Teoria do apego na Psicologia do Desenvolvimento

Teoria do apego na Psicologia do Desenvolvimento
PSICOLOGIA

Segundo BEE (1997), a influência teórica sobre os estudos das relações entre os pais e o bebê é a importante teoria do apego, em especial ao trabalho de John Bowlby (1969), cujas raízes tiveram a influência do pensamento psicanalítico, em especial, na ênfase sobre a importância das primeiras relações entre a mãe e a criança. Ele, no entanto, acrescentou importantes conceitos evolutivos e etológicos.


O seu modo de ver os bebês é que eles nascem com uma tendência inata a criar fortes elos emocionais com seus provedores de cuidados. Tais relações possuem um valor de sobrevivência, porque trazem atenção de todas as espécies ao bebê. Elas são construídas e mantidas por um repertório encadeado de comportamentos instintivos que criam e sustentam a proximidade entre pais e filhos ou entre outros pares ligados.


Um apego é uma subvariedade de vínculo emocional em que a sensação de segurança de uma pessoa está inseparavelmente ligada à relação. Quando você está apegada a alguém, você sente ou espera sentir uma sensação especial de segurança e conforto, na presença do outro, podendo usar o outro como uma “base segura” a partir da qual você explora o resto do mundo (BEE, 1997).


Logo, a relação da criança com o genitor é um apego, embora a relação deste com aquela não o seja. O genitor, provavelmente, não tem uma maior sensação de segurança na presença do bebê ou o utiliza como uma base segura. A relação de um adulto com um amigo íntimo ou com um parceiro adulto, no entanto, costuma ser uma relação de apego (BEE, 1997).


Pelo fato de os vínculos afetivos e as relações de apego ser estados internos, não podemos vê-los diretamente. Ao invés disso, deduzimos sua existência observando comportamentos de apego que são todos esses comportamentos que permitem a uma criança ou a um adulto obter e reter a aproximação à outra pessoa à qual ele está apegado. Isso poderia incluir um sorriso, um contato olho a olho, o chamar uma pessoa do outro lado da sala, o tocar, o unir-se ao outro, o chorar. É importante que se esclareça a não existência da correspondência uma-a-um entre a quantidade de diferentes comportamentos de apego que uma criança (ou adulto) evidencia em qualquer ocasião e a força do apego subjacente (BEE, 1997).


Comportamentos de apego são, basicamente, elucidados quando o indivíduo necessita de cuidado, apoio ou conforto. Um bebê encontra-se em um estado de necessidade em boa parte do tempo. Uma criança mais velha, ou um adulto, irá, provavelmente, evidenciar comportamentos de apego apenas quando assustado, cansado ou em situação de estresse. É o padrão desses comportamentos, e não sua frequência, que nos revela algo acerca da força ou qualidade do apego ou vínculo afetivo (BEE, 1997).


O processo de apego é uma via de mão dupla. Tanto o bebê quanto o genitor desenvolvem vínculos recíprocos, e é importante compreendermos ambos os processos.

No caso do adulto, o essencial para a formação de um vínculo com o bebê, parece ser a oportunidade de desenvolver uma verdadeira reciprocidade ou sincronia. É como uma dança, no início os parceiros reagem um ao outro de maneira suave e prazerosa. Isso leva tempo e requer muitos ensaios, ficando alguns pais (e bebês) mais hábeis do que outros. Em geral, quanto mais suave e previsível se torna o processo, maior satisfação ele parece propiciar aos pais e mais forte se torna o elo com o bebê. Esse segundo passo parece mais importante do que o contato inicial no nascimento, no estabelecimento de um vínculo parental forte com a criança. No entanto, esse segundo processo também pode fracassar (BEE, 1997).


Como exemplo de fracasso, poderia ser a depressão, que não apenas rompe o comportamento de cuidado dos pais, mas também afeta a resposta da criança. Bebês que interagem com mães depressivas ou mesmo com mães a quem foi dito parecerem depressivas ou com expressão desconcertada sorriem menos, sendo mais desorganizados e angustiados.


As mães deprimidas são mais lentas para reagir aos sinais de seus filhos, sendo mais negativas, até mesmo hostis, com seus bebês. Em geral, essas relações parecem carecer de sincronia. As deficiências no comportamento materno com o bebê parecem persistir mesmo quando a mãe não mais está depressiva, indicando que seu vínculo com o filho é menos sólido (BEE, 1997).


Da parte do bebê, também encontramos a generalização do efeito da depressão materna. Foi realizada uma pesquisa de observação que bebês com três meses de idade, de mães depressivas, evidenciaram comportamentos semelhantes de angústia e não sincronismo ao interagir com um adulto não depressivo (FIELD, 1988).


Nem todas as mães depressivas evidenciam tal padrão de comportamento. No caso de elas terem um bom casamento, bom apoio de amigos e dos familiares, e se o bebê possui boas habilidades de interação, as mães depressivas parecem capazes de desenvolver padrões positivos de interação com seus bebês (TETI, GELFAND, MESSINGER & ISABELLA, 1995).


