O Clube de Roma - 1972

O nome se dá pelo local onde a primeira reunião foi localizada
O nome se dá pelo local onde a primeira reunião foi localizada

Biologia

22/10/2012

O Clube de Roma é hoje uma organização não governamental (ONG) que teve início em abril de 1968 como um pequeno grupo de 30 profissionais empresários, diplomatas, cientistas, educadores, humanistas, economistas e altos funcionários governamentais de dez países diversos que se reuniram para tratar de assuntos relacionados ao uso indiscriminado dos recursos naturais do meio ambiente em termos mundiais. Pelo fato desta primeira reunião ter acontecido na Academia dei Lincei em Roma na Itália, o nome sugestivo de ‘Clube de Roma’ deu denominação à entidade.


Inicialmente este grupo foi convidado pelo industrial italiano Aurélio Peccei (Gestor da Fiat e Olivetti e diretor da Italconsult) e o cientista escocês Alexander King para esta reunião focando o pensamento de curto prazo nos assuntos internacionais voltados ao meio ambiente. Foi então que nesta reunião cada participante se comprometeu a sensibilizar os líderes mundiais e os tomadores de decisão sobre as questões intrínsecas no sentido de que as consequências em longo prazo da crescente interdependência global dos recursos naturais que até então são utilizados de forma indiscriminada, como se os mesmos não fossem finitos, em um planeta também finito.


O Clube de Roma ficou ainda mais conhecido quando no ano de 1972, o grupo de pesquisadores liderados por Dennis L. Meadows encomendou um relatório elaborado por um grupo de cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) (Instituto de tecnologia de Massachusetts) abordando temas relacionados ao meio ambiente e aos recursos naturais, propondo a utilização do princípio de desenvolvimento sustentável para pautar as ações no mundo, salientando que os recursos naturais no Planeta Terra são finitos.


Este relatório denominado ‘Os Limites do Crescimento’, vendeu mais de 12 milhões de exemplares e foi traduzido para 30 idiomas, tornando-se um dos documentos mais vendidos sobre meio ambiente no mundo. O referido relatório demonstra por meio de programas de computador uma prospecção sobre a utilização dos recursos naturais indiscriminadamente e salienta que este sistema tende a entrar em colapso se uma modificação nas atitudes do ser humano não for iniciada imediatamente (Site http://www.clubofrome.org).


Com base nesta reação positiva em relação ao relatório de 1972 e as questões abordadas, o Clube de Roma passou a desenvolver e publicar relatórios sobre as questões ambientais globais verificadas pelo grupo, com o objetivo de sensibilizar os líderes e tomadores de decisão sobre a interação delicada entre o desenvolvimento econômico da humanidade e a fragilidade da natureza. Com essa iniciativa foram criados em vários países os respectivos Ministérios do Meio Ambiente e órgãos afins com o intuito de fiscalizar e preservar o meio ambiente.

A repercussão internacional do relatório fez com que este fosse o principal objeto de discussão no mesmo ano de 1972 da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, mais conhecida como Conferência de Estocolmo. E de outras conferências e encontros relacionados com o meio ambiente que se seguiriam. E ainda hoje o relatório ‘Os Limites do Crescimento’ se mostra bastante atual nas questões que aborda com muita propriedade.


Em ‘Os Limites do Crescimento’, encontramos a preocupação e o aviso de que a população humana cresce conforme o chamado crescimento exponencial, em que o número de indivíduos dobra de uma geração para a outra. E lembra que desta forma os recursos naturais no planeta Terra acabarão rapidamente. Portanto, no relatório os pesquisadores chegam à conclusão de que se o ser humano não parar de se reproduzir tanto, não haverá comida dentro de pouco tempo.


No relatório os pesquisadores dão um exemplo de crescimento exponencial:


Diz uma velha lenda persa que um inteligente cortesão deu de presente ao rei um tabuleiro de xadrez e pediu ao monarca que, em retribuição, lhe desse um grão de arroz para o primeiro quadrado do tabuleiro, dois para o segundo, quatro para o terceiro e assim por diante. Concordou prontamente o rei, e ordenou que trouxessem arroz dos seus celeiros. O quarto quadrado do tabuleiro exigiu 8 grãos, o décimo 512, o décimo quinto 16.384 e o vigésimo primeiro deu ao cortesão mais de um milhão de grãos de arroz. Lá pelo quadragésimo quadrado, um trilhão de grãos teve que ser trazido dos celeiros. Todo o suprimento de arroz do rei já se esgotara muito antes de ter sido atingido o sexagésimo quarto quadrado. O crescimento exponencial é enganador porque introduz números incríveis com muita rapidez (MEADOWS et al, 1972, p. 25)


Salientando então a forma com que o crescimento exponencial ocorre na reprodução humana, de modo que se uma família tem cinco filhos e cada um destes filhos tiver também os seus cinco filhos, antes do patriarca morrer teremos 25 descendentes na família. E supondo que esses também tenham cinco filhos cada, teremos o crescimento exponencial, aumentando este número de indivíduos de forma assustadora.


Portanto, o controle da explosão demográfica foi um dos itens analisados no relatório, interligando-o à necessidade crescente de alimentação e utilização dos recursos naturais. Salientando também a poluição e destruição da natureza de forma geral engendrada por essa grande quantidade de pessoas ao longo do tempo.


Atualmente o Clube de Roma é enquadrado como uma Organização Não Governamental (ONG) sem fins lucrativos, independente de quaisquer interesses políticos, ideológicos ou religiosos, e contribui significativamente em âmbito mundial para o desenvolvimento real e para a aplicação do conceito de sustentabilidade. E atua também na área de educação ambiental, assistência social e meio ambiente, apontando soluções pertinentes aos mais variados assuntos voltados ao meio ambiente mundial.


Ainda com a premissa de que “o consumo ilimitado e crescimento em um planeta com recursos limitados não podem continuar para sempre e é realmente perigosa” (MEADOWS et al, 1972) o Clube de Roma atua no século 21 preocupado também com questões relacionadas à crescente desigualdade social no plano global e às consequências das alterações climáticas no mundo. Contando com 30 Associações Nacionais que representam a entidade em mais de 30 países nos cinco continentes, o Clube de Roma conta agora com a ideia de mobilizar as gerações mais jovens na luta a favor dos preceitos defendidos por seus membros.


A sede atual encontra-se em Winterthur, na Suíça, com a perspectiva de atuar no âmbito ligado à sustentabilidade ambiental, ao crescimento econômico, ao consumo desenfreado de recursos naturais, na paz, na segurança e na demografia, tudo isso a nível mundial.


Atualmente, os membros do Clube de Roma acreditam que o caminho para o desenvolvimento sustentável no mundo repousa em cinco agrupamentos de conceitos que necessitam ser estudados e bem analisados: Meio ambiente e recursos; globalização e desenvolvimento sustentável internacionais; transformação social; paz e segurança.


O dilema da humanidade é que o homem pode perceber a problemática e, no entanto, apesar de seu considerável conhecimento e habilidades, ele não compreende as origens, o significado e as correlações de seus vários componentes e, assim, é incapaz de planejar soluções eficazes. Fracasso que ocorre, em grande parte, porque continuamos a examinar elementos isolados na problemática, sem compreender que o todo é maior do que suas partes; que a mudança em um dos elementos significa mudança nos demais (MEADOWS et al, 1972, p. 11)

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Colunista Portal - Educação

por Colunista Portal - Educação

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