Valorização de Profissionais de TI

Valorização de Profissionais de TI
INFORMATICA
Temos hoje o setor de TI como um dos mais importantes em qualquer empresa. De nada adianta um bom atendimento, ou um comercial eficaz se a TI é falha. Em geral, o setor de TI de uma empresa se limita a suporte e manutenções. Em alguns casos, porém, temos setores de TI que trabalham com Infraestrutura, desenvolvimento e outras funções mais avançadas. São com estas empresas que tenho uma imensa preocupação.

Qualquer funcionário que trabalha na frente de um computador não tem obrigação de saber tópicos avançados de configuração ou manutenção. Ele precisa saber trabalhar (e bem) no sistema interno da empresa, ter bons costumes de navegação na internet, e dominar no mínimo o básico do Word e do Excel. Isso seria o suficiente para ele desempenhar seu serviço em praticamente qualquer ambiente de trabalho, só que infelizmente não é bem assim.

Primeiro Problema: Falta de Interesse do Usuário

Ao entrar em uma empresa, normalmente você é apresentado aos colegas. Setor por setor, você conhece novas pessoas. Passa pelo RH, pelo Financeiro, pelo Comercial… Em algum momento você descobre que a empresa tem um setor de TI. Legal, neste exato momento passou pela cabeça do funcionário: “Ótimo, quando tiver problemas já tenho quem consultar”. Estou generalizando, injustamente, mas tenho absoluta certeza (por experiência própria) que em grande maioria dos casos é assim. O novo funcionário senta em frente ao seu computador e ao menor anúncio de problema, o telefone da TI toca: “Alô, meu computador não quer ligar, poderia dar uma olhada pra mim?”, você escuta, e então se desloca até a sala do indivíduo para perceber que o computador estava desligado da tomada, ou pior, ele estava ligado (com luzes indicadoras acessas e sonorizando claramente o barulho dos coolers) e o que estava desligado era o monitor. Menos de 1 hora após o telefone toca novamente: “Estou com um probleminha aqui, pode me ajudar?”, e quando você vai ver qual o “probleminha”, descobre que o seu amigo quer sua consultoria em “como editar um arquivo do word”.

Você estuda a fundo o fluxo de informações dentro de um computador, barramentos, clocks, configurações, montagem e desmontagem… enfim, estudou muito para no final de contas servir de professor do pacote Office. E o que mais desmotiva: Se você fosse dar aulas particulares estaria ganhando mais que o seu salário atual como “técnico de suporte com ênfase em auxiliar usuário que mentiu na entrevista e não entende nada de office e informática e vai ficar te pedindo ajudinha até ele ou você pedir demissão”.

Os usuários se acostumam mal, e acabam jogando a responsabilidade e o trabalho que seria deles na própria TI. Um problema, mesmo simples de resolver até para leigos na informática, acaba se tornando motivo para um chamado. As vezes tudo o que fazemos é pesquisar no Google pelo problema e no PRIMEIRO resultado já achamos a solução. Se o usuário tivesse um pouco de boa vontade, ele mesmo iria encontrar essa solução, lhe poupado tempo e consequentemente iria ter aprendido algo. Infelizmente, é mais fácil chamar o “carinha que é pago pra ajudar”.

Segundo Problema: Confusão entre as áreas de Tecnologia

Passado o primeiro problema, cito agora um que me é bem comum. Sou desenvolvedor web, ou seja, desenvolvo aplicações para facilitar a vida do usuário. Minha função é mergulhar de cabeça nos códigos e entregar os projetos nos prazos definidos. Porém frequentemente sou abordado para resolver todos os problemas descritos acima e muitos outros até mais absurdos (tanto em ambiente de serviço quanto pelos parentes nas reuniões familiares de final de semana). Quando digo que “trabalho com programação de sistemas”, em geral escuto como resposta: “ótimo, então me ajuda a configurar minha impressora”. Por falta de interesse e conhecimento, as pessoas confundem as diversas áreas da tecnologia, e acredita que um programador é obrigado a saber tudo de suporte, ou um técnico em informática é obrigado a desenvolver sites, e por aí vai. E se por acaso tu nega dizendo que não pode ajudar por que não é tua área, acaba ficando mal visto (as vezes até pela própria empresa) e em muitos casos até pensam que estás com má vontade. Já ouvi comentários do tipo “Como que tu não sabe fazer isso no word? E ainda se diz programador…”, e acreditem, fiquei a um passo de forçar uma justa-causa nesse momento (se é que você me entende…).

