Os benefícios e limitações do processo de compostagem na Educação Ambiental

O processo é caracterizado por fatores de estabilização e maturação
O processo é caracterizado por fatores de estabilização e maturação

Biologia

06/01/2012

OS BENEFÍCIOS E LIMITAÇÕES DO PROCESSO DE COMPOSTAGEM APLICADO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL


Autoras:
Zuleide Possidonio Torres - Mestranda em Educação para Saúde - UEVORA
Annyere de Souza Torreyas - Acadêmica do Curso de Bacharelado em Agronomia - FARES

RESUMO
A compostagem é um processo controlado de decomposição microbiana, de oxigenação e oxidação de uma massa heterogênea de matéria orgânica. Nesse processo ocorre uma aceleração da decomposição aeróbica dos resíduos orgânicos por protelações microbianas, concentrações nas condições ideais para que os microrganismos decompositores se desenvolvam, pois utilizam matéria orgânica como alimento. O processo é caracterizado por fatores de estabilização e maturação que variam de poucos dias a várias semanas, dependendo do ambiente. Este trabalho objetivou, através dos procedimentos básicos da metodologia científica, como levantamento bibliográfico, e de visitas in loco para identificar a importância da compostagem, seus benefícios e as limitações do composto através da prática da educação ambiental.

INTRODUÇÃO
A educação ambiental nada mais é do que a integração socioambiental, fornecendo ao homem o conhecimento através das práticas ambientais que visa sensibilizar a parte integrante, através de mudanças de comportamento no meio ambiente, ou seja, o homem acaba adotando práticas que forneça subsídios necessários para a proliferação da fauna e da flora de forma harmoniosa e, assim, passa a ser um agente transformador e multiplicador, fornecendo ao meio, qualidade de vida. A compostagem é uma técnica utilizada para melhorar a qualidade do solo para a produção e a manutenção dos microrganismos ativos. Para tanto, essa pesquisa tem como foco principal a proliferação da técnica da educação ambiental (compostagem) para a manutenção da vida microbiana na terra.

Nas últimas décadas, o ambiente vem sofrendo grandes impactos, principalmente no que se refere ao acúmulo de resíduos sólidos, que a cada dia está crescendo, tendo em vista o grande problema que os resíduos trazem ao ambiente (TEIXEIRA, 2002).

A questão ambiental merece destaque por se tratar de um assunto extremamente importante para a manutenção da produtividade na terra através de práticas agroecológicas. De acordo com Souza (1998). Os problemas de degradação ambiental causados pelo modelo atual agrícola são exaustivamente conhecidos, motivo pelo qual a visão da produtividade e qualidade na agricultura brasileira tem que ser contemplada num enfoque ambientalista. Sistemas diversificados de produção que se baseiam na reciclagem de matéria orgânica, pelo uso de compostagem orgânica (SOUZA, 1998, p.23).

O desenvolvimento da prática baseia-se na recuperação e conservação do solo, através de métodos alternativos do controle de pragas e doenças, manejo de plantas invasoras, cobertura morta, rotação de culturas, dentre outros, necessitam de uma compreensão científica de seus efeitos, quando utilizados de forma inadequada. A partir dessa concepção surge a necessidade da adoção das práticas agroecológicas que estão inseridas na educação ambiental para minimizar os problemas ambientais que estão de forma direta causando um grande desequilíbrio ambiental.

“O manejo orgânico do solo é feito pela reciclagem da biomassa que envolve a preservação dos restos de culturas, pela compostagem orgânica, pelo emprego de cobertura morta e outras práticas que conduzam a reciclagem de nutrientes” (SOUZA, 1998). O emprego dos compostos orgânicos como base central de sistemas orgânicos de produção é uma tecnologia adotada no mundo inteiro, seu grau de eficiência, depende do sistema e da forma como se executa o processo de preparo dos materiais utilizados, podendo ocorrer elevadas variações de qualidade e de custos.

Entre as principais vantagens do sistema de compostagem pode-se citar a rápida decomposição microbiana e a oxigenação da matéria orgânica, tornando-a estável com mínima produção de odores e higienizada, devido às reações exotérmicas de decomposição. A maior parte desse sistema utiliza pequena quantidade de energia externa para funcionar, ocorrendo a produção de fertilizantes naturais não contaminantes das águas subterrâneas ou superficiais, como acontece com os fertilizantes minerais. Esse é um tratamento menos caro que os outros tipos, quando se leva em considerações os ganhos ambientais resultantes.