No caso de bebês que foram desejados tanto pelo pai, quanto pela mãe e ambos se apresentam saudáveis. O elo paterno, tal como o materno, parece depender mais do desenvolvimento da reciprocidade do que do contato imediatamente após o nascimento. O desenvolvimento de tal reciprocidade está no fato de que os pais parecem ter o mesmo repertório de comportamentos de apego das mães. Nas primeiras semanas de vida do bebê, os pais tocam nele, falam com ele e o afagam da mesma forma que as mães (PARKE & TINSLEY, 1981).
Depois das primeiras semanas de vida, encontram-se sinais de um tipo de especialização de comportamentos dos pais com seus bebês e crianças maiores. Os pais passam mais tempo brincando com o bebê, em atividades mais físicas. As mães passam mais tempo nos cuidados de rotina, além de conversar mais com o bebê e sorrir para ele. Isso não significa que os pais tenham um elo afetivo menos forte com seu filho, o significado está em que os comportamentos de apego que eles evidenciam para com o bebê costumam ser um tanto diferentes dos evidenciados pelas mães (BEE, 1997).


As diferenças de sexo nos comportamentos dos pais são reflexos de definições de papéis com bases culturais ou instintivas.


Assim, como o elo dos pais para com o bebê, o apego deste surge gradativamente.

Bowlby (1969) sugeriu três fases no desenvolvimento do apego do bebê:



1º Fase)
Orientação e sinalização não focalizada: Bowlby acreditava que o bebê iniciava sua vida com um conjunto de padrões comportamentais inatos que o orientam na direção dos outros e sinalizam suas necessidades. São comportamentos emitidos, como chorar, fazer contato olho a olho, segurar, afagar, reagir aos esforços de cuidados entre outros. É nessa fase que se encontram suas raízes. O bebê está construindo expectativas, esquemas, a habilidade de discriminar a mãe e o pai das demais pessoas. As interações previsíveis e fáceis que reforçam o vínculo afetivo dos pais compõem a base para o surgimento do apego do bebê.


2ª Fase) Foco em uma ou mais figuras: Por volta de três meses de idade, o bebê começa a direcionar de maneira um tanto mais ampla seus comportamentos de apego. Ele pode sorrir mais para as pessoas que costumam cuidá-lo, podendo não sorrir de imediato a um estranho. No entanto, apesar da mudança, o bebê ainda não possui um apego totalmente desenvolvido. Ainda existe uma quantidade de pessoas favorecidas pelos comportamentos promotores de proximidade do bebê, sendo que pessoa alguma, se tornou a base segura. Nessa fase, os bebês não evidenciam uma ansiedade especial por separar-se dos pais, e não temem os estranhos, segundo Bowlby.


3ª Fase)
Comportamento de base segura: Bowlby acreditava que o bebê formaria um apego genuíno por volta dos seis meses. Ao mesmo tempo, o modo dominante de comportamento de apego do bebê modifica-se. Os bebês de 6-7 meses começaram a conseguir movimentar-se de maneira mais livre, arrastando-se e engatinhando, eles são capazes de movimentar-se na direção dos cuidadores, bem como de instigá-los os cuidadores a vir até eles. Os bebês utilizam a “pessoa mais importante” como à base segura a partir do qual exploram o mundo em torno de si, um dos sinais-chave da existência de um apego.
De acordo com Papalaia & Olds (2006), à medida que as crianças amadurecem fisicamente, cognitivamente e emocionalmente, são levadas a buscar sua independência das próprias pessoas às quais são apegadas. “Eu faço” é a palavra de ordem das crianças quando usam seus músculos e mente em desenvolvimento para fazer tudo sozinhas, não apenas caminhar, mas também se alimentar, se vestir, se proteger e expandir os limites de seu mundo.


Os dois anos representam uma manifestação normal da necessidade de autonomia. As crianças
precisam testar sua nova noção de que são indivíduos, de que tem certo controle sobre seu mundo e poderes novos e excitantes. Elas são levadas a experimentar suas próprias ideias, exercitar suas próprias preferências e tomar suas próprias decisões. Os pais e outros cuidadores que encaram as expressões de vontade própria das crianças como uma busca saudável e normal de independência e não como teimosias possam ajudá-las a adquirir autocontrole, contribuir para seu senso de competência, e evitar conflitos excessivos (PAPALIA & OLDS, 2006).


Nesta idade as crianças desenvolvem autorregulação, ou controle de seu comportamento, para conformar-se com as expectativas externas. A autorregulação é a base da socialização, a internalização de padrões socialmente aprovados. A obediência comprometida às demandas do cuidador, primeiro passo no desenvolvimento da consciência, leva à internalização (PAPALIA & OLDS, 2006).

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