TDAH em crianças na idade escolar - intervenções na escola

TDAH em crianças na idade escolar - intervenções na escola
PEDAGOGIA
TDAH em crianças na idade escolar – Intervenções na escola

Resumo


O presente Artigo teve como tema o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) na escola, que começou a ser estudado na década de oitenta. O objetivo geral foi conceituar e caracterizar o TDAH em suas causas e sintomas. A pesquisa teve como referenciais teóricos as contribuições dos seguintes autores: Ana Beatriz Barbosa Silva (2009), Eidt (2004), Rohde e Mattos (2003) e Karkley (2002). Tivemos como metodologia a pesquisa em fontes bibliográficas, como livros, revistas que falam do tema e artigos da internet. Percebemos, no decorrer deste trabalho, que é grande a desinformação sobre o assunto e que há necessidade de maiores investimentos na formação de professores e no esclarecimento de pais e de toda a comunidade escolar sobre o TDAH. Cremos que boas intervenções dos professores e de todo o contexto escolar, faz a diferença na superação das dificuldades encontradas pela criança TDAH em seu aprendizado e desempenho. Por estar sendo diagnosticado frequentemente em crianças, principalmente em idade escolar, cremos ser um assunto relevante para estudos e orientações nas áreas da Pedagogia, Psicopedagogia, Neuropedagogia e Psicologia.



Introdução

Na sociedade, estão havendo discussões a respeito de assuntos ligados ao TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) e sobre a inclusão escolar de alunos com algum distúrbio físico, social ou emocional. O TDAH, vem sendo considerado um transtorno relativamente novo, que atinge um número significativo de crianças em idade escolar, e vem se estendendo na vida adulta, podendo ocasionar diversas consequências no convívio social, no desenvolvimento cognitivo, físico e emocional.


Conforme Eidt, 2004, no contexto escolar, a hiperatividade e/ou déficit de atenção apresenta-se como justificativa corrente para o fracasso escolar de um número expressivo de crianças, atribuindo-se a elas a responsabilidade por não aprender e isentando de análise o contexto escolar e social em que estão inseridas.


O professor, sem técnicas específicas e sem um conhecimento mais minucioso sobre o assunto, percebe-se sozinho e impotente para lidar com as crianças que possuem este problema. Então, considero importante dissertar sobre o TDAH em crianças com idade escolar, para virmos a colaborar com educadores e pais que convivem com esta questão.


Devido às questões acima citadas (justificativas), surgiram o nosso tema: TDAH e as formas de intervenções na escola. Analisaremos como problema de pesquisa se é possível haver melhores formas de intervenções do professor e da escola, para a otimização do desempenho da criança e diminuição das dificuldades na sua aprendizagem.


O trabalho será organizado em tópicos. No primeiro constarão nossos objetivos gerais que são: Conceituar o TDAH, identificar causas, e diagnóstico. Nossos objetivos específicos são: Citação de sintomas, que constam no segundo tópico; sugestão de formas de intervenções na escola no terceiro tópico; e enumeração de alguns tratamentos, medicamentosos ou não, no quarto tópico.


Como metodologia, foram feitas pesquisas em fontes bibliográficas, como livros, revistas que falam do tema e artigos da internet.


A desinformação de pais e profissionais da área da educação ainda é significativa. Este trabalho tem a intenção de contribuir para o conhecimento e elucidação de características e de sintomas que acometem crianças com TDAH, sugerindo melhores maneiras de se lidar com esta questão em sala de aula e com as dificuldades de aprendizagem que surgem a partir disso. A grande quantidade de crianças diagnosticadas com TDAH, o excesso de medicações prescritas, o desconhecimento (grande) sobre o assunto e a vivência, em meus estágios do ensino fundamental, levaram-me a estudar o TDAH mais profundamente.

Nas referências bibliográficas, temos a Psiquiatra Ana Maria B. Silva que em seu livro “Mentes Inquietas”, fala que a pessoa com TDAH nasce com um trio de sintomas: alteração da atenção, da impulsividade e da velocidade da atividade mental. Ela então os analisa detalhadamente. Também faz distinção entre a hiperatividade física e mental, falando do quadro de sintomas presentes no transtorno e suas repercussões na vida social, familiar, profissional e escolar. A partir desses aspectos, dá sugestões sobre o que os pais e cuidadores devem fazer para lidar com a criança ou adolescente com TDAH. Na escola, os professores, segundo a autora, precisam ter conhecimento sobre o TDAH, orientando as famílias a procurarem ajuda.


