Tamanho Mínimo Viável de Uma População

Tamanho Mínimo Viável de Uma População
BIOLOGIA
A redução do tamanho populacional e o aumento do seu isolamento são os fatores que podem levar a uma diminuição de variabilidade genética e futura extinção da população ou espécie. Dessa forma, como regra geral, um plano de conservação para uma espécie ameaçada requer que o maior número possível de indivíduos seja preservado em um habitat protegido. Muitas Unidades de Conservação têm sido criadas para proteger espécies ameaçadas.

No entanto, a distribuição da população de uma espécie pode ir além dos limites destas áreas e a manutenção desta população pode depender da preservação de indivíduos que estejam fora da Unidade de Conservação.

Segundo Gilpin & Soulé (1986) os fatores que afetam a persistência de populações pequenas e isoladas são: estocasticidade demográfica (variações ao acaso nas características demográficas de uma espécie – sobrevivência, razão sexual, etc.), estocasticidade ambiental (variações ao acaso nas condições ambientais – catástrofes), estocasticidade genética (redução da variabilidade genética) e perda da flexibilidade evolutiva (decorrência da perda de variabilidade genética – capacidade adaptativa).

Além disso, algumas espécies podem ter sua chance de extinção aumentada devido a características de seu comportamento social. Todos os fatores acima citados são mais perigosos quanto mais isolada for a população e menor o seu tamanho.

É preciso reconhecer que diferentes espécies respondem de maneiras distintas aos processos ambientais e genéticos citados acima, o que sugere que para cada população deve existir um determinado tamanho populacional que reduza ou elimine os efeitos negativos e as ameaças de sua extinção.

Muitos estudos procuram calcular o tamanho mínimo viável para a manutenção de uma população na natureza.

Segundo Shaffer (1981 apud Fernandez, 2008), uma população viável mínima (PMV) para qualquer espécie em um determinado habitat é “a menor população isolada que tenha 99% de chances de continuar existindo por 1.000 anos, a despeito dos efeitos previsíveis de estocasticidade genética, ambiental e demográfica, e de catástrofes naturais”.

O termo PMV mais aceito atualmente foi sugerido por Gilpin & Soulé (1986) e considera que existe um limite mínimo para o número de indivíduos, o qual vai assegurar, com um nível aceitável de risco, que a população vai persistir viável por um dado intervalo de tempo. Ultimamente ainda tem sido incorporado um componente genético e a PMV é definida como aquela que tem uma probabilidade X de sobreviver por um período Y com Z% de variabilidade genética.


Quando a densidade populacional da espécie em questão é conhecida, a PMV pode ser facilmente traduzida para uma estimativa mínima da área de habitat que é necessária para a manutenção de uma população viável da espécie estudada.

Para se ter um número preciso da PVM de uma determinada espécie, é necessário um estudo demográfico detalhado da população e uma análise ambiental da área. Alguns biólogos têm sugerido números mágicos de 500 a 1.000 indivíduos para vertebrados como o número a ser protegido. No entanto, cada caso deve ser avaliado em particular, baseando-se em características ecológicas de cada espécie.

A Análise de Viabilidade de Populações (AVP) é uma análise de risco que consiste de simulações, usando modelos probabilísticos com variáveis biológicas e ambientais referentes à espécie que afetam sua probabilidade de extinção. Nos últimos anos uma série de programas para análise de viabilidade de populações têm sido colocados no mercado.

A AVP pode ser usada para ajudar na decisão entre opções de manejo ao identificar as opções que maximizam a redução do risco de extinção. Similarmente, modelos de AVP podem ajudar a acessar os benefícios de diferentes propostas de pesquisa. Quando usadas desta maneira, AVPs não são apenas preditivas, mas sim ferramentas de manejo para a conservação de uma espécie em particular.

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