD ganha cada vez mais força, o que reforça Belloni (1999, p.5), o mercado está mudando e as sociedades exigem indivíduos de múltiplas competências.

Esse trabalho será desenvolvido na forma de revisão bibliográfica, utilizando de vários autores e sites de busca para realizar uma análise exploratória dos documentos. O analítica alguns artigos, livros e pesquisa na internet. Sendo, a metodologia pretendida na elaboração desta temática de forma histórico/bibliográfico sobre a EAD, frente aos desafios e as expectativas desta modalidade de ensino.

Desenvolvimento
A educação à distância tem uma longa história de sucessos e fracassos, sua origem está nas experiências de educação por correspondência iniciadas no final do século XVIII e com largo desenvolvimento a partir de meados do século XIX, na atualidade dispõe de várias mídias, desde o material impresso à simuladores online com grande interação entre o aluno.

No Brasil, desde a fundação do Instituto Rádio-¬Monitor, em 1939, o rádio era um avançado instrumento de comunicação e logo tornava-se instrumento a serviço do ensino e depois do Instituto Universal Brasileiro, em 1941, várias experiências foram iniciadas e levadas a termo com relativo sucesso. As experiências brasileiras, governamentais e privadas foram muitas e representaram, nas últimas décadas, a mobilização de grandes contingentes de recursos.

Os resultados do passado não foram suficientes para gerar um processo de aceitação governamental e social da modalidade de educação à distância no Brasil, entretanto, a realidade brasileira já mudou e nosso governo criou leis e estabeleceu normas para a modalidade de educação a distância no país.

Em 2006, o Exame Nacional de Desempenho do Ensino Superior (ENADE) comparou pela primeira vez o desempenho de estudantes das modalidades presencial e a distância e apresentou que, em sete das treze áreas comparadas, os alunos da modalidade a distância tiveram desempenho melhor. Um resultado importante que ajudará a diminuir o preconceito com a modalidade. (PINHEIRO, 2007)

Segundo Chaves (1999), a EAD, no sentido fundamental da expressão, é o ensino que ocorre quando o ensinante e o aprendente estão separados (no tempo ou no espaço). No sentido que a expressão assume hoje, enfatiza-se mais a distância no espaço e se propõe que ela seja contornada através do uso de tecnologias de telecomunicação e de transmissão de dados, voz e imagens.
Entretanto dividi-se a educação à distância em três gerações:
• Até 1970, temos a primeira geração, os estudos eram realizados por correspondência, no qual o principal meio de comunicação eram materiais impressos, geralmente um guia de estudo, com tarefas ou outros exercícios enviados pelo correio.

• Na segunda geração, em 1970, surgem as primeiras Universidades Abertas, com design e implementação sistematizadas de cursos à distância, utilizando, além do material impresso, transmissões por televisão aberta, rádio e fitas de áudio e vídeo, com interação por telefone, satélite e TV a cabo.

• Esta geração é baseada em redes de conferência por computadores e estações de trabalho multimídia, caracterizando a terceira geração, sendo está iniciada em 1990, tendo esta geração, como ferramenta principal a tecnologia o que possibilita a interação social entre alunos e professores que supera a distância social bem como à distância geográfica.

Desta forma, não há a substituição de uma alternativa pela outra, o que acontece é que as novas alternativas vão incorporando e ajustando as anteriores e criando um novo modelo. O desenvolvimento da tecnologia e as novas descobertas no campo das ciências do comportamento humano, durante os últimos 35 anos trouxeram novas possibilidades aos programas de ensino à distância. Estes se tornaram mais relevantes às necessidades dos estudantes e mais preocupados com a interação entre aluno e professor e/ou cursista e tutor, visando beneficiar o desempenho acadêmico.

Entretanto, a regulamentação da Educação à Distância, ocorreu em dezembro de 2005, (Brasil, 2005), nove anos após a Lei de Diretrizes e Bases e depois de três anos e meio de negociação da proposta de regulamentação divulgada em agosto de 2002.

