O que é Ética?

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Muito ouvimos falar em ética: ética profissional, educacional, empresarial, política, médica, esportiva, conselhos de ética etc. Mas, na prática, o que seria a ética?

Para VALLS (1993, p. 7) "A ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que é, mas que não são fáceis de explicar quando alguém pergunta”.

A Ética é a ciência que estuda e regula a conduta humana, e induz o ser humano a decidir entre o bem e o mal, agindo de acordo com sua decisão consciente (KANAANE, 1995, p 59).

Capucho (et all, 2003) diz que a ética pessoal é como uma bússola, que orienta a maneira de proceder conforme um juízo de valor. A liberdade de pensamento cria, no íntimo da consciência, uma espécie de “laboratório privado”, onde situações passam por análises internas que visam formar uma concepção sobre um determinado assunto.

Cria-se então, o ponto de vista. Não necessariamente definitivo, pois a ética de interpretação de tal fato vai depender da ótica que o indivíduo estiver adotando. Não devemos esquecer-nos de analisar que em se tratando de ética pessoal, devemos respeitar a ética adotada pelo próximo, o respeito à dignidade humana e os valores de cada cultura. Devemos estar sempre atentos para não invadirmos a liberdade do próximo, pois o que pode estar certo para um, pode não estar para o outro.

Já a ética corporativa, dá-nos a ideia de coletividade. A ética postulada por uma corporação é a maneira como ela deve proceder em sociedade, e o que a define, é a soma das éticas pessoais que a compõem.

Assim sendo, a ética corporativa é formada pela união de indivíduos com um objetivo comum de pensamentos e ideias, que têm uma mesma concepção no modo de realizá-los, estando sujeitos a determinações que vão fornecer procedimentos adequados a serem seguidos.

A busca pela ética nas empresas também impõe certos limites. Está a empresa realmente adotando uma postura ética ou está apenas fazendo um trabalho de marketing? Podemos constatar que diversas empresas ajudam a sociedade nos mais variados programas. Porém, muitas vezes, esses programas acabam sendo uma ação de interesse próprio e não um trabalho social.

Porém, por outro lado, podemos dizer que algumas empresas de fato apresentam uma boa conduta, preocupando-se com os impactos de seus processos e produtos na sociedade, caracterizando corporações que dão exemplos à comunidade e aos seus colaboradores do que é ter uma boa conduta ética.

As atitudes de boa conduta por parte das empresas geram em seus funcionários, e na comunidade à sua volta, a incorporação da imagem correta de ética. Esses incorporarão os conceitos para dentro de suas casas, e continuarão dando bons exemplos para a vizinhança próxima.

A postura ética deve acontecer como uma via de duas mãos. Se por um lado, a empresa deve dar o bom exemplo, tendo atitudes corretas para com os funcionários e sociedade, fazendo com que eles retribuam da mesma maneira, também os funcionários devem agir de maneira ética para com a empresa, colegas, e na forma de encarar e realizar suas próprias tarefas e atribuições. Se não for dessa forma, como poderá ele cobrar atitudes e posturas éticas da empresa?

Como se pode observar, a ética, ou a postura ética de cada um, é formada pelo conjunto de atitudes que são tomadas no dia a dia. Cada momento de nossas vidas demanda uma atitude. Práticas, movimentos, palavras, decisões, comentários, ou até mesmo o fato de não fazer nada. Tomamos atitudes o tempo todo e nem sempre paramos para analisar se o que estamos fazendo, ou estamos por fazer, trata-se de um comportamento ético ou não, justamente por se tratarem de situações corriqueiras. Então, podemos nos perguntar: como são determinadas tais atitudes, que, por consequência, demarcam a ética do indivíduo? Para KANAANE (1995), a atitude é uma reação a uma determinada situação, que é tomada pelo indivíduo, tendo base em suas experiências de vida. Tais experiências são formadas de quatro componentes básicos:
a) O componente afetivo-emocional, que está relacionado aos sentimentos e reações emocionais em determinadas situações;
b) Componente cognitivo, baseado em crenças e valores adquiridos com a vivência ou aprendidos;
c) Componente comportamental, relacionado a ações em determinadas situações em foco;
d) Componente volitivo, relacionados aos desejos, expectativas e motivações.

Por esses pressupostos, podemos afirmar que as atitudes são tendências individuais, já que têm a ver com as experiências, crenças, valores e expectativas de cada um. São elas que regulam os padrões de comportamento.

Para FREITAS (2002, p. 55), deve haver um padrão de comportamento para que a sociedade possa existir. Tentemos imaginar o caos que seria uma sociedade sem nenhuma norma de conduta ou ética. Cada um invadindo o espaço do outro. Com certeza tal sociedade nem sequer existiria, já que o próprio conceito de sociedade tem a ver com um grupo de pessoas vivendo juntas em uma comunidade organizada. E organização é uma coisa que não pode existir sem regras, nem normas.

A ética possui um conceito diferenciado de norma. O conceito de Ética Contemporânea vincula o compromisso na vida em sociedade com as necessidades do indivíduo e as necessidades do grupo onde está inserido. A verdade ou a atitude correta não existe. Ela é moldada de acordo com os princípios e conceitos de bem e mal de cada um, como também da interpretação de cada situação de acordo com o senso de justiça de quem as interpreta.

Sem estendermos a discussão sobre conceituação filosófica da ética, vamos focar a importância da ética no ambiente empresarial. BLANCHART (1939, p. 82) fala sobre os cinco princípios do Poder Ético e a vantagem competitiva de quem sabe usá-los no ambiente corporativo.
O primeiro princípio é o propósito, onde considerar-se uma pessoa ética é seguir as orientações da consciência, sentindo-se bem consigo mesmo. Utilizando esse princípio, o profissional poderá ponderar suas ações conforme seus próprios valores.