O livro “Princípios e Práticas em TDAH” de diversos autores, organizado por Luis Augusto Rohde e Paulo Mattos, trata do TDAH de forma mais científica, com um enfoque médico. Eles falam das bases neurobiológicas e neuropsicológicas; dos fatores ambientais e genéticos e suas causas; das características clínicas do paciente com o transtorno; da incidência por faixa etária e gênero; dos possíveis transtornos associados; dos tratamentos; das medicações; e das intervenções na escola.


Em relação ao último aspecto citado, comenta-se sobre os modelos escolares rígidos e inflexíveis, e de que a escola é pouco aberta à diversidade e às necessidades concretas de todos os alunos. Propõe-se a implantação de currículos adaptados, de avaliações diferenciadas e do uso de estratégias individualizadas com o aluno TDAH. Este aspecto do tema é mais dirigido aos profissionais da área.


No Livro “Terapia Cognitivo-Comportamental no Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade” de Luis Augusto Rohde, Paulo Knapp, Liseane Lyszkowski e Juliana Johannpeter, os autores têm a intenção de conceituar o TDAH, de ensinar como diagnosticá-lo, e quais são os testes e critérios para essa avaliação. Para os escritores, a “tríade sintomatológica” é: a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade; e esses sintomas deverão ser contextualizados na vida da criança. Também deverão ser identificadas: a duração dos sintomas, a intensidade, a frequência e a persistência dos mesmos, bem como seu prejuízo na vida da criança. Um dos capítulos do livro trata da técnica em sua abordagem cognitiva, explicando estratégias como: planejamento de atividades futuras, cronograma com horário de estudos, rotinas com tarefas de casa, formas de auxiliar a criança a aprender a pensar antes de agir, etc. Na segunda parte da obra, os autores abordam o tratamento clínico dentro da estratégia cognitivo-comportamental, mostram como ensinar a criança a se organizar, a entender o seu problema. Eles citam técnicas de motivação, de melhora na autoestima e de como lidar com os problemas decorrentes do transtorno. Enfatizam bastante a importância da família se envolver no tratamento.


Na primeira parte deste artigo, procuraremos caracterizar e conceituar o TDAH, identificando as causas e as formas em que ele se apresenta, incluindo-se uma lista de sintomas e diagnóstico, e as três formas em que o TDAH se apresenta.
Falaremos depois sobre o papel do professor, da escola e dos pais na melhora dos sintomas, na identificação do TDAH e na diminuição das dificuldades de aprendizagem.


No final, serão citados alguns tratamentos que vêm sendo utilizados, tanto por psicopedagogos, psicólogos e por médicos, incluindo-se a questão medicamentosa, quando se fizer necessária.


Concluímos, neste trabalho, que a falta de conhecimento sobre o TDAH em crianças com idade escolar, leva a diversas dificuldades na aprendizagem, à evasão e à repetência. Mas isso tudo pode ser modificado se houver real interesse da escola, dos professores e da família em aprenderem mais sobre o assunto e, desta forma, poderem intervir positivamente na melhora do desempenho e do comportamento da criança.
1. O que é TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) e seus tipos

É um transtorno neurobiológico e neurocomportamental, que atinge crianças com predominância da idade escolar, que ocasiona dificuldades de aprendizagem devido a falta de controle dos impulsos ( hiperatividade), à agitação, e/ou à desatenção.


Conforme Karkley, 2002, pg 35, é:
“...um transtorno do desenvolvimento do autocontrole que consiste em problemas com os períodos de atenção, com o controle do impulso e o nível de atividade. [...] Esses problemas são refletidos em prejuízos na vontade da criança ou em sua capacidade de controlar seu próprio comportamento relativo à passagem do tempo – em ter em mente futuros objetivos e consequências. Não se trata apenas de uma questão de estar desatento ou hiperativo. Não se trata apenas de um estado temporário que será superado, de uma fase probatória, porém normal, da infância. Não é causado por falta de disciplina ou controle parental, assim como não é o sinal de algum tipo de “maldade” da criança.”