Segundo dados do Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância (AbraEAD), mais de dois milhões de brasileiros se encontravam matriculados em um curso na modalidade de educação a distância em 2006. De acordo com a pesquisa realizada pela AbraEAD (2007), o estado com maior número de alunos matriculados em Instituições Autorizadas em 2006, foi o estado de São Paulo com aproximadamente 150.000 alunos e em segundo lugar o estado do Paraná com cerca de 141.793 alunos.

A região Centro-Oeste se destaca pela boa e freqüente evolução da educação à distância, ocupando o terceiro lugar.

Região 2004 2005 2006

Norte 11.644 23.243 50.905

Nordeste 57.982 64.328 89.818

Centro-Oeste 23.588 51.611 136.998

Sudeste 163.887 239.267 243.114

Sul 52.856 125.755 258.623

Fonte: AbraEAD 2007

Frente, as mudanças, segundo, Oliveira Júnior (1994 apud Garcez 2002) enfoca que, para atender às expectativas do usuário, procurando inclusive superá-las, pode-se considerar cinco maneiras de gerenciar serviços: aprender a entender o que é valor para o usuário; especificar um sistema compatível com as expectativas do usuário; manter sob controle o processo de prestação de serviços; prover, de fatos curados, o sistema de informações; mensurar os resultados baseados nos anteriores, devendo considerá-los comparando-os entre o serviço esperado e o percebido. Os usuários costumam ter expectativas que podem ser consideradas bastante básicas. É de grande importância que exista um desempenho básico e que as promessas sejam cumpridas. Os usuários esperam um bem ou serviço de qualidade em um ambiente amigável e cortês.

Conforme, ressalta Sousa (2004), verifica-se que esses fatores são essenciais na educação à distância, sendo que essas necessidades podem ser modificadas de acordo com a realidade vivenciada. Desta forma, os gestores da informação devem estar preparados para flexibilizar bens e serviços para atender a expectativas dos usuários no decorrer do tempo com relação a sua vida social. Assim, o usuário avalia os serviços prestados por meio de suas expectativas, comparando o que espera com o que recebeu, considerando se suas necessidades foram atendidas.

Quando comparada à educação presencial, a EAD traz diversas vantagens, especialmente agora, durante o período da Sociedade da Informação e com o auxílio das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação - NTIC. Conforme Corrêa (2005), ressalta a educação à distância tem suas vantagens: massividade espacial; menor custo por estudante; diversificação da população escolar; individualização da aprendizagem; quantidade sem perda da qualidade; autodisciplina de estudo.

O ensino à distância é um sistema tecnológico de comunicação bidirecional, que pode ser de massa e que substitui a interação pessoal entre professor e aluno na sala de aula, como meio preferencial de ensino, pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e pelo apoio de uma organização e tutoria que propiciam a aprendizagem autônomo dos estudantes. (ARETIO, 2001:22)

A sociedade contemporânea, não pode fechar os olhos aos progressos e avanços das tecnologias ou permanecer extasiados com o que podem oferecer. Por isso é fundamental verificar até que ponto os cursos ou programas propostos, propiciam o diálogo, a interatividade.

Na relação professor–aluno-conhecimento deve estar presente à interatividade, não como consequência da presença das novas tecnologias, mas como foco, como uma característica, um requisito, para a construção do conhecimento.

Ainda existem muitos desafios a serem superados pela EAD. Faz-se necessário, a criação de tempos e espaços para reflexões e prática da EAD, levando sempre em consideração os diálogos que precisam ser estabelecidos e uma concepção de educação comprometida com a produção de saberes e a transformação social. Os novos desafios poderão ser lançados ao educando, sem a necessidade da sua presença física, bem como seu desenvolvimento, apresentação dos resultados e o conhecimento das novas tecnologias, tanto para o educando como para o educador.

Os desafios são crescentes frente à Educação à Distância, entretanto vê-se a importância de discutir as intencionalidades de sua inserção da EAD, que avança velozmente, refletindo suas ações e estratégias dentro do processo do ensino-aprendizagem dentro da realidade.