O pundonor é o segundo princípio, onde não se sente necessidade da aprovação dos demais. Ter a auto estima controlada e equilibrada, segundo o autor, impede que o ego ou a insegurança possa influenciar nas tomadas de decisões. Lembrando que, se utilizado o primeiro princípio, torna-se muito mais fácil seguir o segundo. Se você age de acordo com sua consciência e faz o que considera correto, não precisa da aprovação de outrem.

A paciência (terceiro princípio) deve estar presente no comportamento de uma pessoa ética. Deve-se ter a certeza que a atitude mais correta foi tomada e esperar para colher seus frutos. Não há a necessidade de gabar-se para os demais colegas ou superiores de que tomou uma atitude que julgou correta, nem sequer cobrar uma resposta ou uma recompensa imediata. Ter a certeza que teve uma atitude justa e ter a consciência tranquila, será um grande prêmio.
Em seguida aparece a persistência. Ser fiel ao que acredita e ter a certeza que a conduta que está tomando está de acordo com as intenções.

O último princípio é a perspectiva, sendo o ponto central, de onde se pode encaminhar os demais princípios e analisar se as condutas diárias estão em concordância com os princípios anteriores.

Peço que observem que muitas das situações mencionadas não encontram restrições em manuais ou códigos de conduta das empresas. Apesar disso, são atitudes que podem enaltecer ou prejudicar a imagem do profissional perante a empresa.

Os conceitos de ética empresarial são: liberdade, justiça, eficiência, integridade e moralidade, e têm ligação inseparável com a ética social, já que a ética é um instrumento que proporciona bem-estar, permite a liberdade de escolha e propicia o respeito entre as diferenças individuais, segundo TEIXEIRA (1991, p. 14). Existem nas empresas, assim como em todos os aspectos do cotidiano, pessoas ao nosso redor, que claramente não assumem posturas éticas e não demonstram nenhum tipo de constrangimento por isso.

Já podemos encontrar em forma de códigos de conduta, ou até mesmo de leis, restrições a atitudes chamadas de antiéticas, que podem colocar em risco até mesmo o emprego do trabalhador. Podemos consultar na Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, em seu artigo 482, as atitudes que configuram a justa causa de demissão, como por exemplo:

- Atos de improbidade - improbidade significa desonestidade, fraude, mau-caráter, maldade. Todos esses adjetivos estão claramente ligados a atitudes, não podemos considerá-los condizentes com a moral e bons costumes da sociedade, ou seja, atitudes antiéticas. Está ligado também à desonestidade e fraude para obtenção de benefício próprio;
- Incontinência de conduta ou mau procedimento - Segundo ZANLUCA, “a incontinência revela-se pelos excessos ou imoderações, entendendo-se à inconveniência de hábitos e costumes, pela imoderação de linguagem ou de gestos. Ocorre quando o empregado comete ofensas ao pudor, pornografia ou obscenidade, desrespeito aos colegas de trabalho e à empresa.” Ou seja, dar apelidos ofensivos aos colegas, ou falar palavras de baixo calão, podem ser causa de demissão.

Um exemplo de código de ética interno pode ser observado nas “Regras de conduta ética do servidor público”, disponível no site www.presidencia.gov.br. Lá, existem diversas regras elaboradas pela Comissão de Ética Pública, que se referem ao recebimento de presentes e brindes por parte dos funcionários.

Apesar da grande maioria das empresas, públicas ou privadas, possuírem seus códigos ou manuais de comportamento para os funcionários, podemos observar que existe uma gama de comportamentos que são impróprios ou antiéticos, mas que são observados e praticados no cotidiano de trabalho.

Por exemplo, você mesmo já não presenciou uma conversa entre funcionários, onde estão fazendo fofocas sobre um colega, com a intenção de denegrir sua imagem? Ou mesmo aqueles funcionários que desperdiçam recursos da empresa imprimindo coisas desnecessárias, deixam luzes acesas e torneiras pingando, mantêm o ambiente desorganizado e sujo? Ou aqueles que não cumprimentam (com um simples “bom dia”), a faxineira, a copeira, ou qualquer outro colega que considere abaixo dele na hierarquia da empresa?

Listamos exemplos de atitudes e comportamentos que não podemos considerar éticos, correto? Porém, mesmo assim, na maioria das empresas, não são consideradas como faltas puníveis. Então, se a empresa nada pode fazer no sentido de punir esses maus comportamentos, que diferença faz ao profissional consciente das posturas éticas fazer uso delas?

Para esclarecer tal questão, proponho a leitura do artigo de Rogério Martins, que fala sobre a valorização do comportamento ético, por parte das empresas e mostra a estreita relação da ética com o sucesso profissional. Também faz a relação da ética com a etiqueta e, conforme o tema de nosso curso, como ela pode ser um poderoso instrumento de crescimento profissional.

De acordo com o exposto por Martins, as empresas estão começando a dar novamente valor às boas práticas de educação, moral e etiqueta por parte dos funcionários.

Em contrapartida, vê-se a crescente importância da adoção de um comportamento ético por parte das empresas, pois a maneira como os colaboradores são tratados tem uma influência direta sobre o comportamento dos mesmos para com a empresa (BLANCHARD, 1996, p. 86).

A postura ética nas empresas teve seu início mais visível nos Estados Unidos, com o desenvolvimento amplo do capitalismo. A princípio a ética estava associada a padrões religiosos e filosóficos. Posteriormente ganhou campo no setor empresarial, com a preocupação do papel das empresas perante a sociedade.

Atualmente, as questões éticas são tratadas com prioridade na própria atividade econômica, como uma ferramenta de trabalho.

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