Terceiro Problema: As diversas Áreas de Programação

Como este blog é focado em sua maior parte em desenvolvimento, não posso deixar de comentar este sério problema que nós, desenvolvedores, temos. Se você trabalha em uma empresa focada em tecnologia provavelmente não passa por isso, mas tenho certeza que muitos que estão lendo já tiveram momentos de dor de cabeça por causa da dificuldade em explicar aos chefes o que somos e o que não somos responsáveis em uma aplicação. Sou especializado em desenvolvimento back-end, ou seja, cuido da programação do lado do servidor. Tenho um colega que é front-end, ou seja, ele cuida da programação do lado do cliente. Ainda não conseguimos fazer nosso chefe entender que somos áreas diferentes dentro de uma área em comum. O mais difícil ainda é convencê-lo que não vale a pena para nós tentarmos um aprender a fundo a área do outro. Obviamente eu quebro o galho como front-end quando necessário, e vice-versa também, mas não adianta pedir para que eu faça as interações JS em um sistema inteiro, pois não conseguirei fazer o melhor. Se estudasse para isso, talvez eu não estaria no nível de desenvolvimento back-end que estou hoje. A mensagem que passo com isso é: Você pode ter o melhor de cada profissional em sua empresa, desde que obviamente você saiba aproveitar o conhecimento de cada um, e principalmente se você o incentivar a especializar-se.
Quarto Problema: Sobrinhos na área de desenvolvimento

Ao trabalhar como freelancer é que se percebe o quão desvalorizada está a área de TI, principalmente na área de desenvolvimento. Quer uma prova disto? Faça o orçamento de um site com uma empresa conhecida no mercado, faça este mesmo orçamento com um profissional freelancer, e faça novamente o orçamento com umamador (geralmente sempre tem algum parente na família que aprendeu um pouco de html no cursinho das Micros da vida (Microcamp, Microlins, etc.) e já se diz “O Desenvolvedor”. Perceberá então a diferença entre os orçamentos.

Obviamente o primeiro orçamento será o mais caro, mas este se justifica. Uma empresa renomada no mercado normalmente conta com uma equipe especializada em cada parte do desenvolvimento do seu site, e isso permite que o resultado seja excelente e em um prazo de tempo muito curto.

O segundo orçamento, do profissional freelancer, será com valor reduzido, porém bem acima do que provavelmente você estaria disposto a pagar e consideraria barato… Isso se explica por quê, mesmo não tendo como escudo o nome de uma grande empresa, o profissional estudou bastante para adquirir o conhecimento que tem, trabalha em geral com o que há de mais atualizado em seu ramo e lhe estregará um site tão bom quanto a grande empresa lhe entregaria, porém com um prazo de tempo maior, já que ele trabalha boa parte das vezes sozinho, e nos momentos que precisar terceirizar algum serviço (como artes, e outros trabalhos de um designer), ele pagará por isso, portanto este valor deve estar embutido em seu preço final.

O terceiro orçamento (o do seu sobrinho) é o mais baixo de todos. Ele promete um produto igual ao dos outros, porém com um preço extremamente inferior. Certamente este será o escolhido, e é aí que o cliente se dá mal. Já dizia um ditado que cito sempre: “Acha caro contratar um profissional? Experimente então contratar um amador…”. Não há como descrever o trabalho destes carinhas sem ser agressivo. Eu sei por que confesso, já fui um desses. Não vou falar nada além do que eu já vivi: codificava sem saber bem o que estava fazendo, pois vi um tutorial na internet que funcionava, copie, colei e tá tudo beleza; O site nem de perto ficava parecido com o projeto desenhado originalmente; nem todas as funcionalidades que prometi no projeto inicial estavam disponíveis; as funcionalidades que adicionei para “fazer volume” em geral não serviam para nada; não executava todos os testes que poderia para encontrar bugs e acabava finalizando o projeto mesmo assim; me contentava com “funcionou agora, tá bom”, sem me preocupar com escalabilidade e manutenções futuras, e por aí vai.

Ainda bem que nenhum desses projetos que desenvolvi desta forma eram para clientes reais, apenas para trabalhos do curso técnico que fiz (e, infelizmente, dado os conteúdos do curso, fiz muito melhor do que eles poderiam ter me ensinado, mesmo com tantos problemas), ou então simulações para meus “clientes em potencial”, para que pudesse estimar prazos com mais garantia. Agradeço por ter executado tantos testes antes, pois só então percebi os erros que cometia e me aprofundei na área para me tornar um bom (talvez ótimo, em rumo ao excelente) profissional.

Conclusão

Nossa área está extremamente desvalorizada, desde o analista de suporte júnior até o programador sênior. Isso talvez seja culpa da falta de uma regulamentação ou de alguma lei que proíba pessoas não formadas à exercer a profissão. Não há um médico ou engenheiro que possa ter este título sem antes ter estudado bastante e se formado na área, porém qualquer um hoje pode abrir uma lojinha e dizer ser capaz de fazer manutenção de computadores e criar sites e sistemas. A preguiça das pessoas também nos desvaloriza, já que boa parte do que fazemos é para facilitar a vida delas e elas não se dão nem o trabalho de fazer uma pesquisa rápida no Google para tentar resolver seus próprios problemas. O Facebook, o Twitter e toda essa pá de redes sociais que o pessoal tem hoje não passa um treinamento sequer para utilização, mas milagrosamente qualquer imbecil (com o perdão da expressão) sabe utilizá-las. Minha sugestão para os leigos é que apliquem a mesma vontade em aprender a usar a rede social para não ficar pra trás no círculo de amigos, em aprender a utilizar as ferramentas do pacote office e seu próprio computador para não ficar pra trás no mercado de trabalho também. E eu desejo, do fundo de minha alma, uma maior valorização de profissionais de TI.

Ricardo Brusch de Almeida
Ricardo Brusch - Desenvolvedor Web à 2 anos; Programador PHP com experiência em Zend Framework 2; Principal característica: Devorador de Livros; Blog: http://blog.ricardobrusch.com.br
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