Segundo Rohde e Mattos, 2003, existem três tipos de TDAH:
• TDAH com predomínio de sintomas de desatenção.
• TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade.
• TDAH combinado


As crianças TDAH com predomínio da desatenção não apresentam ou tem poucos sintomas de hiperatividade/impulsividade. Então, quem tem desatenção não necessariamente tem hiperatividade ou impulsividade. Essa predominância parece ser mais comum em meninos e está associada a maiores dificuldades de aprendizagens.


As crianças que apresentam TDAH com predomínio da hiperatividade/impulsividade normalmente não apresentam ou tem poucos sintomas de desatenção. Esse tipo parece ser mais comum em crianças menores e está associado a maiores dificuldades de relacionamento com os amigos e colegas e problemas de comportamento.


As crianças que apresentam o TDAH combinado têm, ao mesmo tempo, muitos sintomas de desatenção e de hiperatividade/impulsividade. Esse tipo parece estar associado a prejuízos globais maiores na vida da criança.



1.1 Causas e Diagnóstico


O comportamento “faz primeiro e pensa depois” se deve ao fato de que o córtex pré-frontal, área cerebral responsável pelo controle dos impulsos e de filtrar os estímulos, não tem uma atuação muito eficiente. Isto não tem relação com a capacidade cognitiva; crianças TDAH são geralmente muito inteligentes, e mesmo que saibam das consequências de seus atos, não conseguem conter seus impulsos. Por não conseguirem sustentar a sua atenção de forma concentrada por muito tempo, podem apresentar dificuldades de memorização e de aprendizagem. Então não há relação com déficit na intelectualidade.


Para diagnosticar o TDAH é preciso que a pessoa apresente sintomas em pelo menos dois ambientes, com contextos diferentes. Em crianças, por exemplo, os sintomas aparecem na escola e em casa, assim como nos adolescentes. Muitas vezes as crianças não conseguem adaptar-se à escola devido à inadequação dos métodos de ensino; consequentemente não se concentram ou não prestam atenção.


Para pensarmos que uma criança ou adolescente possa apresentar TDAH é fundamental que haja a presença de dificuldades no relacionamento com a família ou com amigos e colegas e que a desatenção ou hiperatividade causem prejuízos na vida da criança ou adolescente. Mas existe a possibilidade de algumas crianças ou adolescentes serem bem inteligentes e apresentarem o TDAH e, no entanto, não sofrerem nenhum prejuízo visível em suas vidas. Isso acontece porque eles aprendem intuitivamente maneiras de “driblar” os sintomas, mas internamente a sensação de inquietude permanece, incomodando-os.


Diversos estudos e artigos da internet atuais, afirmam que a incidência do TDAH se dá mais em meninos do que em meninas.
2. Sintomas

Geralmente os sintomas do TDAH já se mostram na criança desde pequena. Ela então apresenta comportamentos de inquietude, falta de perseverança, dificuldades para dormir (mesmo quando bebê) e de adquirir uma rotina, se distrai facilmente e se mostra dispersa. Mesmo que seja típico da infância certo grau de agitação e correrias, o que irá diferenciar a criança com TDAH é a frequência, a constância e a intensidade em que os principais sintomas aparecem.
Conforme Ana Beatriz Silva (2009, p. 19), o TDAH nasce a partir de um trio de sintomas que são: alterações da atenção, da impulsividade e da velocidade física e mental.


Especificando os sintomas:


• Alteração da atenção:
Um cérebro com TDAH pode não ter hiperatividade, mas terá sempre forte tendência à dispersão. Esta pode gerar problemas de relacionamento interpessoal, dificuldades de organização em diversos setores da vida, entre outros. As pessoas com esse transtorno possuem uma profunda dificuldade de concentração em determinados assuntos ou situações que lhes sejam obrigatórias;


• Impulsividade: Nos indivíduos TDAH, os estímulos externos são capazes de despertar grandes emoções, que se tornam combustíveis de ações impetuosas. Eles precisam viver tudo intensamente, não conseguindo avaliar, travar suas ações, e nem seu impulso verbal. No caso de crianças, pode levar a dificuldades no relacionamento familiar e com os colegas de escola, bem como com o professor, e a problemas de aprendizagem;