Considerações Finais
A velocidade que vem ocorrendo as transformações, há uma constante necessidade de aprendizado e atualização do mesmo. A EAD surge não como uma proposta para a solução desses problemas, mas como uma nova expectativa de inclusão dos indivíduos, que foram excluídos devido a total falta de tempo para os estudos e até mesmo da situação econômica, histórica e cultural.

Portanto, cabe aqui salientar que a educação à distância deve partir do currículo de acordo com as condições muito particulares desta modalidade, já que o estudante e o professor somente têm um contato virtual. Os conteúdos devem ser estruturados de tal forma que propiciem a exploração por parte do educando, em vez de limitar-se à memorização. Finalmente, os processos de avaliação devem ser interativos, de tal maneira que o estudante tenha acesso imediato aos resultados da avaliação e conselhos por parte do tutor, para que possa avançar no aprendizado, até conseguir um domínio demonstrado dos conceitos e destrezas que se requerem desenvolver.

Sendo, que ao aluno deve se organizar com disciplina nos estudos, atribuindo a este muita dedicação e persistência, sem abrir mão das novas tecnologias que são essenciais. Muitos estudos ainda terão que ser realizados para que seja superado o preconceito da educação à distância.

A Educação à Distância vem, acompanhada com experiências de qualidade, que utilizam uma eficiente rede de tutores, verificando que é possível acompanhar os alunos e trabalhos à distância. Entretanto, ressalto aqui o reconhecimento de experiências bem sucedidas, como os novos formandos-2010, de Biologia da UFMS – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Referências
ARETIO, L. G. Para uma definição de educação à distância. In: LOBO NETO, F.J.S. (Org) Educação à distância: referências e trajetórias. Rio de Janeiro: Associação Brasileira de Tecnologia Educacional; brasília: Plano Editora, 2001. P.21-36
BELLONI, Maria Luiza. Educação a Distância. Campinas: Autores Associados, 1999.
BRASIL. Lei N. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União. Brasília. 23 de dezembro de 1996.
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BRASIL. Decreto no 5.622 de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta o art. 80 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em http://portal.mec.br/seede/arquivo/pdf/dec_5622.pdf . Acesso em: 04 out 2010.
CHAVES, E. Conceitos Básicos: Educação a Distância. EdutecNet: Rede de Tecnologia na Educação, 1999. Disponível em: http://www.edutecnet.com.br/. Acesso em: 05 out 2010.
CORRÊA, Juliane. O cenário atual da educação a distância. In: SENAC. Curso de especialização a distância. Rio de Janeiro: Editora Senac Nacional, 2005.
GARCEZ, Eliane; Radoz Gregório. Necessidades e Espectativas dos Usuários na Educação à Distância. Brasília, v. 31, n. 1, p. 13-26, jan./abr. 2002
Histórico EAD. Disponível em: <http://wwwensinoadistancia.wikidot.com/coo-surgiu-onde-surgiu>. Acesso em: 23 de out. 2010. 10h30min.
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PINHEIRO, Mônica – Matéria sobre CEAD – Disponível em:
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SOUSA, Maria de Fátima G. Aprender a aprender em Educação à Distância: a construção da autonomia do aprendiz. São Paulo: Moderna; brasília, DF: Universidade de Brasília, 2004.
VIGNERON, Jacques – História Básica da Educação a Distância: Universidade Metodista – São Bernardo do Campo – S.P, 1986

Solange Oliveira Santos
Graduado em Biologia. UFMS, conclusão em 2011.  Pós-graduado em PNEE`S. FIC, conclusão em 2010.  Graduado em Pedagogia. UNOPAR, conclusão em 2009 2011- Concurso Prefeitura Municipal Cargo: Professora. 2010-2007 - APAE de Chapadão do Sul/MS Cargo: Professora XXIV Congresso Nacional das APAES - 2011 Botânica II e Ecologia (UFMS)- 2010 Programa de Formação de Gestores de Projetos Culturais
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