Agentes físicos e químicos - Microbiologia

Agentes físicos e químicos - Microbiologia
VETERINARIA
Agentes físicos

Os agentes físicos que atuam no controle dos microrganismos são classificados de acordo com a sua ação. Estes agentes desnaturam proteínas, enzimas, DNA e alteram permeabilidade da membrana celular.

Dentre os agentes físicos podemos citar como exemplo:

a) Calor (seco ou úmido):
mata os microrganismos desnaturando suas proteínas. Ex.: Calor seco - forno de esterilização e flambagem. Calor úmido - fervura, autoclave e vapor de fluxo livre.
b) Pasteurização: processo que desnatura as proteínas dos microrganismos levando a sua morte. Ex.: pasteurização simples e pasteurização de alta temperatura e curto tempo.
c) Filtração: elimina os microrganismos de uma substância líquida após retê-los em uma membrana de microporos. Ex.: membranas de microporos de 0,2 µm.
d) Baixas temperaturas: controla o crescimento dos microrganismos por diminuir o metabolismo bacteriano. Ex.: refrigerador comum e câmara fria.
e) Ressecamento:
a falta de água livre impede o crescimento bacteriano por diminuir o seu metabolismo. Ex.: aumento da quantidade de solutos no ambiente.
f) Pressão osmótica: elimina os microrganismos por alterar a permeabilidade osmótica da membrana celular da célula bacteriana. Ex.: aumento da quantidade de solutos no ambiente.
g) Radiação: elimina os microrganismos por causar alterações a nível de DNA. Ex.: radiações ionizantes – raio gama e raio X, e radiações não ionizantes – luz ultra-violeta.

Agentes químicos

Os agentes químicos são usados para controlar o crescimento de microrganismos em ambos os tecidos vivos e os objetos inanimados.

Dentre os agentes químicos podemos citar como exemplo:

a)
Compostos orgânicos (fenol e compostos fenólicos, álcoois, compostos de amônio quaternário): causam lesão na membrana plasmática (alterando sua permeabilidade), inativam enzimas e desnaturam proteínas. Ex.: hexaclorofeno.
b) Halogênios: estes compostos inibem a função proteica e impedem o funcionamento do sistema enzimático da célula bacteriana. Ex.: iodo e cloro.
c) Metais Pesados e seus compostos: eliminam os microrganismos por desnaturar suas proteínas. Ex.: prata, mercúrio, cobre e zinco.
d) Peroxigênios, Quimioesterilizantes Gasosos e Biguanidas: estes compostos estão relacionados à lesão na membrana plasmática (alterando sua permeabilidade). Ex.: clorexidina.
e) Agentes de superfície: reduzem a tensão superficial entre as moléculas de um líquido. São importantes na remoção mecânica dos microrganismos. Ex.: sabão e detergente.

Agentes antimicrobianos (Ordem e natureza química)

O homem sempre utilizou substâncias vegetais, gordura, toucinho, mel, sal, cobre e chumbo para combater doenças de natureza infecciosa. As primeiras descrições sobre o uso de antimicrobianos datam de 3000 anos atrás. De maneira empírica chineses utilizavam bolores para tratar tumores e feridas infecciosas.

Os sumérios utilizavam uma mistura de vinho, cerveja e zimbro para tratar feridas infeccionadas. Indianos ingeriam certos mofos para curar disenterias. E Índios norte-americanos também utilizavam fungos para o tratamento de feridas.

Na verdade os antimicrobianos são substâncias naturais (antibióticos) ou sintéticas (quimioterápicos) que impedem o crescimento dos microrganismos (bacteriostáticos) ou eliminam os microrganismos (bactericidas). Os antimicrobianos são classificados de acordo com sua ação. Deste modo podem ser classificados quanto à natureza:

a) Química, derivados de açúcares (eritromicina), aminoácidos (penicilina) e acetatos (tetraciclina).
b) Espectro de ação, quando são ativos sobre bactérias Gram positivas (penicilina), quando são ativos sobre bactérias Gram negativas (polimixina), quando são ativos sobre espiroquetas (eritromicina), quando são ativos sobre micobactérias (estreptomicina) e quando apresentam amplo espectro de ação (cloranfenicol).

Os antimicrobianos podem ter efeito bactericida ou bacteriostático de acordo com a sensibilidade dos microrganismos ou concentração da droga.

Mecanismo de ação


Os antimicrobianos são classificados essencialmente por agir sobre:
a) Parede celular: estes antimicrobianos eliminam os microrganismos por interferir na síntese da parede celular. Ex.: penicilina.
b) Membrana plasmática: estes antimicrobianos alteram a permeabilidade da membrana plasmática, interferindo nos processos osmóticos. Ex.: polimixina B.
c) Material genético: estes antimicrobianos interferem na replicação do DNA. Ex.: novobiocina.
d) Proteínas:
estes antibióticos interferem na síntese proteica de forma reversível ou irreversível. Ex.: cloranfenicol (reversível) e estreptomicina (irreversível).

Resistência

Atualmente é muito comum referências sobre bactérias resistentes a medicamentos, ou superbugs como foram denominadas. As bactérias podem desenvolver resistência a um ou mais fármacos, sendo difícil o tratamento destas bactérias.

Alguns grupos bacterianos apresentam naturalmente resistência a alguns antimicrobianos. Quando a resistência é natural chamamos de resistência intrínseca (inerente à bactéria).

As bactérias podem se tornam resistentes aos antimicrobianos por processos mutacionais ou por aquisição de plasmídeos de resistência. Este processo é denominado de resistência adquirida.

A resistência bacteriana pode estar ligada a um destes três princípios (ou a mais de um deles): degradação do fármaco, inativação (modificação) do fármaco e/ou expulsão do fármaco para fora da célula.

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