• Velocidade física e mental: A hiperatividade física pode ser observada naqueles indivíduos que sacodem insistentemente as pernas, precisam estar sempre com as mãos ocupadas, mexem o tempo todo em algo ou nos cabelos, rabiscam papéis, etc.. A hiperatividade mental é mais uma agitação psíquica, em que o fluxo de pensamentos é acelerado. Pode levar a pessoa a um redemoinho de atividades como interromper a fala do outro, dificuldades em dormir à noite (o cérebro não desliga) e a não aceitação do ritmo menos intenso dos outros.


Estudos dizem que os sintomas do comportamento de pessoas TDAH independem de problemas sociais, emocionais e ambientais.


Conforme Ana Beatriz Silva, 2009, o TDAH é um funcionamento de origem biológica, marcado pela hereditariedade e que se manifesta na criança ainda bem jovem, antes dos sete anos de idade, ela sendo ou não proveniente de um ambiente hostil, independentemente dela estar passando ou não por problemas.


Há de se concluir então que em lares estruturados também haverá crianças com TDAH, pois independe de problemas familiares. O que temos percebido é a falta de informação de como agir com um filho que possui este problema e de como o professor deve lidar com esta criança. O excesso de críticas e repreensões só agrava a questão, pois a criança pode agir se retraindo e se fechando para o mundo, ou ficando ainda mais impulsiva e agressiva. A autoestima pode então abalar-se para toda a vida.


Conforme DSM IV, 2002, os sintomas que fazem parte do grupo da desatenção são:


• Não prestar atenção a detalhes, cometendo erros por descuido;
• Ter dificuldades para se concentrar em tarefas, jogos e atividades escolares.
• Não prestar atenção;
• Ter dificuldades em seguir regras e instruções ou não terminar aquilo que começa;
• Ser desorganizado com as tarefas e materiais;
• Evitar atividades que exijam esforço mental continuado;
• Perder coisas importantes, como livros, cadernos, lápis, casacos e outros;
• Distrair-se facilmente com coisas distintas daquilo que está fazendo;
• Esquecer compromissos e tarefas.
Conforme DSM IV, 2002, os sintomas que fazem parte do grupo de hiperatividade/compulsividade são:

• Ficar mexendo as mãos ou os pés quando está sentado, não conseguindo ficar nessa posição por muito tempo;
• Pular, correr, excessivamente em situações inadequadas, ou ter uma sensação interna de inquietude (bicho carpinteiro por dentro);
• Ser muito barulhento para jogar ou divertir-se;
• Ser muito agitado, estar sempre “a mil por hora”, ou “como um foguete”;
• Falar demais, e responder às perguntas antes de terem sido terminadas.
• Ter dificuldades de esperar a vez, e intrometer-se em conversas ou jogos dos outros, mesmo quando não for convidado.


Conforme DSM IV-2002, há também o tipo “predominantemente combinado”: Neste caso, deverá satisfazer a seis ou mais dos critérios para desatenção e seis ou mais dos critérios para hiperatividade/impulsividade, que devem estar presentes antes dos sete anos, persistindo por mais de seis meses.


Na maior parte da bibliografia sobre o assunto, consta que são necessários pelo menos seis dos sintomas de desatenção ou seis de hiperatividade/impulsividade, e que sejam frequentes para que se possa pensar na possibilidade do diagnóstico de TDAH. Não basta que eles ocorram apenas de vez em quando, afinal todos nós, por um dia ou outro, estamos mais inquietos ou irritados ou distraídos.


3. O papel do professor e as intervenções na escola

Ensinar uma criança com TDAH exige: muita criatividade, pois nos tira da nossa zona de conforto; uma dose maior de calma e paciência; e o estabelecimento incansável de regras e de limites, de forma afetiva. Precisaremos do apoio de uma equipe multidisciplinar, da direção e orientação pedagógica do colégio, e de um contato estreito com os pais. Se possível, nas turmas em que tivermos maior incidência de TDAH, deveremos ter monitores com real vontade de ajudar.


