Educação Física: Uma Profissão de Futuro.
Prof. Dr. João Batista A. G. Tojal
Doutor em Motricidade Humana, Vice-Presidente do CONFEF e Presidente da Comissão de Ética.
Os avanços tecnológicos atuais têm acenado a todos aqueles preocupados com a preparação de profissionais, com promessas de toda natureza.
Organizar a formação a ser oferecida por um determinado curso acadêmico tem feito com que os debates e analises passem por diferentes níveis de abstração. Uma das hipóteses levantadas é a de que os empregados tendem a acabar, não sendo mais permitido ao profissional sair à busca de garantia de estabilidade.
Essa situação não é verificável tão somente nos países em desenvolvimento, como o Brasil, mas no mundo todo, ocorrendo rápidas e significativas alterações, levando geralmente a que profissões antes consideradas inatingíveis por mudanças tendam a desaparecer, surgindo profissões novas e mais adequadas às exigências da sociedade.
Percebe-se, assim, que falar de formação profissional hoje em dia é o mesmo que estar navegando em mar revolto e não poder contar com o apoio de uma tão preciosa bússola que, sem grandes aparatos tecnológicos, sempre indica o rumo certo a ser seguido.
A quantidade de informações, a velocidade das alterações e progressos tecnológicos, a difusão maciça, segura e constante do conhecimento têm levado a que a sociedade também passe a exigir profissionais melhor informados e adaptados às suas expectativas.
Portanto, ao preparar o profissional que vá para o mercado de trabalho junto à sociedade, é preciso que exista a preocupação de dotá-lo de habilitação suficiente para que seja capaz de estar apto para mudar de ocupação, no momento em que for preciso, sem que seja necessário que recomece sua vida, retornando ao ponto de partida.
Levando-se em consideração que o mercado de trabalho vem buscando profissionais com capacidade de exerce uma multiplicidade de funções, é necessário tanto o jovem como o programa de preparação para o trabalho, que lhe é oferecido nas universidade, estejam adequados à perspectiva de que esse futuro profissional poderá esta mudando de função, certamente dentro de uma mesma área, pelo menos três a quatro vezes na vida.
Dessa forma, é desejável, que exista no seio da universidade, a preocupação de oferecer ao profissional em preparação uma condição formativa que lhe permita exerce múltiplas função, não mais uma formação especializada altamente segmentada como vem ocorrendo, mas uma estrutura básica de conhecimento em determinadas áreas, que possa oferecer seu retorno à academia, na busca de novos conhecimentos específicos, necessitando tão somente que esteja sempre comprometido com seu constante aperfeiçoamento. Essa condição para os estudiosos das relações de emprego tem sido chamada de "empregabilidade", condição que permite ao indivíduo estar sempre engajado no mercado de trabalho profissional, mesmo nas ocasiões em que ocorram alterações de rumo nos envolvimento das empresas com a produção e com ao atendimento à sociedade.
Esse comentário, até aqui apresentado, além de ter procurado alerta os dirigentes universitários para as questões referentes ao melhor envolvimento dos profissionais, por eles formados, com o mercado de trabalho, teve a intenção de demostrar que os profissionais criativos, competentes, comprometido com o processo de aprendizado e atualização constante, desde que bem preparados quanto ao conhecimento genérico básico com sua área de atuação, terão sempre espaço e reconhecimento no mundo do trabalho.
Trazendo essa preocupação para o universo tanto da formação do profissional de Educação Física, como para o seu campo de atuação, é necessário que se proceda a considerações que tragam para a discussão, estudos e possíveis soluções, questões como: o objetivo de estudo dessa área do conhecimento; o currículo dos cursos de formação; o papel da pós-graduação numa área sem definição de objetivo ou campo de conhecimento delimitado; a preparação de pessoal específico para compor o corpo docente dos cursos de formação profissional; o campo de atuação específico do profissional de Educação Física, isso só para se comece a organizar o processo.
Não é nossa intenção aborda ou desenvolver essas questão todas, mas alerta para o fato de que os responsáveis pela formação profissional estão obrigados a buscar resolvê-las nos próximos anos, pois em todos em todos os estudos que vêm sendo realizados referente a profissão, empregos, economia e comportamento social, a prática de atividade física é sempre referenciada como uma das atividades mais desejadas pela sociedade, tanto componente de lazer, recreação, ou de busca de melhoria de qualidade de vida das pessoas, e o desporto tem sido destacado como o fenômeno social de maior significação no mundo atual.
Contudo, é necessário destacar-se, aqui, que a mesma sociedade que exalta a prática de atividade física, a consome, na maioria das vezes, sem conhecimento dos seus padrões e referências de qualidade, tanto é assim, que em inúmeros momentos e atividades, vem sendo ministradas por indivíduos que sequer passaram por uma preparação profissional pedagógica, cientifica, tecnológica e ética, como é necessário e desejável.
Alguns estudos, sobre demanda profissional estão a indicar a busca da sociedade pelo atendimento e prestação de serviços através de profissionais especializados e qualificados, caso do Personal Trainer , programadores de atividade física recreativas em hotéis, orientadores de lazer físico-desportivos, dinamizadores de atividade para jovens e idosos visando ao condicionamento físico, manutenção e desenvolvimento de qualidade de vida em empresas, parques, condomínios, clubes e academias, tudo isso além da atenção à crianças e juventude, pela prática de atividade desportivas.
A sociedade vem constantemente demostrando seu interesse, portanto, agora é preciso que a categoria profissional de Educação Física, reconhecida pela lei n.º 9696/98, que a regulamentou e criou os Conselhos Federais e Regionais, dê sua resposta, agindo de forma competente e compromissada, oferecendo sempre a melhor qualidade de prestação de serviços e atendimento, visto ser este o principal fator ético-profissional.
Com essa finalidade e propósito, sempre visando a satisfação e resgatando da sociedade, é que encerro este tema, afirmando que a Educação Física é uma das profissões do futuro, necessitando, portanto, de todo o envolvimento das faculdades e curso de formação de profissionais, na consecução da melhoria da qualidade da categoria, tanto em relação aos aspectos científicos, tecnológicos e éticos, desenvolvidos na sua preparação, como no oferecimento de programas de reciclagem e aprimoramento constante.
Não é demais possível esperar que a legislação proteja a categoria, é preciso que ela mesma demonstre sua capacidade e estabeleça a necessidade de sua existência em prol da melhoria da qualidade de vida da sociedade.
Portanto, ao preparar o profissional que vá para o mercado de trabalho junto à sociedade, é preciso que exista a preocupação de dotá-lo de habilitação suficiente para que seja capaz de estar apto para mudar de ocupação, no momento em que for preciso, sem que seja necessário que recomece sua vida, retornando ao ponto de partida.