Para a realização desse trabalho, primeiramente foi realizado um levantamento bibliográfico a respeito do assunto abordado, precedido de leitura seletiva. Em seguida foram realizadas visitas no Município de Rorainopólis que evidenciasse uma observação descritiva, com o intuito de obter maior detalhamento sobre a importância do uso da compostagem no solo.
A matéria orgânica tem a capacidade de tampão do solo, onde o seu uso permite uma rápida correção da acidez do solo, tendendo a estabilizar o pH próximo a neutralização. 2 OS BENEFÍCIOS DA MATÉRIA ORGÂNICA NO SOLO
A matéria orgânica é responsável pelo acumulo de microrganismos eficientes na nutrição do solo, ocasionando retenção de água para uma melhor eficiência na manutenção na umidade do solo. Visam fornecer elementos nutritivos ao solo, embora em pequenas quantidades, promove a melhoria da nutrição de macro e micronutrientes em solos minerais, acarretando assim um melhor aproveitamento dos adubos minerais, como a matéria orgânica acaba ajudando a retenção de nutrientes fornecidos quimicamente, dando tempo ao aproveitamento dos mesmos pelas plantas, diminuindo os efeitos da infiltração rápida para as camadas mais profundas do solo.

A matéria orgânica tem a capacidade de tampão do solo, onde o seu uso permite uma rápida correção da acidez do solo, tendendo a estabilizar o pH próximo a neutralização. Favorecendo também uma maior atividade microbiana no solo, resultando acentuada melhoria para o solo, pois a matéria orgânica serve de alimento para a população microbiana do mesmo. Promovendo solubilização de nutrientes em solos minerais, essa ação ocorre devido à ação dos ácidos orgânicos húmicos contidos nos húmus. E por fim, torna a estrutura do solo mais eficiente, fomentando maior capacidade de absorção e armazenamento de água, possibilitando ainda, uma boa aeração e um melhor desenvolvimento do sistema radicular e maior facilidade dos cultivos. Possui alta capacidade de elevar a CTC e reduzir a toxidez por pesticidas e de outras substancias tóxicas.

3 CONDIÇÕES BASICAS PARA A DECOMPOSIÇÃO DE MATÉRIA ORGÂNICA
3.1 Aeração

O suprimento de ar a todas as partes da pilha é essencial para se fornecer oxigênio aos organismos e retirar o gás carbônico produzido. A ausência de ar proporciona o desenvolvimento de tipos diferentes de microrganismos e uma decomposição mais lenta. O tamanho das pilhas, a natureza do material, o tamanho das partículas, o teor da umidade, e o número de reviramentos, influenciam diretamente a aeração. Uma boa aeração da pilha está relacionada com as características dos seus componentes.

Assim, se o tamanho das partículas dos resíduos crus é muito pequeno, os espaços entre eles também serão muito pequenos, prejudicando a aeração. Caso as partículas sejam muito grandes, a área superficial para ataque pelos microrganismos será muito reduzida e o espaço entre eles serão muito grandes, prejudicando a retenção do calor, tornando lenta a decomposição ou até interrompendo-a.

O tamanho ideal das partículas deve variar de 1 a 5 cm, sendo necessário triturar ou picar os resíduos existentes. Esse padrão possibilita um equilíbrio adequado entre a aeração e a área superficial das partículas expostas da ação microbiana, favorecendo também as condições de umidade e manuseio das pilhas. A umidade interfere na troca de gases, sendo que, teores de umidade elevados prejudicam a aeração, promovendo então uma decomposição anaeróbica. O arejamento da massa em compostagem deve ser constante para que não se alterem as atividades metabólicas dos microrganismos e o processo de degradação da matéria orgânica seja mais rápido por via da oxidação de moléculas orgânicas presente na massa. O arejamento é o fator mais importante para o controle de diversos parâmetros da compostagem, dadas as funções de suprimento de oxigênio para os microrganismos, por forma para que este nunca seja inferior ao mínimo exigido aerobicamente; fator de controle da temperatura, evitando o excesso de temperatura e de umidade no processo de compostagem; reduz a produção de gases (Epstein et al., 1976; Pereira Neto, 1986) confirmado em experimento refeito por Russo em 2003. Como podemos observar, esses métodos variam em complexibilidade, intensidade do uso de mão-de-obra e custo. Portanto, o importante é o individuo considerar os princípios básicos e adaptá-los a sua realidade local.

3.2 Umidade
A umidade é um dos fatores cujo controle é da máxima importância nos processos de compostagem e os microrganismos como qualquer indivíduo vivo, necessitam de água para viver. Teoricamente, o teor da umidade apropriada para a compostagem deveria ser de 100%, para fornecimento de água necessária aos microrganismos para a degradação da matéria orgânica, porém operacionais limitam este teor entre 40 e 60%, estando abaixo de 40%, a atividade microbiana se reduzirá até a estagnação do processo de decomposição. Caso esteja acima de 60%, além de diminuir a temperatura das pilhas, irá dificultar a troca de gases, transformando-se numa decomposição anaeróbica que, além de ser mais lenta, exala odores desagradáveis, podendo atrair moscas.

Devido ao calor gerado pela ação dos microrganismos nas decomposições dos resíduos, a pilha tenderá a secar e a velocidade de decomposição decrescerá a quase zero. O mesmo ocorre em regiões de pouca chuva, clima quente, excesso de vento e condições de aeração excessiva. Uma maneira de se extrair o excesso de umidade seria promover reviramentos intensivos, ou espalhar o material em terreno, que seja sombreado, em dias quentes com sol e pleno vento constante. Então, quanto mais avançado estiver o estágio de decomposição dos resíduos, maior a capacidade de retenção de água, indicando a necessidade de maiores cuidados. Contudo, muitas vezes fica impossível de controlar a umidade das pilhas e geralmente depende das condições climáticas favoráveis.