O desempenho na escola da criança TDAH é marcado por altos e baixos. Dentro desta instabilidade, em momentos ela se apresenta brilhante e noutros não consegue “apreender” os conteúdos ministrados.


Pela dificuldade de manter-se quieta, tem dificuldades em conquistar amizades e mantê-las, de adequar-se a rotinas esquematizadas e de executar algumas tarefas até o fim. Normalmente não consegue ficar com as pernas ou as mãos paradas, o que desconcentra o professor e os colegas. Fala ou ri em momentos inadequados, o que acaba por atrair uma atenção meio negativa do professor.


Algumas formas da criança manter a atenção mais tempo na aula e no professor seriam:

• PROGRAMAR previamente aulas interessantes, que motivem os alunos a participarem, darem sua opinião e contarem suas experiências sobre o assunto abordado;

• RETIRAR do quadro cartazes, desenhos e outros apontamentos que não TENHAM A VER com o assunto em questão;

• Mesmo que as crianças sentem-se em grupo, deverão ficar viradas para o quadro, ajustando-se as cadeiras;

• Para a aula ficar mais criativa, INTEGRAR IDEIAS de VÁRIAS disciplinas, vinculando-as;

• FAZER perguntas abertas, que estimulem o raciocínio crítico e a reflexão;

• MOVIMENTAR
-se pela sala e não USAR um tom de voz monótono, alternando sua modulação;

• PROCURAR utilizar todos os cinco sentidos dos alunos, sempre que possível, em suas explicações;

• AO EXPLICAR, FAZER
pausas pedindo que falem uma ou duas palavras sobre o assunto sendo tratado;

• FAZER
o uso de parceiros (em duplas) e PEDIR para que questionem entre si sobre aquilo que o colega pensa do assunto QUE ESTÁ sendo abordado. Depois PEDIR que compartilhem com a turma;

• Regras e instruções devem ser claras. PEDIR que as repitam;

• AUMENTAR o mistério, trazendo objetos em sacolas, fronhas, ou caixas. INCENTIVAR a especulação;

• USAR o drama e técnicas de teatralização, contando algumas histórias sobre o tema tratado;

• TROCAR alguns testes escritos por orais. Os alunos poderão transcrever a pergunta e a resposta por escrito posteriormente;

• UTILIZAR novas tecnologias para incentivar a concentração e o interesse;

• TENTAR mudar o ambiente das aulas, como IREM ao ar livre ou numa amostra de arte, por exemplo.
É sábio escolher uma escola que mais se aproxime dos valores da família, que complemente a educação que o aluno recebe em casa, que tenha preocupação com o desenvolvimento global do aluno. Deve-se verificar também se nela existe a possibilidade de um trabalho multidisciplinar, com abertura para a cooperação de outros profissionais especialistas.


Nela deve haver a preocupação de desenvolver o potencial de cada um, de respeitar as diferenças individuais, de procurar reforçar os pontos fortes e auxiliar na superação dos pontos fracos.


A escola deve ter o cuidado de transmitir suas preocupações sem diagnosticar, pois não é este o seu papel, e sim de orientar e descrever aos pais e/ou cuidadores, o comportamento e o rendimento do aluno em várias situações, propondo um possível curso de ação conjunta (escola, família, terapia, tratamentos, etc..).


Conforme Jones, 1991, citado por Rohde e Mattos, 2003, p.205:
“Uma avaliação adequada para TDAH supõe entrevista com um profissional capacitado; análise do histórico familiar e do comportamento da criança no ambiente da família; avaliação neuropsicológica e avaliação do desenvolvimento emocional e afetivo”.


De forma multidisciplinar – pais, professores e psicopedagogos ou psicólogos devem fazer um planejamento quanto às estratégias e intervenções que serão implementadas para o atendimento à criança com TDAH.


Há outros procedimentos que a escola pode adotar, a fim de minimizar as dificuldades do aluno com TDAH. São eles:

• Modificar um pouco o ambiente, reduzindo ao mínimo os estímulos que possam distrair a criança em sala de aula,
inclusive mantendo armários fechados, a fim de que caixas, livros e demais materiais ali existentes não a distraiam ;

• Sentá-las longe de janelas e portas, pois essas facilitam a dispersão;

• Se possível, ter um número reduzido de alunos em sala de aula;

• Ter atividades físicas que exijam coordenação de movimentos;

• Fazer algumas adaptações no currículo e flexibilizar os prazos de realização e de entrega das tarefas.


É necessário que haja colaboração e comunicação entre pais e professores. Informar-se sobre o que está se passando durante o tempo em que a criança ou adolescente está no outro ambiente, ajuda a ter a noção da situação. Mas, esta comunicação deve ser usada com bom senso, para que haja uma real cooperação e não apenas cobrança.


É razoavelmente comum, professores de crianças com TDAH sentirem tanta frustração quanto seus pais. Várias vezes eles tentam diversas intervenções antes de conseguirem algum resultado. Nenhum conjunto único de sugestões e estratégias funciona na inter-relação de todos os professores com todos os alunos.


A criança TDAH leva bem mais tempo para fazer o dever de casa do que seus colegas. Essa é uma das grandes dificuldades enfrentadas por sua família. Quando o professor passar uma lição de casa, deverá lembrar-se que o tempo que este aluno levará para fazer a tarefa poderá ser de três a quatro vezes maior do que o normal. Muitas vezes, a quantidade de dever de casa poderá exceder os limites da possibilidade. Ele não deverá ser dado como castigo ou consequência de algum mau comportamento ou do insucesso em alguma atividade.
4. Tratamentos

O tratamento de uma criança com TDAH deverá ser analisado de acordo com a singularidade de cada uma. Mesmo que a sintomatologia seja semelhante, pode demandar diferentes estratégias. O contexto familiar, social, e econômicos devem ser avaliados.


Costuma-se dividir o tratamento nas seguintes etapas: informação/conhecimento, diagnóstico, apoio técnico, terapêutica medicamentosa e psicoterapia.


O profissional de saúde mental, que prescreve um tratamento medicamentoso para uma criança com TDAH, normalmente avalia o grau de sofrimento familiar, social e pessoal que o transtorno ocasiona na vida dela. Nem sempre a criança tem consciência deste sofrimento, vivendo-o de forma calada, sem conseguir expressá-lo.


O psicopedagogo ou o psicólogo poderão auxiliar na elaboração de uma rotina para a criança seguir, com o apoio da família, escola e cuidadores. Esta rotina terá o propósito de auxiliar na organização interna e externa da vida da criança TDAH. Normalmente inicia-se pela externa, e esta irá repercutir na interna. O profissional poderá ainda:

- Ensinar a criança a usar a agenda, conferindo-a inicialmente pela manhã;

- Buscar estratégias diferenciadas de ensino para o reforço nas disciplinas em que a criança tiver mais dificuldades;

- Ajudar no estabelecimento de horários regulares para: atividades de estudo e fixação do conteúdo do dia anterior;
confecção de trabalhos escolares; atividades físicas; de asseio; horário fixo de refeições e lazer. Em conversas com as famílias, percebe-se que eles têm, na maioria das vezes, dificuldades no estabelecimento de rotinas e de conseguir que a criança as cumpra. Por isso uma intervenção técnica de um profissional especializado é importante.


O tratamento medicamentoso é útil, mas não deve ser considerado isoladamente, sem o auxílio técnico e psicoterápico e/ou psicopedagógico. Os médicos costumam prescrever três categorias de medicamentos para o TDAH. São os Antidepressivos, os Estimulantes e as Medicações acessórias, no caso de outros problemas associados ao TDAH.


As medicações são utilizadas normalmente de forma combinada para produzirem o efeito adequado. As doses variam conforme a idade. Dos estimulantes, o mais usado no Brasil é o “Metilfenidato”, também chamado de Ritalina. Parece-nos contraditório uma criança TDAH tomar um psicoestimulante. Na verdade, ele atua nas áreas cerebrais que sofrem uma ação inibitória, e por isso estão menos ativas no cérebro TDAH. Esta medicação age nas áreas responsáveis pelo planejamento, pela ponderação, pela previsão, pela análise de consequências; áreas estas que estão hipoativas na criança TDAH.