3.3 Temperatura

No processo da compostagem, quando os microrganismos oxidam a matéria orgânica, ou seja, promovem a quebra das ligações entre moléculas de carbono nas substâncias orgânicas, há a liberação de energia na forma de calor. A compostagem sofre influência da temperatura ambiente sobre os resíduos em decomposição, observando-se uma crescente e gradativa de temperatura. Entretanto, os resíduos orgânicos possuem propriedades isolantes relativamente boas que permitem reter o calor liberado nas reações biológicas exotérmicas, podendo atingir temperaturas maiores que 60°C.

O aumento da temperatura, até atingir 40 a 45°C, corresponde ao estágio mesofílico, e isso ocorre poucos dias após a montagem da pilha. A seguir, a temperatura sobe de 40º a 60°C, dando-se o estágio termofílico quando a decomposição é máxima, podendo durar mais de 20 dias. Deve-se evitar o excesso de revolvimentos nessa fase. A partir desse período, a pilha vai diminuindo de tamanho e ficando mais escuro, reflexo da decomposição das substâncias orgânicas, promovidas pela atividade microbiana. Em geral, considera-se que 60°C é o pico da temperatura ideal, pois os microrganismos patogênicos e sementes de ervas daninhas são destruídas pelo longo tempo de exposição a essas condições. 4 MANEJO DE DECOMPOSIÇÃO DO COMPOSTO ORGÂNICO
O conhecimento básico de evolução dos fatores físicos e químicos, que ocorrem durante a compostagem, é fundamental para se decidir sobre os melhores locais e manejos, a fim de obter um composto de boa qualidade. Segundo TEIXEIRA (2002), o local para a montagem das pilhas de matérias-primas deve ser limpo e ligeiramente inclinado, para facilitar o escoamento de águas de chuva, onde o composto será aplicado.  Se possível, é interessante fazer as pilhas sempre nos mesmos locais, pois o solo abaixo terá populações cada vez maiores de microrganismos, minhocas, pequeno insetos, e outros, facilitando, portanto, a entrada desses organismos nas pilhas recém-construídas.

5 USO DO COMPOSTO
Recomenda-se aplicar o composto recém-preparado, antes da aração ou de uma gradagem próxima ao plantio, podendo ser incorporado até 15 cm de profundidade, onde o crescimento radicular é mais intenso. Dessa forma, evita-se perda por erosão, aproveitando ao máximo os nutrientes e os benefícios do composto. Caso o composto não esteja pronto e seja aplicado próximo ao plantio, poderá prejudicar a germinação ou mesmo a cultura. O composto também pode ser aplicado nos sulcos de plantio, principalmente quando em pequena quantidade, bem como em covas para implantação de culturas perenes.

CONCLUSÃO
A compostagem é uma técnica relativamente simples e oriunda da educação ambiental, pois promove a humificação dos resíduos orgânicos através da ação dos microrganismos. Apresenta-se como alternativa viável para sistemas de produção orgânica em virtude de sua elevada qualidade nutricional e biológica. Tem grande importância econômica e ambiental, pois recicla resíduos que são normalmente perdidos ou queimados, proporciona oportunidade de trabalho, e diminui a elevada dependência aos fertilizantes químicos. Além disso, o processo auxilia na destruição das sementes de ervas daninhas e dos patógenos que estejam presentes nos resíduos orgânicos. 

Percebe-se, portanto, que poucas informações existem sobre dados econômicos de compostagem orgânica, de modo que fica um pouco difícil nortear a discussão sobre a sua viabilidade econômica.

REFERÊNCIAS:
KIEHL, E.J. Fertilizantes orgânicos. São Paulo: 1985.
OLIVEIRA, Francisco. Nelsieudes Sombra. Uso da compostagem em sistemas agrícolas orgânicos.Fortaleza: Agroindústria tropical, 2004.
PEIXOTO, R.T.G.dos. Compostagem: opção para o manejo orgânico do solo. Londrina: IAPAR, 1988.
SOUZA, J.L. de. Agricultura orgânica: tecnologia para a produção de alimentos saudáveis. Vitoria: EMCAPA, 1998.
TEIXEIRA, R.F.F. Compostagem. In: HAMMES, V.S.(Org.) Educação ambiental para o desenvolvimento sustentável. Brasília: Embrapa Informação tecnológica,

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Zuleide Possidonio Torres

por Zuleide Possidonio Torres

Engenheira Agrônoma pela UFRR,Especialista em alimentos pela UFRR,Especialista em Educação Ambiental pela UNINTER,Especialista em Gestão re Direito Ambiental pela UNINTER, Mestranda em Educação para Saúde pela UEVORA-Portugual. Docente da Faculdade Roraimense de ensino Superior FARES,Docente do Curso Técnico em Agroindústria do Estado de Roraima e Pedagoga.

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