Os antidepressivos têm como ação aumentar os níveis da noradrenalina nas fendas sinápticas, que são espaços entre um neurônio e outro. Acredita-se que a noradrenalina seja importante na regulação da atenção, da impulsividade e da atividade motora e de que a criança ficaria mais “centrada” com o antidepressivo. Há diversos tipos no mercado, para o TDAH o mais específico é a Atomoxetina (Strattera R), mas este não é distribuído pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Também são usados a paroxetina, o escitalopram, a venfalexina, a fluoxetina, a imipramina, a sertralina, etc... Destes, os três últimos são distribuídos pelo SUS.


Considerações Finais

Foi verificado neste trabalho, que o TDAH pode levar a dificuldades de aprendizagem, devido às próprias implicações do transtorno e devido à falta de intervenções adequadas na escola. Constatamos que ele é um dos responsáveis por repetências, desinteresse e desmotivação escolar, o que pode levar à evasão.


Reforçamos que o engajamento familiar, dos professores e da escola é um grande diferencial para que a criança TDAH supere suas dificuldades e possa transformá-las em habilidades.


O conhecimento sobre os tópicos tratados neste artigo, como causas, tratamentos e formas adequadas de intervenções, ministradas numa formação de professores e/ou em cursos de aperfeiçoamento, é essencial. As escolas também têm o papel de proporcionar palestras aos pais e à comunidade sobre assuntos como este.


Sobre as causas neurobiológicas e diagnóstico, a intervenção deverá ser de um profissional ligado à medicina. Nas causas emocionais e sociais, poderá haver a intervenção da família, dos professores e da comunidade escolar como um todo. No tratamento, há necessidade de uma equipe multidisciplinar, como um médico, um psicopedagogo ou um psicólogo.


O professor comprometido, que se envolve afetivamente com as crianças e que permanece buscando novos conhecimentos e atualizações, vem tendo bons resultados com os alunos TDAH.


Nossas crianças TDAH, com as orientações necessárias, poderão vir a ser os profissionais que o mercado de trabalho precisa, dentro deste mundo globalizado, voltado para o multiculturalismo, inovações tecnológicas e comunicação acelerada. Seres estes criativos, pensantes, com diversas habilidades e propensão para mudanças.
Referências Bibliográficas


1. American Psychiatric Association. DSM-IV: Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002.

2. Artigo Material de Apoio para o Professor trabalhar com alunos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade -TDAH, Secretaria Municipal de Educação de Luziânia/GO, Divisão de Atendimento a Necessidades Educacionais Especiais, disponível em: http://jucienebertoldo.files.wordpress.com/2013/05/material-de-apoio-para-o-professor-trabalhar-com-alunos-com-tdah.pdf, acesso em 20 out 2013;

1. Artigo Hiperatividade x Indisciplina: contribuições para o cotidiano escolar, de LEITE, Neiva T C e FERREIRA, Josiane P, disponível em http://www.psicopedagogiabrasil.com.br/artigos_neiva_hiperatividade.htm, acesso em 15 out 2013;

4. BARKLEY, R. A. Transtorno do déficit de atenção/hiperatividade – TDAH: guia completo para pais, professores e profissionais da saúde. Porto Alegre: Artmed, 2002;

5. EIDT, Nadia Mara Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade: diagnóstico ou rotulação? 2004. Dissertação (Mestrado) – Universidade Católica de Campinas. Campinas.

1. Artigo Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade: Compreensão do Fenômeno a Partir da Psicologia Histórico-Cultural. EIDT, Nádia Mara e TULESKI, Silvana Calvo, Campinas, 2005. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/cp/v40n139/v40n139a07.pdf acesso em 01 out 2013;

7. ROHDE, Luis Augusto, MATTOS, Paulo, & cols, Princípios e Práticas em TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, POA : Artmed, 2003;

8. ROHDE, Luis A., MATTOS, Paulo, & cols, Terapia Cognitivo- Comportamental no Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade- Manual do Terapeuta, POA: Artmed, 2002;

9. SILVA, Ana Beatriz Barbosa, Mentes Inquietas – TDAH – Desatenção, Hiperatividade e Impulsividade, Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.


Márcia Fabiana Chedid
Pedagoga, Especialista em Teoria Psicanalítica, Educadora Social, ministrante de cursos de extensão sobre a evolução e aspectos psicopedagógicos do desenho infantil.
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